Dirigido por
Data de lançamento
12 Abril 2001Duração
Em Salta, Argentina, as férias de Mecha e sua família estão chegando ao fim. O tempo passa mais devagar, marcado por cochilos perto da piscina, visitas de primos e crianças brincando de guerra na selva. Uma tensão silenciosa e uma série de incidentes começam lentamente a perturbar a ordem familiar.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Mesmo lendo as críticas, não consegui gosta/envolver com o filme.
A bagunça, caos e sujeira mais organizada e milimetricamente pensada e calculada que já vi na vida. Nós, latinos, sentimos esse filme no osso enquanto o resto do mundo só pode imaginar.
Filme surpreendentemente caótico. Tudo faz parte, cada detalhe, todo descuido. Impacto certeiro! E ainda tem a Graciela Borges diva como sempre.
Em O Pântano, de Lucrecia Martel, o suspense não é construído pelo que acontece de fato, mas pelo que todos silenciosamente concordam em não atravessar. A piscina suja está ali, visível, conhecida por todos, mas permanece como um objeto ignorado, como um núcleo de realidade que ninguém enfrenta diretamente. Os corpos circulam ao redor, permanecem na borda, como se olhar demais ou agir pudesse romper um pacto silencioso de convivência com o "descuido".
Quando uma das personagens mergulha, o gesto não é recebido com entusiasmo, mas com um silêncio consternado, quase como se todos pensassem: “Nossa, como ela teve coragem?”. Não coragem no sentido heroico, mas coragem de romper o acordo tácito de permanecer na borda. A água escura não devolve forma, não reflete identidade, ela apenas absorve. O mergulho aparece menos como vitalidade e mais como um ensaio de dissolução, uma travessia do limite que todos mantinham intacto.
O mesmo clima permeia toda a casa: a desconfiança projetada no estrangeiro "índios", a suspeita sobre a empregada que rouba toalhas, as armas nas mãos das crianças, a intimidade entre os irmãos contida por um pudor constituído ao modo deles, os adultos embriagados e ausentes. Nada é explicitamente perverso, mas tudo é atravessado pelo "descuido", num cansaço. Os acidentes não surgem como rupturas violentas, mas como consequências naturais de um mundo que deixou de ser sustentado com vigilância.
Descuido: Como uma escada deixada encostada no muro, instigando a curiosidade de uma criança a subir e descobrir se, do outro lado, realmente existe a criatura monstruosa de que todos tanto falam.
A imagem da vaca atolada no pântano sintetiza esse destino: não há resgate possível, apenas uma permanência lenta numa matéria que não sustenta nem libera. O verdadeiro horror do filme não é a "dissolução", para "decomposição", mas a convivência cotidiana com essa possibilidade. Todos percebem, em algum nível, que algo está fora de ordem, e ainda assim, permanecem na borda.
"Essa bagunça toda onde nada acontece. Mas está tudo ali."