Compartilhe "O Portal do Paraíso" com seus amigos:
Link copiado para a área de transferência!
Sinopse
1890, estado de Wyoming, Estados Unidos. Um xerife faz o possível para proteger fazendeiros imigrantes de ricos criadores de gado, em lutas por mais terras. Ao mesmo tempo, ele luta pelo coração de uma jovem com um pistoleiro.
Terminei minha lista de filmes atual com dois filmaços (literalmente), o corte do diretor de Até o Fim do Mundo (1991) e Portal do Paraíso também em sua versão estendida. Respectivamente os filmes têm durações de 4:47 e 3:37.
Falei na resenha do outro e também destacarei aqui, ver um filme longo é uma experiência diferente e que sempre funciona para mim como cinéfilo. Com Portal do Paraíso não foi diferente, todas as tomadas que parecem ser sem sentidos ou pelos menos muito longas, que talvez muita gente ache desnecessárias, como a cena inicial aqui, numa formatura dos alunos de Harvard em 1870, eu tento justificar que elas são extretamente necessárias.
Gostei muito de O Portal do Paraíso. É sem dúvidas um épico grandioso, deveras subestimado. Que acaba sendo mais lembrado por motivos negativos (falência de um estúdio, fim da força do cinema de autor, o principal culpado pelo fim do movimento da Nova Hollywood).
Ele é um pouco confuso, o personagens entram e somem sem muito desenvolvimento às vezes. E isso é incrível de dizer em um filme longo, onde dá pra afirmar que quase todos têm bastante tempo tela. Ainda assim, não atrapalha.
Kris Kristofferson parece perfeito no papel do intelectual tentando administrar uma comunidade de imigrantes pobres. Christopher Walken fazendo um anti herói que no fim você consegue entender. Isabelle Hupert está lindíssima em um papel poderoso onde suas escolhas e sua influência vai repercutir diretamente em grandes acontecimentos durante o filme. Jeff Bridges achei um pouco mais apagado. John Hurt num nilismo absurdo, talvez pudesse ter mais espaço.
Minha esposa passou algumas vezes pela sala enquanto eu assistia e ficou impressionada o quão bonito e bem filmado é esse filme. Custou uma fortuna e ninguém foi ver, Infelizmente. Para encerrar, eu consigo traçar um paralelo entre ele e Bonnie Clyde. É meio poético parar para pensar que um seja a abertura do movimento e outro o seu fim.
Por conta de toda a narrativa criada em torno desse filme, é muito difícil assistir sem esperar que ele seja ou muito maravilhoso, ou muito horrível. E eu acho que ele não é nenhum dos dois.
Falando um pouco além dos milhões de cenários e sobre como é (muito bem) filmado, vejo que, tal qual em Franco Atirador, o Cimino constrói muito bem todos os personagens que vivem uma vida alegre, apenas para depois tudo ser destruído. Obviamente, ao longo de quase quatro horas é possível fazer tudo isso sem pressa, com Nate, Ella e John aparecendo já com mais de uma hora de filme. As contradições dos personagens estão entre as coisas mais interessantes do filme. O Nate tem muito destaque aqui por ser um homem simples, descendente de imigrantes e que é a favor de toda a matança que irá acontecer. Só depois de muito tempo que esse homem semi analfabeto se levanta contra o massacre - e por ele é incendiado. E é pelo Nate que vejo que chega o ponto alto do filme, que é mostrar como a lei pode amparar genocídios em nome do capital, do progresso ou do que bem for entendido. O resgate dos soldados no momento em que eles estavam prontos para serem mortos é quase um deboche nesse sentido. Instantes depois, aliás, chega um dos momentos mais interessantes (e trágicos) que é quando uma das imigrantes percebe que naquele contra ataque todos as seu redor morreram, e que para ela não resta nada além da própria morte. Falando até um pouco mais de Franco Atirador, vejo que aqui também há um final sem esperança. Não digo que é anti mobilização, mas o próprio James desde o começo sente que não há como vencer aquela opressão, bem como o Nate vê que é impossível juntar-se aos opressores. Vale falar da melhor cena do filme, em minha humilde opinião, que é quando Ella lidera o contra ataque quase flutuando na carroça e depois em cima do cavalo. Bonito e triste. Pra quem gostou, recomendo Franco Atirador. Talvez menos bonito e mais triste.
