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Data de lançamento
19 Maio 2008Duração
Com a vontade de se tornar dona de uma lanchonete com seu namorado, Lorna (Arta Dobroshi), uma mulher jovem albanêsa que vive na Bélgica, torna-se cúmplice de um plano diabólico concebido por Fabio (Fabrizio Rongione), que planeja uma farsa em seu casamento com Claudy (Jérémie Renier).
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Segundo filme que assisto dos irmãos Dardenne, e mais um baita filme!
Gosto da forma de filmar que eles têm, com um certo frenetismo ao mesmo tempo em que também trabalham com a sensibilidade ao tratar de seus personagens.
Lorna é a maior vítima da história, mas o que sempre encanta é não tratar seu personagem principal como uma mera vítima, mas como um sujeito ativo na história, com erros e acertos, como todos os seres humanos.
Atuação excelente de Arta Dobroshi (que curiosamente aprendeu francês especialmente para o longa).
Nós sabemos que devemos sempre assistir a um filme sem ter lido nenhuma crítica. Tomemos como exemplo O Silêncio de Lorna. Durante a primeira meia hora, o espectador testemunha uma sucessão de cenas misteriosas. É impossível para ele entender quem a jovem está chamando, de onde vem o dinheiro que ela troca com um taxista e ainda mais por que ela está hospedando um viciado em drogas em sua sala de estar! Claro, aqueles que leram a imprensa sabem que a jovem é da Albânia, que ela fez um casamento falso com um viciado em drogas belga para obter essa nacionalidade, e que todo o projeto é financiado por um gângster russo que fará sua viúva se casar com ele mais tarde. Mas o espectador que sabe tudo isso não tem que estar imerso, como a própria heroína, em um ambiente enigmático, e assim estar preparado para receber a estranha história que ela inventará por sua vez. Pouco depois do assassinato – disfarçado de acidente – de seu marido viciado em drogas, Lorna declarou-se grávida dele. O espectador está ainda mais inclinado a acreditar porque ele os viu pouco antes de esboçar uma relação sexual. Daí sua surpresa quando ouve uma enfermeira dizer a Lorna "que não vale a pena fingir que ela está grávida porque ela sabe que não está"! Mas o que exatamente Lorna sabe? Ela realmente acredita que está grávida, ou não? Ela parece ter boas razões para acreditar, já que tem todos os sintomas da gravidez. Mas, ao mesmo tempo, ela fugiu no último momento do exame de ultrassom que ela havia solicitado. E esse exame será finalmente realizado somente quando um membro da máfia a obriga a fazê-lo. Resumindo, Lorna parece estar grávida, mas essa certeza não chega ao ponto de provocar um exame médico... que iria confrontá-la pelo contrário. Ela se comporta como alguém que se apega à sua crença enquanto sabe que é errado, e, portanto, cuidadosamente evita submeter-se a um teste que a contradiga. Mas para se comportar dessa forma, é precisamente necessário saber que a convicção a ser protegida é da ordem de uma crença, e não de uma realidade! Na verdade, se Lorna evolui ao longo do filme para adotar tal atitude, não é apenas culpa dela. É apenas um elo em um projeto criado por gângsteres, é um elo condenado ao silêncio. Mas também é um elo sensível e frágil que não apoiará a situação e sairá dela de forma confusa. Porque ser capaz de conhecer coisas perturbadoras e se comportar como se você as ignorasse – já que é isso que é exigido dela – é uma situação de alto risco. Freud o descreveu como um decote, mas cabe a outro psicanalista, Sandor Ferenczi, ter explorado suas consequências em caso de trauma. O filme parece tolo, mas nos apresenta uma tessitura imbrincada de nuances, camadas e consequência que de início imagina-se controlável, e depois se apresenta tão dispare; é uma anedota sobre a vida urbana, é uma peça dos nossos temas...
Os irmãos Dardenne sempre valorizando os contos naturais da vida e situações que beiram a vida real.O drama da personagem principal é um dos bons da carreira dos diretores.
>Assistido em 18 de Março de 2022
-Dou nota 7/10
Com uma premissa interessante,seguindo a linha ideológica sempre seguida em seus filmes,os Dardenne mais uma vez visitam o mundo dos desfavorecidos num país rico.O roteiro abrupto em momentos cruciais deixa o espectador à deriva,dependente de suas próprias conclusões.No mais o humanismo,o olhar carinhoso sobre os desvalidos sociais e seus dramas, fazem desses cineastas um exemplo de cinema como arma de denúncia,porta-vozes das minorias
Espetáculo de roteiro!