De Sica dirige um drama baseado na obra teatral de Sartre, num tom totalmente experimental, não faltam aspectos importantes, as imagens pintadas nas paredes como se fossem esculpidas no inconsciente metaforizado pela sala, e quando dele emerge parece que emerge do seu passado, a cena da representação teatral brechtiana parece original e profunda, no teatro há reprodução e portanto a verdade que foi, na realidade às vezes a ilusão, o elenco é de primeira com destaque para o grande Fredric March, o tema é difícil, a produção é caprichada, peca um pouco na montagem, mas é bem dirigido, gostei dos tons expressionistas no filme.
A trilha sonora não foi composta especialmente para o filme. Os realizadores optaram por utilizar concertos do compositor russo Dmitri Shostakovich – e foi uma decisão sábia. A maravilhosa composição se adequou como uma luva ao tom do filme. O elenco – enxuto, pequeno: são poucos os personagens – reúne nada mais, nada menos, que Sophia Loren, Maximilian Schell, Fredric March, Robert Wagner e Françoise Prévost. Globalização é isso aí: uma italiana, uma francesa, dois americanos, um austríaco. O diretor é Vittorio De Sica, um dos maiores cineastas da Itália na época em que a Itália fazia o melhor cinema do mundo. O roteiro é assinado por uma improvável, impensável dupla de mestres, o italiano Cesare Zavattini e o americano Abby Mann. O produtor é uma lenda do cinema italiano, Carlo Ponti, um dos grandes produtores da Europa, ao lado de Franco Cristaldi e Dino De Laurentiis. É muito talento, muita maestria reunida em um único filme. Talvez more ai o grande perigo. O filme me pareceu se levar a sério demais. Ficou pesado demais. Me pareceu um filme que se pretende solene demais, palavroso demais, definitivo demais. Não que seja um filme ruim. Não é, de forma alguma, e tem importância, e merece respeito. Mas o tom grandioso em excesso de fato o prejudica, mas vale a pena ver.
Baseado em uma peça de Jean-Paul Sartre, o filme é muito bom, acredito que o melhor que já assisti do De Sica (preferi este ao Ladrões de Bicicletas). Sophia Loren foge um pouco do esteriótipo de seus papéis e consegue aqui uma baita interpretação, linda como sempre. O clima tenso dos encontros no sotão, a carga de psicologia e o fantasma da II Guerra Mundial fazem deste filme uma obra única, por conseguir unir tão bem os traumas da Europa com a guerra e uma narrativa que consiga envolver o telespectador tão bem. A interpretação de Fredric March como o líder do clã Gerlach está simplesmente brilhante, o cara era um monstro como ator. A direção do De Sica também está ótima e os personagens são tão complexos que dá um ar de realidade bem intensa ao filme. A única coisa que incomoda é os atores falando em italiano na Alemanha, não convence. A cópia que peguei estava com o som bem comprometido, quem gravou pegou uma interferência de uma rádio italiana, tem uma parte silenciosa que é bem fácil ouvir o Richard Ashcroft cantando Music is the Power.
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Os horrores da guerra passado a limpo. Muito bom filme. Talvez eloquente demais.
De Sica dirige um drama baseado na obra teatral de Sartre, num tom totalmente experimental, não faltam aspectos importantes, as imagens pintadas nas paredes como se fossem esculpidas no inconsciente metaforizado pela sala, e quando dele emerge parece que emerge do seu passado, a cena da representação teatral brechtiana parece original e profunda, no teatro há reprodução e portanto a verdade que foi, na realidade às vezes a ilusão, o elenco é de primeira com destaque para o grande Fredric March, o tema é difícil, a produção é caprichada, peca um pouco na montagem, mas é bem dirigido, gostei dos tons expressionistas no filme.
A trilha sonora não foi composta especialmente para o filme. Os realizadores optaram por utilizar concertos do compositor russo Dmitri Shostakovich – e foi uma decisão sábia. A maravilhosa composição se adequou como uma luva ao tom do filme.
O elenco – enxuto, pequeno: são poucos os personagens – reúne nada mais, nada menos, que Sophia Loren, Maximilian Schell, Fredric March, Robert Wagner e Françoise Prévost. Globalização é isso aí: uma italiana, uma francesa, dois americanos, um austríaco.
O diretor é Vittorio De Sica, um dos maiores cineastas da Itália na época em que a Itália fazia o melhor cinema do mundo. O roteiro é assinado por uma improvável, impensável dupla de mestres, o italiano Cesare Zavattini e o americano Abby Mann. O produtor é uma lenda do cinema italiano, Carlo Ponti, um dos grandes produtores da Europa, ao lado de Franco Cristaldi e Dino De Laurentiis.
É muito talento, muita maestria reunida em um único filme. Talvez more ai o grande perigo.
O filme me pareceu se levar a sério demais. Ficou pesado demais. Me pareceu um filme que se pretende solene demais, palavroso demais, definitivo demais.
Não que seja um filme ruim. Não é, de forma alguma, e tem importância, e merece respeito. Mas o tom grandioso em excesso de fato o prejudica, mas vale a pena ver.
Baseado em uma peça de Jean-Paul Sartre, o filme é muito bom, acredito que o melhor que já assisti do De Sica (preferi este ao Ladrões de Bicicletas). Sophia Loren foge um pouco do esteriótipo de seus papéis e consegue aqui uma baita interpretação, linda como sempre. O clima tenso dos encontros no sotão, a carga de psicologia e o fantasma da II Guerra Mundial fazem deste filme uma obra única, por conseguir unir tão bem os traumas da Europa com a guerra e uma narrativa que consiga envolver o telespectador tão bem. A interpretação de Fredric March como o líder do clã Gerlach está simplesmente brilhante, o cara era um monstro como ator. A direção do De Sica também está ótima e os personagens são tão complexos que dá um ar de realidade bem intensa ao filme. A única coisa que incomoda é os atores falando em italiano na Alemanha, não convence. A cópia que peguei estava com o som bem comprometido, quem gravou pegou uma interferência de uma rádio italiana, tem uma parte silenciosa que é bem fácil ouvir o Richard Ashcroft cantando Music is the Power.
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