Dirigido por
Duração
O enredo se desenrola num pequeno vilarejo rural no interior do Japão. De acordo com a tradição, quando alguém atinge a idade de 70 anos deve se dirigir a uma montanha sagrada para morrer. É essa a história de Orin - que em seus 69 anos de pura saúde tem de dizer o último adeus a sua família antes de partir.
Em 1983 foi produzido um remake famoso deste filme, que venceu a Palma de Ouro em Cannes.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Os cruéis milagres.
Assisti à versão de 'A Balada de Narayama' de 1983 há mais de uma década (trata-se de um filme brilhante) e sempre quis ver esta aqui também, mas ainda não tinha acontecido.
Se na obra dos anos 80 a crueza do filme e da narrativa é o que nos impacta, aqui tudo funciona como uma fábula melancólica e inevitável (e também impactante, obviamente).
O teatro kabuki é claramente uma grande inspiração.
Algo que chama bastante a atenção no longa é como caminham lado a lado uma grande aceitação coletiva dos processos de sacrifícios, punições e severas obrigações (com músicas que cantam sobre esses temas) e, ao mesmo tempo, um poderosíssimo sentimento que corrói por dentro e torna muito difícil deixar partir quem se ama.
(P.S.: histórias sobre mães e filhos... puta merda, essas são naturalmente pesadas para mim).
A narração dá o especial tom de melancolia poética. A parte sonora também marca presença fortemente o tempo todo, dando peso e construindo uma atmosfera muito particular.
As canções e as brincadeiras abraçam a realidade, pois ela é dura demais para ser vista por todos de uma maneira diferente.
Ainda assim, a fome e a escassez são questões duras demais com as quais todos convivem.
A autopunição é um processo necessário. O sacrifício total é parte do próprio destino.
Há as flores, o céu, a neve, a neblina.
Há a falta. Há as pegadas de morte.
Há o sofrimento. Há o tempo que sempre avança.
A esperança anda em comunhão com a natureza. A fé está nos sinais.
Visualmente é um espetáculo. A fotografia e a cenografia são muito memoráveis. Diferentes cores se alternam: o verde, o vermelho, o roxo e o cinza (para citar algumas) ditam o tom de um filme de sentimentos muito complexos, opostos e difíceis de se aceitar.
Viver é deixar quem você ama viver em vez de você.
Partir é o maior sinônimo de amor em 'A Balada de Narayama'.
Perder quem se ama também é parte da vida que se move. Viver também é aceitar que não dá para vencer as maiores perdas e dores.
É belo. É imensamente dolorido.
A Balada de Narayama é um filme profundamente reflexivo sobre o peso da idade e o medo inevitável da morte. A abordagem teatral, inspirada no kabuki, e a trilha sonora baseada no nagauta criam uma atmosfera única, quase ritualística, que reforça o fatalismo da história. Visualmente, é uma obra-prima. A iluminação e os cenários são meticulosamente planejados, transformando cada cena em um espetáculo visual. A beleza da composição contrasta com a dureza do enredo, tornando a experiência ainda mais impactante. O filme não impõe um julgamento definitivo, mas nos força a encarar o valor da vida e as consequências de uma sociedade que descarta aqueles que já não podem contribuir.
obra-prima! alegórico, poético, melancólico.
A melhor versão até o momento.A criação de cenários,histórias e personagens são totalmente envolventes e muito originais.Difícil não sair destruído com alguma situação.Um dos maiores clássicos japoneses.
>Assistido em 19 de Janeiro de 2023
Onde conseguiram assistir esse filme? :(