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Data de lançamento
10 Dez. 1989Duração
A série completa do cineasta polonês Krzysztof Kieslowski, com as adaptações para a televisão, reúne dez episódios inspirados nos mandamentos bíblicos do Velho Testamento. As parábolas contemporâneas traduzem os Dez Mandamentos ao mundo de hoje, em elencos diferentes unidos por duas características comuns: os personagens centrais vivem no mesmo opressivo conjunto habitacional em Varsóvia, e um mesmo e estranho personagem que está presente em todo o Decálogo.
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"Dekalog" é uma série polonesa feita para a televisão no final dos anos 80, dirigida por Krzysztof Kieślowski. São dez episódios, cada um com pouco mais de 50 minutos, inspirados nos Dez Mandamentos bíblicos. Mas sua proposta não é a de transmitir sermões religiosos, e sim mensagens que nos levam a reflexões morais. Kieślowski usa os mandamentos como ponto de partida para reproduzir alguns dilemas humanos universais. Mesmo para quem não acredita, eles funcionam como guias de convivência e ética. Kieślowski traduz isso em histórias simples, cotidianas, mas carregadas de profundidade filosófica.
O núcleo da série, onde todas as histórias são ambientadas, é um grande condomínio em Varsóvia. Os moradores são os protagonistas e, por vezes, suas vidas se cruzam entre episódios. Essa escolha dá unidade ao projeto e mostra a sociedade polonesa comum da década de 80, com seus problemas, desejos e contradições. Cada episódio é independente, mas a série ganha força quando vista como um todo. É como se cada capítulo fosse uma peça de um mosaico maior, revelando a complexidade da vida moderna e a dificuldade de seguir princípios éticos em situações reais.
Resumindo, "Dekalog" é uma das obras mais marcantes e pessoais sob a perspectiva artística de Kieślowski, transportando os Dez Mandamentos para situações comuns, mostrando que eles não são apenas regras religiosas, mas reflexões sobre como viver em comunidade e lidar com escolhas difíceis. Seu conteúdo exige atenção, mas recompensa com uma visão profunda e sensível da condição humana.
Interessante série,um tanto filosófica...mostrando a humanidade dos seus personagens. 27/02/26.
Em Decálogo I, eu amo a maneira como o som atravessa a imagem. O som antecipa o que a imagem ainda não suporta mostrar. Ele cria uma imagem ausente. O cão e o menino começam a se misturar tragicamente. A morte do animal não é apenas um fato; é um ensaio. Um prenúncio. Kieślowski trabalha com o que não é visto, mas é mostrado de forma oblíqua. Nós sabemos do risco. Sabemos do gelo. Sabemos que a superfície pode ceder. Mas o pai ainda mantém distância dessa realidade que se aproxima. O gelo é uma imagem extraordinária.... ele carrega uma aparência de estabilidade. Quando o gelo cede, não é apenas o lago que se abre. Abre-se a pergunta. Onde estava a falha? O que não é visto (o ponto exato da ruptura) é justamente o que organiza toda a tensão. O diretor não mostra o acidente de maneira explícita. Ele nos coloca na espera. No atraso. Na busca. A imagem ausente é mais devastadora que a imagem explícita... Definitivamente é o meu favorito.
Uma obra monumental; indiscutívelmente uma aula de cinema!
O que Decálogo tem de tão especial? Acredito que a essência que está presente em todos os filmes é a humanização completa dos personagens. Os protagonistas são pessoas de aparência comum que lidam com dilemas do cotidiano, com personalidades falhas e por mais que cometam erros, não há um julgamento ou uma lição de moral. Cabe ao telespectador ter o seu próprio posicionamento sem qualquer tipo de manipulação sentimental. O que existe é um microcosmo urbano totalmente melancólico onde as pessoas se deparam com os mais diversos problemas e temas universais como amargura, amor, arrependimento, carência afetiva, ceticismo versus fé, depressão, frustração, impulsividade, morte, obsessão, perdão, redenção, religião, solidão, traição, traumas do passado, vida e violência são abordados com maestria. Obviamente que nem todos os filmes possuem a mesma qualidade, mas como um todo Decálogo merece nota máxima por traçar uma linha de raciocínio muito bem definida, por não ter medo de tocar em temas delicados e por criar imagens poéticas de rara beleza que permanecerão com você pelo resto de sua vida. O meu preferido com certeza é Decálogo 6 - "Não Cometerás Adultério".
Minhas notas:
Decálogo 1 - "Amarás a Deus Sobre Todas as Coisas" - Nota 10.
Decálogo 2 - "Não Usarás o Nome de Deus em Vão" - Nota 9.5.
Decálogo 3 - "Guardarás Domingos e Festas Sagradas" - Nota 8.5.
Decálogo 4 - "Honrarás Pai e Mãe" - Nota 6.5.
Decálogo 5 - "Não Matarás" - Nota 10.
Decálogo 6 - "Não Cometerás Adultério" - Nota 10.
Decálogo 7 - "Não Roubarás" - Nota 7.
Decálogo 8 - "Não Levantarás Falso Testemunho" - Nota 8.
Decálogo 9 - "Não Desejarás a Mulher do Próximo" - Nota 9.
Decálogo 10 - "Não Desejarás os Bens do Próximo" - Nota 10.