Dirigido por
Data de lançamento
4 Out. 1995Duração
A.D. 2015. Já se passaram quinze anos desde esse dia do ano 2000 quando morreram dois milhões de seres humanos devido ao Second Impact, uma catástrofe planetária que arrastou glaciares e submergiu uma enorme parte do planeta.
Hoje reina uma calma estranha sobre Tokyo-3.
A cidade está deserta: todos os habitantes foram convidados pelas forças da O.N.U. a se refugiarem nos abrigos.
As tropas cercam a cidade.
Por todo o lado batalhões armados com mísseis aguardam a ordem de ataque.
No quartel Geral da NERV, militares e cientistas esperam nervosamente pela confirmação do seu maior medo.
Shinji Ikari está sozinho na cidade à procura de uma Misato Katsuragi, membro da NERV.
De repente uma forma sombria e gigantesca emerge das aguas.
Os Anjos voltaram...
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Dirigido por Hideaki Anno, "Evangelion" é daqueles animes que marcaram uma geração e, com merecimento, situa-se no panteão dos clássicos dos desenhos japoneses. Aparentando ser, a princípio, um mero seriado de ficção científica situado em um mundo apocalíptico, aos poucos vai se revelando um complexo e muito bem elaborado drama psicológico.
Nesta série, somos apresentados a um mundo futurista em que a humanidade cria robôs - denominados "Evangelions" - para combater criaturas misteriosas conhecidas como "Anjos", que estão trazendo uma grande destruição ao redor do planeta. No entanto, é curioso perceber que os anjos em si não representam o aspecto mais importante da trama, sendo, sob uma certa óptica, somente coadjuvantes perante outras questões que são melhor exploradas na história.
Devidamente inseridos nesse universo, acompanhamos uma narrativa contada sob dois caminhos. No primeiro caminho, o mistério envolvendo a agência NERV, o seu comandante e os segredos por ele guardados, que vão sendo revelados de forma gradativa. No segundo, que considero o mais interessante e o principal do anime, os conflitos internos sentidos pelos personagens, em especial o protagonista, Shinji.
Ao longo da história, o público vai, gradativamente, conhecendo melhor os personagens, sobretudo a partir de flashbacks que nos ajudam a entender o porquê de serem quem são. No caso, são revisitadas experiências traumáticas que tiveram no passado e os moldaram. De uma certa maneira, é até válido pontuar que a verdadeira batalha que cada um trava não é contra os Anjos, e sim contra o seu próprio interior.
Da mesma maneira em que aborda temas complexos como solidão e existencialismo, o seriado também reúne diversos elementos, tais quais drama, comédia e ação. Neste último caso, devo dizer que as cenas de batalha são muito bem representadas, eletrizantes e um dos pontos altos da produção - embora, novamente ressalto, que a batalha em si não é o foco, e sim os personagens nelas inseridos. Uma prova dessa diversidade de elementos é, por exemplo, a diferença de tom entre a primeira e a segunda metades da temporada. Enquanto a primeira possui uma abordagem mais leve, bem humorada e aventuresca, a segunda possui um aspecto mais dramático e psicológico.
========== ALERTA DE SPOILERS ===========
Nos episódios finais, o seriado realiza um excelente trabalho de inserir o espectador na mente dos personagens principais - no caso, refiro-me, sobretudo, a Shinji, Misato, Rey e Asuka - e fazê-lo entender, por completo, os seus anseios, traumas e medos. Ou, em outras palavras, tudo aquilo que define as suas ações, as suas motivações e quem eles, de fato, são.
Shinji, tendo fugido do pai após a morte trágica da mãe, passara a vida inteira se considerando um covarde e um fracasso - e, dessa maneira, odiando a si próprio. Por trás da busca por receber atenção e reconhecimento do pai, o que ele realmente desejava, acima de tudo, era o reconhecimento das pessoas ao seu redor.
Misato, por sua vez, vivenciava sentimentos conflituosos em relação ao seu pai. Tendo o perdido muito jovem durante o Segundo Impacto, havia decidido trabalhar na NERV com o intuito de se vingar dos "Anjos". Por outro lado, quando o seu pai ainda era vivo, ela o odiava por impor restrições a ela, o que a fez adquirir uma personalidade "solta" e disposta a correr riscos na vida. Os seus relacionamentos amorosos e a sua busca por prazeres seriam uma maneira de compensar a ausência da figura paterna.