Meu primeiro contato com essa obra-prima torta, demoníaca e fracassada foi através da versão estendida, com mais de 3h30.
Desta vez revi o filme no corte de 2h30, no Prime Video. E meu comentário de agora é pra falar brevemente sobre ele (escrevi outro aqui a respeito do corte maior, em 2015).
É uma sensação estranha para quem está acostumado com o outro corte... ele apresenta um ritmo um pouco mais "frenético", o que certamente foi uma imposição do estúdio para torná-lo mais comercial (e como sabemos, nada adiantou).
Porém, continua excelente, ainda que inferior à versão definitiva.
O maior faroeste americano de todos e uma das mais belas fotografias a cores já feita. Talvez o melhor trabalho de Vilmos Zsigmond. Cada plano é uma pintura.
É um filme tecnicamente impressionante, com elenco maravilhoso e momentos que beiram o épico. O problema é que ele se perde na pretensão de cenas longas e arrastadas que pouco agregam, especialmente as que envolvem o triângulo amoroso. Outro ponto a se destacar é o excelente e nada previsível personagem do Walken (melhor do filme). 7,5/10
"O Portal do Paraíso", antológico e contestado western oitentista, ainda continua amado e odiado ao mesmo tempo. O épico dirigido por Michael Cimino é gigantesco em muitos aspectos, sobretudo os técnicos. Com uma fotografia marcante, traz uma colorização hipnotizante e cenas memoráveis como a em que os personagens principais dançam ao som de um violino. O elenco é extraordinário. Contudo, foi um retumbante fracasso de bilheteria e negligenciado pelo público cinéfilo na época do seu lançamento. Os problemas decorrentes nos bastidores das filmagens e o comportamento obsessivo do diretor Cimino pode ter sido um dos fatores para o filme receber críticas nada positivas.
O fato é que este western oitentista levou a United Artists ao colapso, mas o diretor também não sairia impune e teve sua carreira prejudicada. Posteriormente, a película seria melhor vista tanto pelo público quanto pela crítica, que começou a ver aspectos positivos da obra quando os críticos europeus passaram a elogiar a obra. Aclamado no Festival de Cannes, iniciou uma carreira de sucesso fora da América.
Vagamente baseado na Guerra do Condado de Johnson, o filme retrata uma disputa fictícia entre barões da terra e imigrantes europeus em Wyoming na década de 1890. Pela nostalgia, vale 04 estrelas.
O Portal do Paraíso - 8,5/10
Terminei minha lista de filmes atual com dois filmaços (literalmente), o corte do diretor de Até o Fim do Mundo (1991) e Portal do Paraíso também em sua versão estendida. Respectivamente os filmes têm durações de 4:47 e 3:37.
Falei na resenha do outro e também destacarei aqui, ver um filme longo é uma experiência diferente e que sempre funciona para mim como cinéfilo. Com Portal do Paraíso não foi diferente, todas as tomadas que parecem ser sem sentidos ou pelos menos muito longas, que talvez muita gente ache desnecessárias, como a cena inicial aqui, numa formatura dos alunos de Harvard em 1870, eu tento justificar que elas são extretamente necessárias.
Gostei muito de O Portal do Paraíso. É sem dúvidas um épico grandioso, deveras subestimado. Que acaba sendo mais lembrado por motivos negativos (falência de um estúdio, fim da força do cinema de autor, o principal culpado pelo fim do movimento da Nova Hollywood).
Ele é um pouco confuso, o personagens entram e somem sem muito desenvolvimento às vezes. E isso é incrível de dizer em um filme longo, onde dá pra afirmar que quase todos têm bastante tempo tela. Ainda assim, não atrapalha.
Kris Kristofferson parece perfeito no papel do intelectual tentando administrar uma comunidade de imigrantes pobres. Christopher Walken fazendo um anti herói que no fim você consegue entender. Isabelle Hupert está lindíssima em um papel poderoso onde suas escolhas e sua influência vai repercutir diretamente em grandes acontecimentos durante o filme. Jeff Bridges achei um pouco mais apagado. John Hurt num nilismo absurdo, talvez pudesse ter mais espaço.
Minha esposa passou algumas vezes pela sala enquanto eu assistia e ficou impressionada o quão bonito e bem filmado é esse filme. Custou uma fortuna e ninguém foi ver, Infelizmente. Para encerrar, eu consigo traçar um paralelo entre ele e Bonnie Clyde. É meio poético parar para pensar que um seja a abertura do movimento e outro o seu fim.
