Slave Girls (1967), conhecido no Brasil como Mulheres Pré-Históricas, parte de uma ideia curiosamente diferente das habituais para esse tipo de aventura exótica. O filme tenta construir um universo isolado, regido por crenças rígidas, tradições absurdas e um sistema social tribal. É uma premissa que poderia render algo realmente instigante, justamente por apostar em um conceito incomum. Infelizmente, o resultado não acompanha o potencial.
Um dos pontos que mais chamam atenção é a presença de inúmeras mulheres bonitas, moldadas para cumprir exatamente esse papel dentro da produção. Entre elas, destaca-se Saria, interpretada por Edina Ronay, talvez o rosto mais marcante do elenco. Mesmo com tão pouco espaço dramatúrgico, ela se sobressai visualmente, assim como várias outras figuras femininas que, apesar do pouco destaque na história, acabam compondo boa parte da identidade estética do filme.
Porém, beleza não compensa personagens extremamente burros — e aqui isso pesa muito. Saria é o maior exemplo disso,
principalmente no momento em que entrega o plano que ela mesma havia se empenhado em montar, denunciando
David (que, aliás, só descobrimos que se chama David nos minutos finais; antes disso, ele é apenas “o estrangeiro” ou “o forasteiro”). Essa decisão, tão gratuita quanto incoerente, implode qualquer tentativa de construir tensão ou lógica interna. E não é só ela: o protagonista é um pamonha absoluto, passivo do começo ao fim. Nunca tenta uma reação, nunca esboça revolta, nunca enfrenta nada. Em um universo que vive à base de crendices, profecias idiotas e doutrinas vazias, ele sequer tenta usar isso ao seu favor. Nada. É um protagonista desconcertantemente fraco, e isso afunda ainda mais a narrativa.
A história, apesar de realmente diferente e inédita para quem nunca viu nada parecido, acaba se tornando chata, cansativa e pouco atrativa. Falta motivação convincente, falta ritmo, falta empatia pelos personagens. Em vez disso, o filme se apoia em uma sucessão de bobagens místicas e cegueira coletiva, com personagens que aceitam qualquer coisa como manifestação divina ou como “o destino”, sem questionamento, sem conflito, sem evolução. A passividade generalizada transforma a trama em algo morno e repetitivo.
Curiosamente, o melhor personagem do filme acaba sendo o velhinho — não por profundidade, mas porque ao menos ele tem algum carisma e entrega momentos minimamente interessantes. E isso já diz muito sobre o restante do elenco.
No fim das contas, Slave Girls é um filme que tinha uma ideia boa e genuinamente diferente, mas é pobre em vários quesitos: roteiro fraco, personagens burros e mal desenvolvidos, narrativa arrastada, uso excessivo de misticismo vazio e uma condução que nunca encontra propósito. Ainda bem que é curto, porque mesmo com uma duração enxuta já se torna cansativo. Uma pena: a proposta era boa, mas o resultado é fraco.
Produção inglesa da Hammer produzido em DeLuxe Color e CinemaScope, esta aventura de fantasia foi escrita, produzida e dirigida por Michael Carreras (1927-1994). Este filme teve 2 versões distintas: no Reino Unido com 74 minutos e na versão dos Estados Unidos com 91 minutos.
Rodado em apenas 4 semanas usando cenários e figurinos de Mil séculos Antes de Cristo (66), para compensar o custo do filme anterior de 140.000 libras. Martine Beswick disse em uma entrevista de 1998 que ela achava que este filme era a "pior peça de lixo", mas ela se divertiu muito e simplesmente a 'rasgou'. A atriz jamaicana estreou no cinema em Moscou contra 007 (63) e ainda participou de outro filme de James Bond: 007 contra a chantagem atômica (65).
A representação das amazonas é boba além das palavras e pelos padrões de hoje é politicamente tão incorreta quanto possível, mas não deixa de ser um entretenimento de acampamento decente para os fãs de filmes cult.
Alguns erros grotescos: Quando o caçador David volta ao passado, a vegetação na nova terra no palco sonoro inclui um pinheiro, não nativo da África. Embora parecesse que algumas das mulheres usavam batom, dificilmente teriam acesso a uma loja de cosméticos nos tempos pré-históricos.
Apesar dos absurdos ( como a separação das belas mulheres , todas jovens por sinal , por cor de cabelo : as louras e as morenas , coisa que já vi em outros 2 filmes da Hammer , entre outros ) , é um filme muito bom que já tinha assistido décadas atrás . O filme mostra a vingança das morenas , a escravidão , um deus rinoceronte e um toque crítico sobre a caça de animais pelos brancos . Destaque para a beleza das mulheres com seus belos cabelos ( estilo final dos anos 60 e início dos 70 ) e , mesmo sendo guerreiras ou escravas , transbordam de sexualidade e feminilidade . Destaque também para o personagem principal do filme que parece muito o Roberto Carlos quando jovem ( em minha opinião ) . Recomendo muito este filme .
