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Data de lançamento
24 Out. 2019Duração
Phoebe é pesquisadora climática em uma universidade de Berlim. Com o corte do financiamento, sua chefe está mais interessada em lançar uma campanha de marketing de realidade virtual do que qualquer outra coisa. Nada pode pôr em causa a avaliação iminente.
Nesta sátira mordaz, Max Linz tem como alvo a universidade empresarial e sua relação com o capitalismo. Com peças peculiares nos cenários e jargão intrigante, Linz retrata o ambiente acadêmico como um mundo estranho e alienado onde as crenças morais e as necessidades econômicas estão em conflito.
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Não pretendo fazer um comentário objetivo sobre a experiência, uma vez que para além de qualidades técnicas, cada relação com o filme estará permeada de diversas memórias e contextos de quem assiste.
Penso que esse aspecto foi especialmente marcante para mim nesse filme. Talvez não me envolvesse tão fortemente com ele se não eu mesmo não fosse um acadêmico. O que está em debate durante a narrativa é uma angústia e urgência de um modelo desenvolvimentista que espera resultados concretos e em curto prazo. Porém as exigencias se chocam com os conflitos pessoais, institucionais e até mesmo uma precarização dos recursos para a pesquisa.
Tudo que pensei foi, se o filme mostra uma situação na Europa, em um núcleo de pesquisa de tecnologia acontecem cortes de verbas, imagine em univerisades em países como o Brasil. A maior angústia, ou alívio foi sentir que mesmo com todo o suposto desenvolvimento das ciências europeias, não há estabilidade, a pesquisa ainda assim é questionada, existe insegurança e incerteza.
O mais cruel do filme é saber que o desmonte da ciência não é apenas uma questão local ou nacional.
Crítica de fato mordaz!
Os diálogos são muito bons em apontar as contradições tão características de um academicismo europeu neoliberal, mais preocupado com o lucro e o "pra que serve" a Ciência do que com o propósito da produção de conhecimento em si e em como usar isso para de fato ajudar a sociedade. Ao mesmo tempo, temos no velho continente o idealismo da juventude e o berço das ideias socialistas e toda uma comoção ambiental. Uma clara crise de práxis: a teoria não está alinhada à prática.
Uma cena que exemplifica isso muito bem: uma aluna alemã traz uma tartaruga (na verdade é um jabuti) à sala de aula universitária. O discurso é que este é um dos últimos indivíduos de uma espécie ameaçada e que o bichinho não se adapta muito bem ao frio, não podendo voltar à natureza uma vez tendo sido tirado dela. Há uma preocupação com a preservação ambiental e com o bem-estar do bicho, mas ninguém questiona o porquê do animal ter sido retirado do seu ambiente natural (do Brasil) em primeiro lugar. Assim funciona o imperialismo cínico europeu.
Muito bom o uso do caso da prosperidade chilena durante a brevíssima era do presidente Allende e todo o potencial que ela trazia. Claro que este projeto de desenvolvimento social-progressista em um país do sul global capital-dependente não poderia existir, e logo foi limado da forma mais escrachada possível: explodiram o cara. A cena do antes (com visita de Angela Davis), durante (o palácio presidencial explodido) e depois (general Pinochet assumindo) no Chile é excepcional pra mostrar isso.
Tiveram outros aspectos que chamaram minha atenção mas já foram abordados muito bem no comentário abaixo.
Por fim, um filme bem interessante com muitas mensagens importantes, mas o estilo pode tornar desinteressante pra quem não estiver disposto ou tem a bagagem pra pegar essas sutilezas. Dei algumas risadinhas mas poderia ser mais engraçado também, tinha muito elemento pra isso.
Uma crítica eficiente ao academicismo, aquele nível de debate intelectual que mais serve para massagear o ego dos debatedores do que buscar propostas concretas e funcionais aos problemas sociais. Apesar de, claro, se relacionar com o contexto alemão, não deixa de ser possível traçar paralelos com a situação das universidades brasileiras, da qual também padecem desse academicismo, muitas vezes, exagerado. Muitos intelectuais se refinam tanto na dimensão teórica que acabam negligenciando a necessidade de traduzir estas teorias em termos simplificados para que o conhecimento seja compreendido fora dos muros da universidade.
Em consonância com esse debate sobre a conexão do espaço acadêmico com o mundo exterior, temos a crítica à mercadologização da ciência. Aqui, adentramos a um debate comum em setores políticos sobre qual a real funcionalidade dos campus: seguir um entendimento neoliberal de produção rentável do conhecimento, que responda a investimentos da iniciativa privada, ou entender a função social da universidade como leitora e propositora de alternativas às nossas contradições estruturais. Compreendi o embate discursivo entre a professora e a coach, no diálogo das duas no carro, como a personificação dos dois lados desta dicotomia.
Ainda são possíveis extrair outras críticas, como a contradição do discurso pseudo-meritocrático de que ter um diploma te garante empregos, quando estamos observando tantos mestres e doutores desempregados por aí. Em que a universidade está falhando? Ou estaria o sistema falhando como um todo? Por sentir que tais críticas são tão latentes, e por pertencer ao espaço universitário e vivenciar tais debates, este filme me chamou bastante atenção!
Bem original. Bem caricato mas uma caricatura nada óbvia. A sonoplastia e outras escolhas estéticas contribuem pra uma sensação de referência temporal meio perdida, antiquado, novo que nasceu velho.
Interessante, mas para um brasileiro assistindo a crítica pareceu bem situada no contexto europeu. Aqui as disputas em torno da universidade também acontecem nas de forma bem diferente. Também não gostei das atuações.
Tem uma estética bem diferente do habitual. Vale pela experiência fílmica.