Comédia de episódios, um num tom mais dramático, com uma Silvana Mangano, em grande atuação, e um outro num tom mais de comédia, com uma Sophia Loren, de arromba se divertindo e divertindo a gente, em uma comédia deliciosamente escrachada, diversão pura
Dois contos são lindos especialmente a pizzaria da Sophia Loren safandinha traindo o marido e o conto divertidíssimo de De SIca tomando uma sova do moleque na scopa. Outros são menos instigantes mas ainda sim um filme carregado de uma nostalgia bonita.
Continua sendo uma delícia ver O Ouro de Nápoles, mais de meio século depois que Vittorio De Sica o realizou – o filme é de 1954. É uma comédia esperta, inteligente, com diálogos gostosíssimos, uma atuação saborosa de Sophia Loren, e ainda tem a beleza estonteante da jovem Silvana Mangano, aquela deusa. O filme é gostoso, divertido – mas não chega a ser hilariante. Seu humor é bem amargo ás vezes. “Brincar com estereótipos pode ser uma canoa furada. Pode ser uma coisa preconceituosa, ofensiva – como dizer que os mexicanos são preguiçosos, os cariocas, malandros e os portugueses, burros, por exemplo. Pode ser ofensivo – mas também pode ser simplesmente uma brincadeira gostosa, divertida, hilariante.” O Ouro de Nápoles é gostoso, divertido – mas não chega a ser hilariante. Não. Seu humor deixa um travo pesado no espectador. Nesse sentido, faz lembrar o tom de muitos dos filmes do gênio Billy Wilder. De Sica como Wilder, faz a gente rir da desgraça, da pequenez das pessoas. De Sica faz a gente rir amargamente daquela moral e daqueles costumes calhordas, babacas, imbecis, vigentes no Sul da Itália e especialmente da segunda metade do século XX, aquele machismo que só tem comparação com o de algumas sociedades muçulmanas. Naquela época, final dos anos 50 e início dos anos 60, o cinema italiano era – e acho que dá para fazer essa afirmação pleonástica sem ter dúvida alguma – o melhor do mundo. A nouvelle vague de Godard, Truffaut, Chabrol fascinava o mundo, o cinema novo inglês começava a aparecer, no Brasil faziam-se belos filmes, e estava começando a surgir o cinema novo. Os grandes gênios supranacionais – Bergman, Kurosawa, Satyajit Ray – faziam seus filmes maravilhosos, mas não havia propriamente um grande cinema sueco, ou japonês, ou indiano. Não havia nenhum cinema que se comparasse ao italiano. Uma das muitíssimas coisas que me fascinam no cinema italiano é como os realizadores gostam de se citar uns aos outros. A mais bela, emocionante homenagem ao cinema italiano, na minha opinião, é a obra-prima do grande Scola, Nós que nos Amávamos Tanto/C’eravamo tanto amati (1974). Scola homenageia Fellini (os personagens passam pela Fontana di Trevi quando Fellini filma Anita Ekberg tomando banho nela, em La Dolce Vita), desanca com Antonioni (a mulher nova rica age como se estivesse em A Aventura, A Noite, O Eclipse), mas, sobretudo, homenageia o mestre De Sica. Scola idolatra tanto o De Sica neo-realista (não o De Sica gozativo, safado, de Matrimônio à Italiana) que coloca em seu filme, como parte importante da trama, uma participação do próprio mestre em um programa de TV. Em 1974 o filme Nós que nos Amávamos Tanto, era um cinema que tinha Anna Magnani, Claudia Cardinale, Monica Vitti, Virna Lisi, Gina Lollobrigida, Stefania Sandrelli, Valentina Cortese, Alida Valli, para não falar em Silvana Mangano e Giulietta Masina, Sophia Loren, virou, para mim, a maior das deusas.
Seis histórias mordazes, perceptivas e, por suas vezes, divertidas. Quatro delas merecem destaque: Sophia Loren como a esposa bonitona de um vendedor de pizza; De Sica como um vívido jogador de cartas ofuscado por um garoto de 8 anos; Totò como um submisso homem de família e Silvana Mangano como prostituta envolvida em um casamento incomum. Vale a pena conferir, especialmente por ser o primeiro grande trabalho de Sophia no cinema, aos 20 anos.
Clássico italiano com várias histórias envolventes contadas pelo grande ator e diretor De Sica. Belas e talentosas atrizes - a beleza e a sensualidade de Sophia Loren num dos episódios já valem pelo filme todo - e a incrível presença do grande comediante Totó tornam esse filme uma delícia de se ver.
Se como é dito no início, que o ouro de Nápoles são seus habitantes, então o desse filme são todos os que participaram de sua produção.