Slave Girls (1967), conhecido no Brasil como Mulheres Pré-Históricas, parte de uma ideia curiosamente diferente das habituais para esse tipo de aventura exótica. O filme tenta construir um universo isolado, regido por crenças rígidas, tradições absurdas e um sistema social tribal. É uma premissa que poderia render algo realmente instigante, justamente por apostar em um conceito incomum. Infelizmente, o resultado não acompanha o potencial.
Um dos pontos que mais chamam atenção é a presença de inúmeras mulheres bonitas, moldadas para cumprir exatamente esse papel dentro da produção. Entre elas, destaca-se Saria, interpretada por Edina Ronay, talvez o rosto mais marcante do elenco. Mesmo com tão pouco espaço dramatúrgico, ela se sobressai visualmente, assim como várias outras figuras femininas que, apesar do pouco destaque na história, acabam compondo boa parte da identidade estética do filme.
Porém, beleza não compensa personagens extremamente burros — e aqui isso pesa muito. Saria é o maior exemplo disso,
principalmente no momento em que entrega o plano que ela mesma havia se empenhado em montar, denunciando
A história, apesar de realmente diferente e inédita para quem nunca viu nada parecido, acaba se tornando chata, cansativa e pouco atrativa. Falta motivação convincente, falta ritmo, falta empatia pelos personagens. Em vez disso, o filme se apoia em uma sucessão de bobagens místicas e cegueira coletiva, com personagens que aceitam qualquer coisa como manifestação divina ou como “o destino”, sem questionamento, sem conflito, sem evolução. A passividade generalizada transforma a trama em algo morno e repetitivo.
Curiosamente, o melhor personagem do filme acaba sendo o velhinho — não por profundidade, mas porque ao menos ele tem algum carisma e entrega momentos minimamente interessantes. E isso já diz muito sobre o restante do elenco.
No fim das contas, Slave Girls é um filme que tinha uma ideia boa e genuinamente diferente, mas é pobre em vários quesitos: roteiro fraco, personagens burros e mal desenvolvidos, narrativa arrastada, uso excessivo de misticismo vazio e uma condução que nunca encontra propósito. Ainda bem que é curto, porque mesmo com uma duração enxuta já se torna cansativo. Uma pena: a proposta era boa, mas o resultado é fraco.
Assistido em 14/11/2025
Produção inglesa da Hammer produzido em DeLuxe Color e CinemaScope, esta aventura de fantasia foi escrita, produzida e dirigida por Michael Carreras (1927-1994). Este filme teve 2 versões distintas: no Reino Unido com 74 minutos e na versão dos Estados Unidos com 91 minutos.
Rodado em apenas 4 semanas usando cenários e figurinos de Mil séculos Antes de Cristo (66), para compensar o custo do filme anterior de 140.000 libras. Martine Beswick disse em uma entrevista de 1998 que ela achava que este filme era a "pior peça de lixo", mas ela se divertiu muito e simplesmente a 'rasgou'. A atriz jamaicana estreou no cinema em Moscou contra 007 (63) e ainda participou de outro filme de James Bond: 007 contra a chantagem atômica (65).
A representação das amazonas é boba além das palavras e pelos padrões de hoje é politicamente tão incorreta quanto possível, mas não deixa de ser um entretenimento de acampamento decente para os fãs de filmes cult.
Um filme em que homens e mulheres loiras seminuas são escravos de moças morenas (lideradas pela bela Kari) que cultuam um rinoceronte branco de pedra
Alguns erros grotescos: Quando o caçador David volta ao passado, a vegetação na nova terra no palco sonoro inclui um pinheiro, não nativo da África. Embora parecesse que algumas das mulheres usavam batom, dificilmente teriam acesso a uma loja de cosméticos nos tempos pré-históricos.
Lindas mulheres.
É um filme ate muito bom. achei que ia ser uma bobagem quase erotico. Mas traz varias reflexoes sobre escravidao, Religiao e mentiras.
Apesar dos absurdos ( como a separação das belas mulheres , todas jovens por sinal , por cor de cabelo : as louras e as morenas , coisa que já vi em outros 2 filmes da Hammer , entre outros ) , é um filme muito bom que já tinha assistido décadas atrás . O filme mostra a vingança das morenas , a escravidão , um deus rinoceronte e um toque crítico sobre a caça de animais pelos brancos . Destaque para a beleza das mulheres com seus belos cabelos ( estilo final dos anos 60 e início dos 70 ) e , mesmo sendo guerreiras ou escravas , transbordam de sexualidade e feminilidade . Destaque também para o personagem principal do filme que parece muito o Roberto Carlos quando jovem ( em minha opinião ) . Recomendo muito este filme .