Dirigido por
Duração
Lena Bergström trabalha em um escritório e é apaixonada pelo seu chefe, Johan Borg. Ela decide deixar o emprego. A esposa de Borg não tem filhos, e quando ela fica grávida resolve fazer um aborto ilegal. Por uma pequena confusão, o pai de Lena acredita que é Lena que teve um aborto.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Filme que fala sobre natalidade, aborto e infidelidade de uma forma bastante clara e objetiva, para um filme da década de 30. Um filme desses jamais seria produzido em Hollywood, mesmo na era pré-code. Os americanos tocavam nesses assuntos, principalmente o aborto, de forma pudica demais e quase beirando a hipocrisia (sobre traições) e o didatismo (em querer condenar a prática do aborto). É um filme em que todos os atores brilham, não somente Ingrid, porém é ela a única que possui um magnetismo em cena. Vendo seus filmes suecos, percebi o quanto seu rosto era valorizado. Acredito que os diretores com quem trabalhou, sabiam que estavam frente à uma entidade (não exagero em usar esse termo). Percebi que nos filmes americanos, foram poucos os diretores que tinham noção de estarem filmando um rosto perfeito. Talvez Cukor, Leo McCarey, Michael Curtiz e Sam Wood, tenham tido essa percepção. Anos mais tarde de volta ao cinema sueco, seria a vez de Bergman. Rossellini já tinha noção disso. Eu gostei muito do filme e mesmo repleto de boas atuações masculinas, o filme mostra mesmo a diferença de valores de duas mulheres: a primeira, é uma secretária apaixonada pelo patrão que acredita que sua meta de vida é casar-se e formar uma família. A segunda, esposa do patrão da secretária é uma mulher casada, mas que se sente presa e é infiel ao marido e não deseja ter filhos. É claro que estamos na década de 30 e mesmo o filme sendo à frente, de uma forma ou de outra tenta condenar a mulher que não quer formar uma família. E como sempre, no final ela é punida por não pertencer ao padrão moral e social, mas mesmo assim é um filme audacioso. Destaco também a atuação de Victor Sjostrom (aclamado diretor) como um pai que criou uma imagem imaculada de sua filha e se recusa a aceitar que ela é um ser humano como outro qualquer.