Comédia de episódios, um num tom mais dramático, com uma Silvana Mangano, em grande atuação, e um outro num tom mais de comédia, com uma Sophia Loren, de arromba se divertindo e divertindo a gente, em uma comédia deliciosamente escrachada, diversão pura
Dois contos são lindos especialmente a pizzaria da Sophia Loren safandinha traindo o marido e o conto divertidíssimo de De SIca tomando uma sova do moleque na scopa. Outros são menos instigantes mas ainda sim um filme carregado de uma nostalgia bonita.
Continua sendo uma delícia ver O Ouro de Nápoles, mais de meio século depois que Vittorio De Sica o realizou – o filme é de 1954. É uma comédia esperta, inteligente, com diálogos gostosíssimos, uma atuação saborosa de Sophia Loren, e ainda tem a beleza estonteante da jovem Silvana Mangano, aquela deusa. O filme é gostoso, divertido – mas não chega a ser hilariante. Seu humor é bem amargo ás vezes. “Brincar com estereótipos pode ser uma canoa furada. Pode ser uma coisa preconceituosa, ofensiva – como dizer que os mexicanos são preguiçosos, os cariocas, malandros e os portugueses, burros, por exemplo. Pode ser ofensivo – mas também pode ser simplesmente uma brincadeira gostosa, divertida, hilariante.”
O Ouro de Nápoles é gostoso, divertido – mas não chega a ser hilariante. Não. Seu humor deixa um travo pesado no espectador. Nesse sentido, faz lembrar o tom de muitos dos filmes do gênio Billy Wilder. De Sica como Wilder, faz a gente rir da desgraça, da pequenez das pessoas.
De Sica faz a gente rir amargamente daquela moral e daqueles costumes calhordas, babacas, imbecis, vigentes no Sul da Itália e especialmente da segunda metade do século XX, aquele machismo que só tem comparação com o de algumas sociedades muçulmanas.
Naquela época, final dos anos 50 e início dos anos 60, o cinema italiano era – e acho que dá para fazer essa afirmação pleonástica sem ter dúvida alguma – o melhor do mundo. A nouvelle vague de Godard, Truffaut, Chabrol fascinava o mundo, o cinema novo inglês começava a aparecer, no Brasil faziam-se belos filmes, e estava começando a surgir o cinema novo. Os grandes gênios supranacionais – Bergman, Kurosawa, Satyajit Ray – faziam seus filmes maravilhosos, mas não havia propriamente um grande cinema sueco, ou japonês, ou indiano. Não havia nenhum cinema que se comparasse ao italiano.
Uma das muitíssimas coisas que me fascinam no cinema italiano é como os realizadores gostam de se citar uns aos outros.
A mais bela, emocionante homenagem ao cinema italiano, na minha opinião, é a obra-prima do grande Scola, Nós que nos Amávamos Tanto/C’eravamo tanto amati (1974). Scola homenageia Fellini (os personagens passam pela Fontana di Trevi quando Fellini filma Anita Ekberg tomando banho nela, em La Dolce Vita), desanca com Antonioni (a mulher nova rica age como se estivesse em A Aventura, A Noite, O Eclipse), mas, sobretudo, homenageia o mestre De Sica. Scola idolatra tanto o De Sica neo-realista (não o De Sica gozativo, safado, de Matrimônio à Italiana) que coloca em seu filme, como parte importante da trama, uma participação do próprio mestre em um programa de TV.
Em 1974 o filme Nós que nos Amávamos Tanto, era um cinema que tinha Anna Magnani, Claudia Cardinale, Monica Vitti, Virna Lisi, Gina Lollobrigida, Stefania Sandrelli, Valentina Cortese, Alida Valli, para não falar em Silvana Mangano e Giulietta Masina, Sophia Loren, virou, para mim, a maior das deusas.
Seis histórias mordazes, perceptivas e, por suas vezes, divertidas. Quatro delas merecem destaque: Sophia Loren como a esposa bonitona de um vendedor de pizza; De Sica como um vívido jogador de cartas ofuscado por um garoto de 8 anos; Totò como um submisso homem de família e Silvana Mangano como prostituta envolvida em um casamento incomum. Vale a pena conferir, especialmente por ser o primeiro grande trabalho de Sophia no cinema, aos 20 anos.
Clássico italiano com várias histórias envolventes contadas pelo grande ator e diretor De Sica. Belas e talentosas atrizes - a beleza e a sensualidade de Sophia Loren num dos episódios já valem pelo filme todo - e a incrível presença do grande comediante Totó tornam esse filme uma delícia de se ver.
Se como é dito no início, que o ouro de Nápoles são seus habitantes, então o desse filme são todos os que participaram de sua produção.