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Duração
Aos 8 anos, Brian Lackey (Brady Corbet) acordou do lado de fora de sua casa com o nariz sangrando, sem ter ideia de como tinha chegado lá. Depois do incidente ele nunca mais foi o mesmo: tem medo do escuro, urina na cama e é assombrado por pesadelos. Agora, aos 18 anos, ele acredita ter sido abduzido por alienígenas. Neil McComick (Joseph Gordon-Levitt), também de 18 anos, é um adorável forasteiro, o rapaz que todos admiram a distância. Quando seus caminhos se cruzam, eles descobrem que as memórias mais importantes de suas vidas não são o que parecem.
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Mistérios da Carne é uma pérola escondida dentro do início dos anos 2000. A estética não envelheceu muito bem, já que o filme parece ter sido rodado na década anterior, mas isso não influencia no resultado, já que o longa ganha muito com seu roteiro e personagens bem desenvolvidos. Por falar em roteiro, esse sem dúvidas é o ponto alto. O mesmo levanta questionamentos sobre abuso infantil, fazendo analogias com outras temáticas. Todo o elenco está bastante funcional, principalmente Joseph Gordon-Levitt ainda bastante novo, até então só tinha como destaque em sua carreira 10 Coisas Que Odeio em Você. Enfim, Mistérios da Carne é um filme que olhando rápido para sinopse, capa e elenco, pode passar despercebido, mas que no final das contas entrega um ótimo conteúdo e que funciona ainda mais caso o espectador não conheça nada sobre.
**** (Ótimo)
Esse é o tipo de filme que vai te deixar com o corpo pesado, com uma grande dor de cabeça. A história se desenvolve de uma maneira crua, mostrando dois protagonistas marcados pela mesma violência mas com formas diferentes de assimilar o mundo: enquanto um aceita as coisas como elas são e pouco se importa consigo mesmo, o outro busca respostas sobre episódios traumáticos de sua infância. Um tenta camuflar a dor, o outro tenta preencher as lacunas em suas memórias. E ambos se encontram num caminho tortuoso de inocências roubadas.
Grande destaque para Joseph Gordon-Levitt, de que abraça o niilismo do seu personagem numa performance assustadora e de encher os olhos.
Nada nessa obra é fácil de digerir.
Visceral, tema delicado e agonizante que nos mostra as cicatrizes que os protagonistas receberam na infância e que continuam doendo pelo resto da vida.
Oooo meu Pai esse doeu viu
Mysterious Skin é um filme de reação pós-trauma. No caso, como o acontecimento molda a identidade, a personalidade e futuro dos indivíduos submetidos por ele.
É um filme corajoso, pois muito se fala no sofrimento causado a vítimas de abuso, mas pouco se fala das consequências reais (e por muitas vezes, instantâneas) que passam a fazer parte do cotidiano destas pessoas.
Dois jovens destoam em percepção e na forma com que digerem o que aconteceu. O filme não estabelece uma resposta 'correta' ao trauma; acompanha, com enorme sensibilidade, como cada um constrói mecanismos próprios para continuar vivendo. Características fisiológicas como narizes sangrando e episódios de desligamento fazem parte do processo de manifestação do trauma, assim como uma hipersexualidade que grita advinda de um sentimento de autodestruição.
Gregg Araki usa componentes lúdicos na construção narrativa, mas o filme é cru. Pesado. Não poupa nada, nem as cenas mais violentas e explícitas das histórias dos dois garotos. Muitos diretores e roteiristas utilizam do histórico de sofrimento de uma personagem como plano de fundo ou construção histórica. Esse filme não é nada disso. O filme todo é sobre o sofrimento e a realidade que é fruto dele.
Gostaria de fazer menção rápida a passagens que me chamaram atenção: a relação desconexa entre os pais e os personagens principais e uma frase: “ele estava apaixonado por mim. Eu era o favorito dele.”
Não sei se deu pra perceber, mas eu amei o filme. Foi o mais fiel que eu já vi na forma de retratar o assunto. Assisti “Happiness” do Todd Solondz e “Má Educação” do Almodóvar... Estava esperando algo do tipo.
Ganhei um soco no estômago. Recomendadíssimo.