Por conta de toda a narrativa criada em torno desse filme, é muito difícil assistir sem esperar que ele seja ou muito maravilhoso, ou muito horrível. E eu acho que ele não é nenhum dos dois.
Falando um pouco além dos milhões de cenários e sobre como é (muito bem) filmado, vejo que, tal qual em Franco Atirador, o Cimino constrói muito bem todos os personagens que vivem uma vida alegre, apenas para depois tudo ser destruído.
Obviamente, ao longo de quase quatro horas é possível fazer tudo isso sem pressa, com Nate, Ella e John aparecendo já com mais de uma hora de filme.
As contradições dos personagens estão entre as coisas mais interessantes do filme. O Nate tem muito destaque aqui por ser um homem simples, descendente de imigrantes e que é a favor de toda a matança que irá acontecer. Só depois de muito tempo que esse homem semi analfabeto se levanta contra o massacre - e por ele é incendiado.
E é pelo Nate que vejo que chega o ponto alto do filme, que é mostrar como a lei pode amparar genocídios em nome do capital, do progresso ou do que bem for entendido. O resgate dos soldados no momento em que eles estavam prontos para serem mortos é quase um deboche nesse sentido. Instantes depois, aliás, chega um dos momentos mais interessantes (e trágicos) que é quando uma das imigrantes percebe que naquele contra ataque todos as seu redor morreram, e que para ela não resta nada além da própria morte.
Falando até um pouco mais de Franco Atirador, vejo que aqui também há um final sem esperança. Não digo que é anti mobilização, mas o próprio James desde o começo sente que não há como vencer aquela opressão, bem como o Nate vê que é impossível juntar-se aos opressores.
Vale falar da melhor cena do filme, em minha humilde opinião, que é quando Ella lidera o contra ataque quase flutuando na carroça e depois em cima do cavalo.
Bonito e triste. Pra quem gostou, recomendo Franco Atirador. Talvez menos bonito e mais triste.
Meu primeiro contato com essa obra-prima torta, demoníaca e fracassada foi através da versão estendida, com mais de 3h30.
Desta vez revi o filme no corte de 2h30, no Prime Video. E meu comentário de agora é pra falar brevemente sobre ele (escrevi outro aqui a respeito do corte maior, em 2015).
É uma sensação estranha para quem está acostumado com o outro corte... ele apresenta um ritmo um pouco mais "frenético", o que certamente foi uma imposição do estúdio para torná-lo mais comercial (e como sabemos, nada adiantou).
Porém, continua excelente, ainda que inferior à versão definitiva.
O maior faroeste americano de todos e uma das mais belas fotografias a cores já feita. Talvez o melhor trabalho de Vilmos Zsigmond. Cada plano é uma pintura.
É um filme tecnicamente impressionante, com elenco maravilhoso e momentos que beiram o épico. O problema é que ele se perde na pretensão de cenas longas e arrastadas que pouco agregam, especialmente as que envolvem o triângulo amoroso. Outro ponto a se destacar é o excelente e nada previsível personagem do Walken (melhor do filme). 7,5/10
"O Portal do Paraíso", antológico e contestado western oitentista, ainda continua amado e odiado ao mesmo tempo. O épico dirigido por Michael Cimino é gigantesco em muitos aspectos, sobretudo os técnicos. Com uma fotografia marcante, traz uma colorização hipnotizante e cenas memoráveis como a em que os personagens principais dançam ao som de um violino. O elenco é extraordinário. Contudo, foi um retumbante fracasso de bilheteria e negligenciado pelo público cinéfilo na época do seu lançamento. Os problemas decorrentes nos bastidores das filmagens e o comportamento obsessivo do diretor Cimino pode ter sido um dos fatores para o filme receber críticas nada positivas.
O fato é que este western oitentista levou a United Artists ao colapso, mas o diretor também não sairia impune e teve sua carreira prejudicada. Posteriormente, a película seria melhor vista tanto pelo público quanto pela crítica, que começou a ver aspectos positivos da obra quando os críticos europeus passaram a elogiar a obra. Aclamado no Festival de Cannes, iniciou uma carreira de sucesso fora da América.
Vagamente baseado na Guerra do Condado de Johnson, o filme retrata uma disputa fictícia entre barões da terra e imigrantes europeus em Wyoming na década de 1890. Pela nostalgia, vale 04 estrelas.