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Sinopse
Através de flashback, vemos o colapso psicológico de Goichi (Raizo Ichikawa), um jovem acólito budista de uma família disfuncional que chega a um templo de Kyoto - o Pavilhão Dourado. Baseado em um romance de Yukio Mishima.
Adaptação muito inteligente de uma obra do Yukio Mishima, sob a batuta expressionista do Ichikawa. Como de praxe, o roteiro é repleto de elipses, que dificultam um tanto a compreensão dos eventos, mas a fotografia é tão estupefaciente e o elenco tão atraente que toda a dramaticidade do filme nos impregna: ótimo! (WPC>)
Fiquei muito feliz ao ver este filme, adaptação de meu romance favorito na literatura. Muito melhor que a micro-adaptação feita por Paul Schrader em "Mishima: uma vida em quatro capítulos", de 1985. Schrader acerta, em seu trabalho, na trilha sonora do Philip Glass, mas neste filme Ichikawa também faz uso de uma ótima trilha sonora, que transa perfeitamente com o filme.
Eu vejo Mizoguchi e a Macabéa, de Clarice Lispector, os personagens mais interessantes e sofríveis da literatura (nos limites do que já li, claro). Mizoguchi é um personagem que não se encaixa no real e o Templo funciona como um muro entre ele e o mundo, e por isso mesmo sua arquitetura da destruição, onde viver e destruir são a mesma coisa. Claro que o filme não traduz toda a inquietação do livro, que mais parece um tratado de estética, um manual do Belo em forma de diário. Mas o filme se mantém fiel àquilo que busca traduzir (adaptar), e com excelentes atuações do Raizô Ichikawa e do Tatsuya Nakadai. Ichikawa parece se interessar por personagens com esse sentimento de estar-deslocado-no-mundo -- além desta adaptação, o filme "Coração" também persegue esse sentimento de isolamento, essa solidão do Ser. Quando eu dispuser de tempo, quero ler a obra completa do Mishima, mas por hora acho que Mizoguchi e Koochan (personagem do outro romance seu "Confissões de uma máscara") são os personagens que mais traduzem o sentimento de inconformação do Yukio Mishima.
Dirigido por Kon Ichikawa, O Templo do Pavilhão Dourado é uma adaptação de um dos grandes clássicos da literatura japonesa, e apesar de ser um bom livro, tem enorme chance de desapontar os amantes do excelente livro de Yukio Mishima.
É claro, sempre haverá quem possa enaltecer o livro em detrimento do filme, pois é sempre covardia. Mas Ichikawa foi um pouco além, por começar com o filme já no fim do livro, na verdade, com um trecho que iria além do final do livro, desconstruindo já em seus primeiros minutos de filme todo o final do livro e a sua mensagem.
Mas repito, é um bom filme. Difícil de dissociar (e mesmo de associar) ao livro, mas tem seus pontos altos, e acho que deve causar um bom impacto em quem não conhece o livro. Um dos primeiros filmes que projetaram Tatsuya Nakadai (aqui também dou o devido destaque à sua atuação anterior em Rio Negro de Masaki Kobayashi).
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Adaptação muito inteligente de uma obra do Yukio Mishima, sob a batuta expressionista do Ichikawa. Como de praxe, o roteiro é repleto de elipses, que dificultam um tanto a compreensão dos eventos, mas a fotografia é tão estupefaciente e o elenco tão atraente que toda a dramaticidade do filme nos impregna: ótimo! (WPC>)
Fiquei muito feliz ao ver este filme, adaptação de meu romance favorito na literatura. Muito melhor que a micro-adaptação feita por Paul Schrader em "Mishima: uma vida em quatro capítulos", de 1985. Schrader acerta, em seu trabalho, na trilha sonora do Philip Glass, mas neste filme Ichikawa também faz uso de uma ótima trilha sonora, que transa perfeitamente com o filme.
Eu vejo Mizoguchi e a Macabéa, de Clarice Lispector, os personagens mais interessantes e sofríveis da literatura (nos limites do que já li, claro). Mizoguchi é um personagem que não se encaixa no real e o Templo funciona como um muro entre ele e o mundo, e por isso mesmo sua arquitetura da destruição, onde viver e destruir são a mesma coisa. Claro que o filme não traduz toda a inquietação do livro, que mais parece um tratado de estética, um manual do Belo em forma de diário. Mas o filme se mantém fiel àquilo que busca traduzir (adaptar), e com excelentes atuações do Raizô Ichikawa e do Tatsuya Nakadai. Ichikawa parece se interessar por personagens com esse sentimento de estar-deslocado-no-mundo -- além desta adaptação, o filme "Coração" também persegue esse sentimento de isolamento, essa solidão do Ser. Quando eu dispuser de tempo, quero ler a obra completa do Mishima, mas por hora acho que Mizoguchi e Koochan (personagem do outro romance seu "Confissões de uma máscara") são os personagens que mais traduzem o sentimento de inconformação do Yukio Mishima.
Dirigido por Kon Ichikawa, O Templo do Pavilhão Dourado é uma adaptação de um dos grandes clássicos da literatura japonesa, e apesar de ser um bom livro, tem enorme chance de desapontar os amantes do excelente livro de Yukio Mishima.
É claro, sempre haverá quem possa enaltecer o livro em detrimento do filme, pois é sempre covardia. Mas Ichikawa foi um pouco além, por começar com o filme já no fim do livro, na verdade, com um trecho que iria além do final do livro, desconstruindo já em seus primeiros minutos de filme todo o final do livro e a sua mensagem.
Mas repito, é um bom filme. Difícil de dissociar (e mesmo de associar) ao livro, mas tem seus pontos altos, e acho que deve causar um bom impacto em quem não conhece o livro. Um dos primeiros filmes que projetaram Tatsuya Nakadai (aqui também dou o devido destaque à sua atuação anterior em Rio Negro de Masaki Kobayashi).