Solitário e desempregado, Isaac aceita uma oferta para ser babá de Olga, uma criança psicologicamente perturbada, que mora em uma ilha isolada. O trabalho parece muito simples, até ele chegar na casa e se deparar com uma presença sobrenatural.
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Vi os três longas de McCarthy do mais recente ao mais antigo, e é interessante ver tanto os padrões quando as evoluções do cineasta. Ao mesmo tempo em que o diretor só foi ficando melhor, mostra desde o início uma capacidade ímpar de provocar e sustentar uma tensão atmosférica que se mantém intacta durante todo o filme. Em seu universo fílmico, o sobrenatural surge como sugestão, ameaça e punição, sempre contrapondo "mocinhos" e "vilões" - e nesse último caso, seres não-humanos são mais instrumentos do que os causadores do mal. Caveat explica relativamente pouco, mas entrega um terceiro ato nervoso e sombrio, num filme em que o baixo orçamento ajudou na criação do clima sombrio que permeia toda a duração. Com certeza o irlandês é um dos nomes do terror atual sinônimo de boas expectativas.
[24/06/26]
Tal qual em Oddity, tem algumas decisões dos personagens que vc precisa suspender a descrença pra aceitar o plot. No caso desse aqui, é logo no início essa decisão.
Passando disso... cara. Eu amei.
Tem uma mistura muito boa de familiaridade e originalidade em como Damian McCarthy constrói suas narrativas. Ele usa recursos do suspense e do terror que são antigos, já bem estabelecidos, mas ainda eficazes, ao mesmo tempo em que atinge a gente com ideias narrativas que fazem com que seja difícil prever onde a história vai dar (mesmo se você sacar as reviravoltas, ainda sobra muito de intrigante para tentar descobrir onde vai parar) e isso é excelente para o terror. Ele sabe usar a dúvida, a escuridão, o visível e o invisível, o estranho... A equipe de design de produção dele é excelente... as pinturas, o coelho, tudo com um design que serve muito bem à bizarrice da narrativa.
Fraco. Vendo esse filme por último depois de Oddity e Hokum (invertendo toda ordem), noto que este diretor cria tensão em sua premissa porém não consegue manter ao longo do filme.
Depois de Oddity e Hokum nao tinha como ficar indiferente a Caveat, o primeiro longa feito para as telonas por McCarthy que ja deixou de ser promessa e tornou-se um grande ativo para o gênero. Assim como nos assustadores, intrigantes e elogiados já citados acima e trabalhando com um orçamento bastante reduzido o diretor propõe uma trama que desafia o público usando uma linha tênue entre o terror psicológico e o sobrenatural que faz toda a diferença para segurar a plateia em uma trama de ritmo lento, claustrofóbico e envolvente. O coelho em cena é realmente assustador e McCarthy é o cara!
Comentários com leves spoilers: geralmente eu não sou do tipo que se importa quando um filme não entrega todas as respostas mastigadas, nem com finais em aberto, mas este aqui força a amizade. São muitas perguntas em aberto, quem matou quem, como, por que, qual o motivo que justifica um irmão querer matar o outro e recontratar um cara (?!) que ele próprio tentou matar por se objetar ao serviço... De positivo, o uso pleno e eficiente dos espaços da casa, quase um personagem à parte, assim como o diretor fez no recente Hokum, onde há em comum a semelhança do uso de alguns elementos (protagonista preso com um cadáver de olhos abertos no ambiente, porão, aberturas no piso, objeto que alerta o sobrenatural - o sino em Hokum, o coelho neste). Mas também compartilha com Hokum uma fraca ou não bem explicada motivação do(s) assassino(s).