Adrian (Cory Michael Smith), um jovem com uma doença terminal, visita a sua cidade natal no Texas e se esforça para divulgar suas terríveis circunstâncias à família conservadora.
O que mais me pega em O Ano de 1985 é como Yen Tan constrói esse retrato íntimo da epidemia de AIDS sem nunca cair no melodrama barato ou na exploração da dor queer. Aqui, a tragédia vem embrulhada no cotidiano: nas conversas não ditas no jantar, no olhar da mãe que sabe mas não pergunta, na tensão que paira quando Adrian abraça o irmão caçula. É cinema que respira pelos poros, que encontra o universal no específico.
Cory Michael Smith entrega uma atuação contida mas devastadora como Adrian. Cada silêncio dele diz mais que páginas de diálogo - e olha que eu amo um monólogo bem colocado. Virginia Madsen como a mãe também merece palmas: ela navega entre a negação e a intuição maternal com uma sutileza que corta a alma.
A fotografia em preto e branco não é só estética (embora seja linda de doer): é escolha narrativa que amplifica a sensação de tempo suspenso, de memória que dói. É como se estivéssemos vendo através do filtro da nostalgia e do luto ao mesmo tempo.
Mas o que O Ano de 1985 faz de mais poderoso é humanizar uma época que muitas vezes é reduzida a estatísticas ou marcos históricos. Adrian não é símbolo - é pessoa. Sua família não são vilões - são pessoas navegando no que sabem e no que conseguem processar. O filme honra a complexidade das relações familiares sem absolver o preconceito, mas também sem demonizar quem ainda está aprendendo a amar além dos próprios medos.
Consigo pensar em alguns filmes levemente parecidos que tem surgido por aí nos últimos anos, mas esse me pegou de um jeito muito peculiar, talvez esteja em toda sua sutileza, em como ele é contido, tímido até e que depois se abre e revela, e muito. A temática de natal e o fato de se tratar do cinema em p&b fizeram diferença, acrescentaram uma melancolia a mais.
Esse filme é pesado hein... Como sofre o pobre Adrian. Sobre a trama, já vimos filmes contando as mesmas situações com mais intensidade. Mas o grande mérito aqui pra mim é a amizade dos irmãos.
Visto em 27.08.23. Comovente, sensível, delicado, triste, melancólico, solitário, sufocante. E tudo isso “adjetivamente” falando. A fotografia P&B muito bem colocada para o filme, dando um ar saudoso e nostálgico para a maravilhosa década de 80, que apesar de todas cores e alegrias teve seus momentos tristes como mencionado no filme.
Triste sentir o desamparo de Adrian, onde deveria ter o maior apoio no caso da família. Como deve ter sido doloroso e solitário nessa época, além dos preconceitos sofrer com os males de uma doença desconhecida para a época. A cena final do irmão com o walkman para mim é a mais sensível e linda do filme. O irmão dele guardará a fita e o walkman pro resto da vida…
O que mais me pega em O Ano de 1985 é como Yen Tan constrói esse retrato íntimo da epidemia de AIDS sem nunca cair no melodrama barato ou na exploração da dor queer. Aqui, a tragédia vem embrulhada no cotidiano: nas conversas não ditas no jantar, no olhar da mãe que sabe mas não pergunta, na tensão que paira quando Adrian abraça o irmão caçula. É cinema que respira pelos poros, que encontra o universal no específico.
Cory Michael Smith entrega uma atuação contida mas devastadora como Adrian. Cada silêncio dele diz mais que páginas de diálogo - e olha que eu amo um monólogo bem colocado. Virginia Madsen como a mãe também merece palmas: ela navega entre a negação e a intuição maternal com uma sutileza que corta a alma.
A fotografia em preto e branco não é só estética (embora seja linda de doer): é escolha narrativa que amplifica a sensação de tempo suspenso, de memória que dói. É como se estivéssemos vendo através do filtro da nostalgia e do luto ao mesmo tempo.
Mas o que O Ano de 1985 faz de mais poderoso é humanizar uma época que muitas vezes é reduzida a estatísticas ou marcos históricos. Adrian não é símbolo - é pessoa. Sua família não são vilões - são pessoas navegando no que sabem e no que conseguem processar. O filme honra a complexidade das relações familiares sem absolver o preconceito, mas também sem demonizar quem ainda está aprendendo a amar além dos próprios medos.
Consigo pensar em alguns filmes levemente parecidos que tem surgido por aí nos últimos anos, mas esse me pegou de um jeito muito peculiar, talvez esteja em toda sua sutileza, em como ele é contido, tímido até e que depois se abre e revela, e muito. A temática de natal e o fato de se tratar do cinema em p&b fizeram diferença, acrescentaram uma melancolia a mais.
Esse filme é pesado hein... Como sofre o pobre Adrian.
Sobre a trama, já vimos filmes contando as mesmas situações com mais intensidade. Mas o grande mérito aqui pra mim é a amizade dos irmãos.
02.09.2023
Visto em 27.08.23.
Comovente, sensível, delicado, triste, melancólico, solitário, sufocante. E tudo isso “adjetivamente” falando. A fotografia P&B muito bem colocada para o filme, dando um ar saudoso e nostálgico para a maravilhosa década de 80, que apesar de todas cores e alegrias teve seus momentos tristes como mencionado no filme.
Triste sentir o desamparo de Adrian, onde deveria ter o maior apoio no caso da família. Como deve ter sido doloroso e solitário nessa época, além dos preconceitos sofrer com os males de uma doença desconhecida para a época. A cena final do irmão com o walkman para mim é a mais sensível e linda do filme. O irmão dele guardará a fita e o walkman pro resto da vida…