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Data de lançamento
1 Maio 1959Duração
Última parte da trilogia do Apu.
Apu é um estudante recém-formado e desempregado que sonha em ser escritor. Um amigo de escola o convida para um casamento e ele acaba como o noivo da garota que estaria se casando. Mesmo com repulsa pela idéia, ele aceita e a leva, posteriormente, de volta a Calcutá.
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Conclusão da saga mostrando o herói tendo que enfrentar os perrengues da vida adulta (falta de emprego , solidão etc.) até o lance do casamento arranjado redirecionar sua vida para mais desafios , romance e (mais uma vez ) tragédia , culminando na sua evolução final . O ritmo é lento mas o filme é sempre humano e até comovente , como se espera do mestre Ray .
Em "Apur Sansar (O Mundo de Apu)" a trilogia se completa. Vemos sua vida adulta marcada por perdas e pela decadência de seus sonhos. Este último longa é, sem dúvida, o mais dramático e o mais emocionante, pois revela a luta de Apu contra as imposições da vida e contra as dores que nunca conseguiu superar.
Após um casamento inesperado, Apu experimenta brevemente a felicidade conjugal, mas logo é atingido por uma tragédia que o mergulha em um abismo de solidão e desespero. A partir daí, sua trajetória se torna um doloroso retrato da fragilidade humana diante das adversidades. O jovem sonhador que antes buscava conhecimento e liberdade vê-se esmagado pelas circunstâncias, afastando-se de tudo e de todos, até mesmo de seu próprio filho.
Satyajit Ray finaliza a narrativa com uma intensidade rara, mostrando como os sonhos podem se desfazer diante da realidade implacável. A fotografia e as atuações reforçam o peso emocional em um desfecho arrebatador. É o filme que mais emociona, talvez porque expõe a dor da perda, a renúncia e a lenta reconstrução de um homem que, apesar de tudo, ainda busca sentido para sua existência.
Ray acompanha Apu sem pressa, quase sem sublinhar nada: infância, perda, desejo, deslocamento, amor, luto. Tudo acontece como acontece na vida, por acumulação delicada. Não há, na trilogia, um acontecimento único que explique Apu. O que existe é um empilhamento quase imperceptível de experiências, pequenas o suficiente para não parecerem decisivas quando acontecem, mas profundas o bastante para, somadas, mudarem a forma do sujeito. Por isso, quando ele joga fora os manuscritos, o gesto nos atinge com força desproporcional: não é o drama do momento, é o peso de tudo o que já estava ali, esperando um ponto de escoamento.
Terminando a trilogia do Apu, agora com ele adulto, formado e desempregado, ele vai pra uma festa de casamento e acaba casando com a noiva, mas o que parecia ser mais um azar na sua vida, acaba se tornando a melhor coisa que lhe aconteceu, Aparna era gentil e compreensiva, mas como citei na segunda parte, Apu foi destinado a sofrer, sua vida da mais uma reviravolta e ele fica perdido dessa vez, o final comove mas dessa vez de um jeito bom, finalmente. Satyajit Ray foi responsável por umas das trilogias mais tristes da história.
Uma das mais belas trilogias que vi em anos! Há alguns anos, ouvi falar pela primeira vez sobre a "trilogia de Apu". Apesar de nunca ter apropriadamente ido atrás dessas obras, nunca as tirei da cabeça, até que nas férias de 2024, resolvi, finalmente entender do que se tratava. E, meus amigos, foi uma experiência com sentimentos e sensações me acertando de forma integral. O filme encerra a trilogia de forma mais modesta, mas com maestria. Espero que todos conheçam e assistam devidamente em ordem, caso caiam de gaiata em algum dos três filmes.
1. A Canção da Estrada (1955)
2. O Invencível (1956)
3. O Mundo de Apu (1959)