O mês de maio na pequena cidade parece ser mais quente e sombrio do que os anos anteriores. Ainda assim, todos parecem felizes, apesar das suas pequenas preocupações. No entanto, esta felicidade é um pouco perturbada pela chegada de Muzaffer, que quer fazer um filme na cidade onde passou a sua infância.
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Indicado ao Urso de Ouro no Festival de Berlim. Depois do curta (Casulo) e do seu longa de estreia (A Pequena Cidade), aqui o diretor parece começar a criar um pouco mais o que viria a ser seu estilo narrativo mais refinado e intrincado. Porém parece haver uma simbiose entre esses seus trabalhos iniciais para a evolução que estava trilhando. Há uma cena em que os pais assistem a si mesmos em uma TV que me parece ser uma parte do curta metragem, o filme que o personagem principal está filmando parece ser exatamente o longa de estreia do diretor, o que faz de toda a sua filmografia inicial uma colcha de retalhos metodicamente costurada. Gostei da história do menino com o ovo e de toda a atenção que o diretor dá aos seus pais em cena. A construção da história vai se dando em conta gotas e quando percebemos já estamos envolvidos na história. Um bom filme, mas que ainda não tínhamos como saber a força da natureza que o diretor se tornaria.
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O canivete-lanterna-isqueiro que toca 'chorando se foi' da Kaoma.
Já dá pra notar aqui um flerte com Tarkovsky que se confirmaria em Distante (2002), próximo filme do diretor.
Essa tarefa que o garotinho tem, de conservar um ovo intacto por quarenta dias, me fez lembrar o processo de purificação antes de entrar no quarto da Zona em Stalker (1979). Ambas as situações são como um teste ou uma prova pela qual o personagem deve passar para provar o que realmente deseja. Provar qual é sua grande meta e propósito na vida. E o fato de o garotinho desse filme ter uma meta tão singela é o que o torna um personagem tão cativante.
Não existem guias ou explicações no cinema árabe. Não sei se é marca cultural, mercado ou estilo. Eu gosto muito, não polui a linguagem visual e amplifica qualquer interação honesta. O filme está aí, uma nuvem.
Estou cada vez mais encantada pela singeleza poética do cinema turco!
Belíssimo filme!