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Duração
A história de um faquir que trabalha em um circo paupérrimo do interior. Quando o circo pega fogo ele inicia com sua mulher uma longa caminhada acompanhado pelo domador do circo, um homem violento e mau. Ao chegar em uma cidade em festa ele apresenta um número sensacional: o de um crucificado vivo. Ele atrai muita gente com o espetáculo mas é preso, e na prisão descobre a chave do sucesso: o jejum.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Complexo, aterrorizante e potente.
Na primeira cena do filme vemos dois homens brigando por um pedaço de carne, ao brigar por ela, eles a perdem. E eis aqui o manifesto: se no cinema novo a fome é estética aqui ela é também industria. É sintomática, é marketing, exótica e espaço de diferenciação, ela traça a linha, seja entre o humano e o sagrado, entre o desespero e o empático, entre a arte e o capital... E quando industrializada ao extremo o nacional se confronta com o global. A fome deixa de ser o exótico do terceiro-mundo e passa a ser a potencia do global de "evolução" humana. E no todo temos a dicotomia de pão e circo, a espetacularização do sofrer na batalha de sobrevivência ante o precário usado como metalinguagem.
A fome é espetacularizada.
Não no filme, na vida. O cidadão perde até o olho pra não morrer de fome; vira ídolo do povo, que é representado, porque se identifica; depois é apropriado por quem manda da história (enquanto lhes é conveniente); no final, é jogado em qualquer lixão.
Beleza, isso é deixado muito em evidência, porque o filme joga tudo muito bem mastigado. A cena em que estão o coronel, o policial e o padre na mesma sala, pra dizer que aqueles ali são os que mandam na sociedade, parece feito pela Quebrando O Tabu.
O rosto das pessoas também é mostrado de cima pra baixo, com uma expressão de tristeza, como quem diz "olhe esses POBRES, que MISERÁVEIS eles são".
Honestamente, prefiro os que o Mojica dirige. Não que isso seja uma competição, foi só um pensamento que bateu enquanto eu assistia.
- 8/10
- quem disse que o Mojica nunca participou de um filme do cinema novo?
- achei excelente o desenvolvimento da história
- toda a parte do circo é muito boa, mas depois alcança outro patamar
- a espetacularização da fome
Sempre tive curiosidade de assistir esse filme, mas só agora consegui e achei bacana. Diferente, muito estranho e com uma história cheia de momentos incômodos. Tem uma pegada diferente do que eu esperava, mas é muito válido e interessante.
"Homem com fome nas areias da lua brinca de futuro, o passado ronca na sua barriga".