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A incrível trajetória de Richard Nixon (Anthony Hopkins) desde a sua infância, passando por sua derrota para John F. Kennedy, sua ascensão política, que teve como ápice ser eleito duas vezes presidente, e sua subsequente queda com o escândalo Watergate, que o aniquilou politicamente.
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Acho que o Filmow poderia trocar a sinopse de "A incrível trajetória de Richard Nixon" para "Todas as canalhices de Richard Nixon". Uma figura detestável como Nixon, tão merecida pelos estadunidenses, ganhou vida numa ótima interpretação de Sir Hopkins. Vale a pena assistir para sempre lembramos que existem pessoas nefastas com esse presidente. Nota 7,0.
Nixon supre a cartilha de todo presidente americano: megalomaníaco, genocida e sedento por poder. Mas ele consegue a proeza, em meio ao seu grupo, de ser detestável perante os detestáveis. Anthony Hopkins o interpreta muito bem, desde seus trejeitos e maneirismos, até seus modos de falar, sorrir e gesticular.
O filme começa com uma ressalva de que o filme é "uma tentativa de entender a verdade [...] com base em inúmeras fontes públicas e em um registro histórico incompleto". Sou conservadora quanto a biografias, não somente com o que diz respeito a veracidade, mas prefiro cronológica, os flashbacks ajudam a contextualizar, mas ficam a dever em algumas pontas mal aparadas... A real é que a vida de Nixon não foi tão interessante, um pouco que mostrou de sua infância/juventude foi a melhor parte...
Uma epopeia.
Que filme incrível, um épico, são 3h e 20min, porem dignos por retratar a vida do Nixon, dos altos e baixos de sua vida, Anthony Hopkins tá incrível parecendo que encarnou o espirito do Nixon nele, principalmente o sorriso icônico. A direção e montagem do filme é muito chamativa, foco em um momento no qual Nixon perturbado com suas fitas(que o incriminam) em um lapso de loucura, não conseguindo dormir, se enxerga tomado por fitas em uma cama.
2 pontos a mais:
- Os EUA, como líder da cultura mundial, não ter uma epopeia dessas para cada um dos seus presidentes, principalmente do seculo XX, é bem de estranho.
- Saudades quando Oliver Stone fazia filmes dignos de história e não galhofas, direção horrível, roteiro de sessão da tarde ou fazendo documentário de político nefasto "pra gringo ver".
Oliver Stone é mestre em dirigir grandes filmes políticos como JFK - A Pergunta Que Não Quer Calar (JFK, 1991), antiguerra como Platoon (1986) e Nascido em 4 de Julho (Born on the 4th of July, 1989), ou controversos como The Doors (1991) e Alexandre (Alexander, 2004). É notável sua capacidade e visão para escrever, adaptar e conduzir histórias que muitas vezes podem parecer repetitivas devido à repercussão e ao impacto que outrora tiveram na sociedade e história americana. Seja em seus dois filmes sobre a Guerra do Vietnã, já que antes deles já haviam sido feitos nada mais nada menos que O Franco Atirador (The Deer Hunter, 1978) e Apocalypse Now (1979), ambos filmes consagrados abordando a Guerra do Vietnã, ou mesmo pegando eventos de enorme repercussão como o assassinato de John Kennedy e o ícone do rock Jim Morrison. Por esses poucos filmes citados, qualquer trabalho de Oliver Stone é merecedor de atenção.
Nixon não foge à regra. Com um roteiro não linear a princípio, Stone imprime de maneira satisfatória suas características de diretor e todo o viés político e biográfico que o filme exige, mostrando as nuances do homem que veio de uma família pobre, que consegue chegar à presidência até sua renúncia. O filme tenta nos oferecer certas ferramentas de como julgar o filho, o homem, o marido, o pai e o único presidente que renunciou ao cargo na história americana devido ao escândalo Watergate. Fazer tal julgamento ou mesmo simplesmente entender o que foi tal momento crucial na história americana não é uma tarefa das mais fáceis caso não se tenha algumas referências prévias devido às questões geopolíticas da época, em especial a Guerra Fria, a Guerra do Vietnã, a crise com Cuba e o possível risco do avanço comunista na América Latina. Juntar tudo isso em 3 horas de filme de fato não é uma tarefa muito agradável para quem não sabe muito bem o que representou tudo aquilo ou que não busca entender um pouco mais o que tais momentos significaram.
O grande mérito do filme foi tentar trabalhar em duas correntes, ficcional e documental, com uma montagem muito boa o filme consegue trabalhar de maneira interessante em vários pontos factuais, apropriando-se dos elementos jornalísticos da época. Fazendo com que duas áreas se conversem sem nenhuma grande perda narrativa. Tudo é trabalhado para que o espectador se sinta parte de tudo aquilo, como se ele mesmo participasse de alguma forma. A composição de cada cena, com todos os detalhes, as locações e objetos, tentam trazer fielmente todos os momentos decisivos na Casa Branca. A fotografia, em muitos momentos, é obscura e sombria para enfatizar todos os momentos de incertezas e o profundo jogo político do qual Richard Nixon estava inserido. Oliver Stone e a equipe de arte conseguiram trazer toda essa aura que é o jogo do poder, toda a possível conspiração e os interesses de estado que muitas vezes estão muito além do entendimento comum sobre o que deve ou não ser feito e toda a questão moral envolvida.
O elenco do filme carrega grandes nomes com boas atuações, mas o destaque maior fica, é claro, para a interpretação de Anthony Hopkins, que assume muito bem o personagem em todos seus jeitos e formas de ser. Isso demonstra claramente que Stone conseguiu pontuar exatamente o que queria, além do grande talento de Hopkins e sua competência em "compor" Richard Nixon.
Nixon, no entanto, também tem um limite. Conseguimos sim fazer certos julgamentos da persona Richard Nixon, conseguimos entender suas razões e até sua importância e relevância no cenário político/histórico americano. Mas, caso se queira um pouco mais de profundidade para entender certos momentos e até mesmo alguns nomes importantes que aparecem, como o diretor fundador do FBI J. Edgar Hoover, que tem momentos modestos no filme, é necessário buscar algo fora. Felizmente, dentro do cinema é possível puxar alguns filmes que possam fazer uma ponte para entender de uma forma satisfatória o que foi Watergate e se situar no próprio Nixon. Filmes como J. Edgar de 2011, do Clint Eastwood, passando pelo próprio Nixon, seguido de Todos os Homens do Presidente (All the President's Men, 1976), e por fim Frost/Nixon de 2008. É possível ter uma leitura mais ampla do que foi o Watergate e seu impacto e de algumas figuras importantes que rodearam a época.
Nixon não é a melhor obra de Oliver Stone, mas ainda sim é um grande filme que merece ser visto pelo valor histórico e biográfico que carrega.