E, quanto à Asuka, o curioso é que, nos primeiros episódios aos quais somos apresentados a ela, a impressão inicial é a de uma garota temperamental e, em diversos momentos, irritante. Ao conhecermos melhor a sua história de origem - que considero a mais trágica de todas - e entendermos os seus traumas e o estado psicológico decorrente deles, conseguimos ter mais empatia com ela. Por baixo de sua arrogância e comportamento explosivo, encontra-se uma menina completamente quebrada por dentro e desesperada por afeto e atenção.
Nos três casos, os personagens, cada qual a sua maneira, não somente assolados por um tremendo vazio existencial, mas também cujas ações, de maneira inconsciente ou não, buscam exatamente preencher esse vazio. São, logo, escravos de seus medos, de seus passados e de sua própria incompletude. E o anime consegue, com perfeição, transmitir ao público esse conflito interno, em cenas que são, sem dúvida, angustiantes e tensas.
E, a partir daí, é possível perceber o porquê dos pilotos em questão conseguirem ter sucesso ao sincronizar com os Evangelions. Shinji e Asuka, em sua busca por reconhecimento e afeto, enxergam as unidades EVA como o único caminho para alcançarem esse objetivo, tornando-se dependentes dessas máquinas no intuito de preencher os seus respectivos vazios. Sendo dependentes das unidades, são capazes de se tornar "um só" com as mesmas.
Na cena final, temos Shinji vislumbrando o que poderia ser a sua vida em um outro universo, no qual ele seria menos dependente de seus traumas e inseguranças. Ele escuta inúmeras vozes falando que o que somos e o mundo do qual fazemos parte é definido, em síntese, pelas emoções que sentimos, as experiências que vivenciamos e os laços que construímos. Somente existimos de acordo com o que vivemos com os outros e somente conseguimos nos entender ao ter contato com os outros, pois, caso contrário, não teremos referência alguma.
Diante disso, ele entende, enfim, o ciclo em que está inserido. Ao se odiar, não consegue se aproximar dos outros - afinal, se não é capaz de se amar, os outras pessoas também não serão capazes. Ao não se aproximar dos outros, não consegue descobrir quem é. Ao não descobrir quem é, cria um vazio interno. Destruído por esse vazio, odeia aquilo que se tornou. Para se libertar, precisa quebrar o ciclo, e permitir se aproximar daqueles que o amam. Não existimos sozinhos, e essa é a principal lição aprendida pelo protagonista e brilhantemente transmitida pelo anime.
Aliás, Shinji, a julgar por alguns comentários, talvez seja um dos protagonistas de anime mais incompreendidos. Ele pode parecer irritante às vezes, mas o seu comportamento é explicado por um motivo simples e que deveria ser óbvio: ele, além de todas as questões inerentes à adolescência, também é um jovem com depressão. E, para pessoas com essa condição, não é incomum chorar, se fechar para os outros e ter dificuldade em construir relacionamentos.
O criador da série, Hideaki Anno, em diversas ocasiões, disse que a sua batalha contra a depressão foi a principal inspiração para criar a história. E o garoto é o personagem que melhor reflete o estado depressivo vivido pelo autor. Por trás de toda a mitologia, das cenas épicas e das batalhas contra criaturas gigantes, a história é nada mais e nada menos do que a luta de um indivíduo contra a depressão, com a pessoa, após uma série de dificuldades e conflitos, triunfando ao final.
As únicas criticas que faço ao anime é que, em primeiro lugar, ele termina, devido a restrições orçamentárias, sem a verdadeira conclusão da história, que somente é trazida no filme. E, em segundo lugar, existem diversas cenas de teor sexual que, em minha avaliação, foram um tanto desnecessárias. Eu até entendo que muitos dos personagens são adolescentes e estão em uma "fase de descoberta", mas, quando algumas dessas situações ocorrem em contextos inadequados, isso torna-se um problema.
Pesado!
Se NGE fosse música, seria um pagodinho maroto com letras que falam sobre cerveja, futebol, mulher bonita, sobre o abismo da alma humana criado pelo sofrimento autofleumado, sobre picanha e pão de queijo.
4/5
5/5 fácil se "The End of Evangelion" fosse o episódio 27.
Um anime chato com personagens horríveis, a asuka é simplesmente horrorosa, personagem intragável. Achei bem sem graça a história desse anime, parece que as coisas não engatam, é um tédio sem fim!
o final foi escrito e dirigido pelo David Lynch e nada vai mudar a minha opinião sobre isso