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Data de lançamento
9 Julho 2025Duração
Sérgio viaja para uma metrópole da África Ocidental. Vai trabalhar como engenheiro ambiental para uma ONG, na construção de uma estrada entre o deserto e a selva. Ali, envolve-se numa relação íntima mas desequilibrada com dois habitantes da cidade, Diára e Gui. À medida que adentra nas dinâmicas neocoloniais da comunidade de expatriados, esse laço frágil torna-se o seu último refúgio perante a solidão ou a barbárie.
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"Sabe o que é nojento? As pessoas seres condenadas pelo lugar onde nasceram."
O Riso e a Faca (Portugal/França/Brasil/Romênia, 2025)
Direção: Pedro Pinho.
Com: Sérgio Coragem, Cleo Diára, Jonathan Guilherme, Renato Sztutman, Jorge Biague, Bruno Zhu, Kody McCree, Everton Dalman.
Um dos melhores filmes em cartaz nos cinemas, " O Riso e a Faca" nos apresenta Sérgio, que viaja a uma metrópole da África Ocidental.
Vai trabalhar como engenheiro ambiental para uma ONG, na construção de uma estrada entre o deserto e a selva.
Ali, envolve-se numa relação íntima, mas desequilibrada, com dois habitantes da cidade: Diára e Gui.
À medida que adentra às dinâmicas neocoloniais da comunidade de expatriados, esse laço frágil torna-se o seu último refúgio perante a solidão ou a barbárie.
Impressionante!!!
Um dos filmes mais incríveis do ano!!!
IMPRIMATUR - visto no cinema:
Esse filme remete a postura de um professor de Fundamentos da Economia, quando exigiu dos alunos o resumo de todos os capítulos de O Capital durante o seu período ministrado. Na ocasião, o entendimento dele sobre a síntese, na verdade, era um pedido de transcrição integral que deveria ser feita num papel a Bic - Como justificativa, dizia que tal obra era tão profunda e complexa, que não dava para resumir deixando uma vírgula de fora... no filme, além de uma faceta documental e os debates em ritmo de sala de aula, lembrei desse ocorrido porque tive a mesma sensação intencional no trabalho do Pedro Pinho, ou seja, de que não é viável ser sucinto usando o materialismo histórico dialético como abordagem. Na sorte de vê-lo no cinema, não senti o esforço como algo maçante, pois o filme é maravilhoso na mesma proporção inegável que sua excessiva metragem pode ser sim um ponto questionável, mas afirmo que ele não é lento ou tedioso para quem gosta da arte, é só enorme. Admito que quase perco a conexão por volta de uma hora e meia, quando o filme gera uns coflitos brancos aleatórios que não consegui encaixar no contexto, mas se recompõe novamente. Nesse sentido aproximado, posso criticar o filme pelos diálogos soltos no tempo dilatado com algumas transições de cenas, de certa forma, desconexas da linearidade narrativa, mas por sorte temos muito estudo do ser humano abrangendo sua cultura, comportamento e evolução ou involução "da" sociedade a todo instante. Dava para ser menor?! Com certeza dava, principalmente se levarmos em conta algumas cenas apelativas (não ruins) que poderiam ser excluídas. Só que possui uma contra argumentação interessante sobre toda natureza injusta do capitalismo (rememorar "O Capital" não foi à toa) e a ideia de liberdade que acaba valendo cada segundo da experiência. Portanto, é uma análise crítica que busca conscientizar sem deixar de fora a avaliação do humano como elemento biológico e social, emocional, cognitivo moldado pela interação existencial que o deixa apto, inclusive, ser falho em todos eles. É um filme com grande inteligência "investigativa" que ensina e você consegue apreender que na tentativa de transcendência das nossas necessidades básicas de sobrevivência, até a decência tem sua estúpida lógica. Essa originalidade foi, no mínimo, impressionante!
Avaliação em nota: 8.4
Chega aos cinemas brasileiros o novo trabalho do proeminente cineasta português Pedro Pinho (de 49 anos), que já teve seus filmes exibidos em festivais como Cannes, Toronto e Munique. A coprodução Portugal, França, Brasil e Romênia é uma saga épica ultracontemporânea, de enorme metragem, 211 minutos (3h31), mais apropriada para público que suporta filmes de arte longos – isso porque é a versão menor, a de cinema, já que o diretor fez uma versão sem cortes, de 330 min (5h30). O filme é uma análise sobre o neocolonialismo, que conta com uma linguagem moderna mesclando ficção e documentário. E também um road movie mágico pelas entranhas da África com toda sua beleza e complexidade. Filmado na Guiné-Bissau em 35mm, o projeto nasceu sem ensaios e com diálogos improvisados, que demorou quase três anos para ser finalizado. Essa demora e lapidação revelam a ambição de construir uma obra épica de cunho íntimo, com cenas demoradas sem cortes, que unem a grandiosidade das paisagens africanas à proximidade dos dramas humanos. A trama acompanha Sérgio, engenheiro português enviado por uma ONG para a África Ocidental para avaliar o impacto ambiental da construção de uma estrada, entre o deserto e a selva. Em meio à missão, ele se envolve com Gui, um rapaz brasileiro, e Diára, mulher de origem cabo-verdiana, formando um triângulo amoroso que funciona como metáfora das tensões entre colonizador e colonizado. Nesse tempo e espaço, o diretor Pedro Pinho capta a essência do neocolonialismo numa África contemporânea, ainda marcada por contradições, articulando temas como imigração, racismo, capitalismo e exploração econômica a dilemas pessoais. O título é inspirado na música “O riso e a faca”, de Tom Zé, lançada em 1970, que chega a ser citada no longa – o filme se apropria dos simbolismos da música, que traduz em palavras as dualidades da vida, das instabilidades nas relações, da alegria (riso) à dor/violência (faca). A atriz cabo-veridana Cleo Tavares (a Cleo Diára) recebeu o prêmio de melhor atriz na Mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes, neste que é um dos filmes mais desafiadores e corpulentos do ano, falado em seis línguas (português, cabo-verdiano, inglês, francês, espanhol e árabe). No elenco, além da ótima Cleo, tem os atores Sérgio Coragem (português, no papel do engenheiro) e Jonathan Guilherme (brasileiro, que rouba as cenas com um humor impecável – ele é ex-atleta de vôlei, que trocou de profissão, hoje ator e poeta em Barcelona, onde reside). Está nos principais cinemas com distribuição da Vitrine Filmes, em parceria da RioFilme. POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspotcom
Uma jornada interessantíssima de acompanhar, em um filme que explora as dinâmicas socioculturais, neocolônias e pessoais, em uma gama de contextos, encabeçado por um personagem curioso, aberto em vivenciar experiências e compreender os universos ao seu redor, o filme e longo mas a riqueza de detalhes, as andanças e interações ao longo da trama e a camada geopolítica fazem valer as 3h30 de filme. Coproduções fílmicas internacionais, sempre trazem obras significativas.