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Data de lançamento
24 Março 1989Duração
Um assassino (Chow Yun-Fat) aceita um último trabalho para juntar a quantia que falta para o pagamento da cirurgia oftalmológica de sua namorada Jennie (Sally Yeh), que ele cegou acidentalmente em uma missão. Traído por seu contratante, ele acaba tendo de juntar forças com o inspetor (Danny Lee) designado para prendê-lo. Nasce aí uma sangrenta parceria.
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Não apenas de cinema, mas também devia ser currículo obrigatório em cursos de mitologia. Uma tragédia grega guiada pelo irresitível canto de sereia da Sally Yeh e onde as balas ditam o destino.
Mais um sensacional filme de ação da fase chinesa do mestre John Woo, com grandes tiroteios, discussões sobre honra, amizade e lealdade, e Chow Yun Fat em sua performance mais dramática em um filme do diretor!
Um grande tema que percorre a maior parte do cinema de Woo é a honra em ação. Ele geralmente tem heróis/anti-heróis inerentemente falhos que devem se redimir por meio de ações heroicas (geralmente acompanhados por pombas voando em câmera lenta, é claro). The Killer coloca um assassino cansado (Yun-fat) contra o policial obstinado, mas imprudente, que o persegue (Danny Lee).
Há um debate sobre qual é a obra-prima absoluta de Woo. Normalmente uma batalha de três frentes e The Killer está entre os mais bem classificados em seu currículo. É a quantidade certa de melodrama, reforçada por momentos excepcionais onde tudo é tocado com grande sutileza.
John Woo nunca erra
O Matador é simplesmente uma aula de como se fazer um filme de ação. É incrível como John Woo explora absurdamente bem todas as possibilidades que o gênero permite e vemos aqui inúmeras variações de cenas de perseguições e tiroteios (em cenários totalmente distintos) que são extremamente bem coreografadas e intensas, mas que em nenhum momento soam deslocadas ou gratuitas dentro do enredo. Mas O Matador vai muito além de um simples filme de ação e também é um drama existencialista da melhor qualidade. O protagonista em questão é um assassino de aluguel com ética que vê o mundo do crime ao seu redor totalmente desprovido de honra e se questiona a todo momento o porquê de tanto sofrimento e está farto de sua profissão. Por mais que haja uma violência frenética do início ao fim, O Matador se preocupa sempre em desenvolver muito bem o drama e a relação afetuosa entre os personagens, seja ela em forma de paixão ou de amizade. É um filme que te emociona e te empolga na mesma medida. Temas como honra, lealdade e redenção são muito bem desenvolvidos. Senti muita influência de Jean-Pierre Melville (na estética apurada e em seu teor atmosférico e existencialista) e Sam Peckinpah (em relação às cenas de ação extremamente vigorosas, com muita câmera lenta que valoriza a carnificina sempre focando nos ferimentos e nas expressões de dor dos personagens). Inclusive notei algumas referências a filmes como Butch Cassidy, Dirty Harry e Meu Ódio Será Sua Herança. Definitivamente é um filme feito com maestria e obrigatório para todos que gostam do gênero.