Corte o ano de 1922: o famoso escritor francês Marcel Proust está em seu leito de morte. Admirando algumas fotos, ele relembra sua vida. As personalidades reais que conheceu misturam-se com os muitos personagens que criou durante sua carreira, como as encantadoras Odette, Gilberte e ALbertine. Os dias felizes de sua infância confundem-se com as memórias recentes de sua vida social, de seu reconhecimento como mestre das letras e dos dramáticos momentos vividos durante a Primeira Guerra Mundial. Tome contato com o universo aristocrático da sociedade parisiense da época, nesta superprodução luxuosa e com elenco estelar, que se inspira na obra-prima de Proust, Em Busca do Tempo Perdido.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Zzzzzzzzzz
Baseado na obra 'Em Busca Do Tempo Perdido', de Marcel Proust, é uma quase cinebiografia deste escritor considerado um dos maiores autores de todos os tempos, alcançando um status de mito literário, principalmente para a geração pós 1968. Oriundo de família rica e culta, Proust (Marcello Mazzarella), em seu leito de morte num pequeno apartamento parisiense, vai revivendo suas memórias e resgatando personagens que passaram e marcaram sua vida aristocrata, pomposa e saudavelmente frágil, numa alegoria surrealista para retratar uma alta sociedade fútil e egocêntrica. Cinematicamente, é uma obra difícil, pois requer concentração e um certo conhecimento sobre o escritor francês. Sem contar os enquadramentos e movimentos de câmera propositalmente sem esmero (que tarefa hercúlea do diretor!), tais quais as lembranças cada vez mais distantes de uma época passada. Mas é um deleite poético, já que é preciso uma eternidade pra assistir a toda uma vida.
“Minha vida é uma sucessão de aventuras extraordinárias e visitá-las só iria me entristecer mais. Prefiro servir-me do tempo a mim concedido para percorrer minha última obra.”
“(...) Nessa obra, há toda sua vida e a de todos os homens - respondeu o anjo da morte.
Para percorrê-la precisaria da eternidade.”
P.S.: Altas aventuras gays discretas no mundinho aristocrático francês do começo do século XX.
O tempo que nunca acaba seria mais apropriado.
Não é um filme lá muito fácil de acompanhar, ainda que tenha um personagem por quem passa toda a história em diferentes fases de sua vida, o próprio escritor Marcel Proust da obra Em Busca do Tempo Perdido (como a coleção de sete volumes se chamou no Brasil). A produção é esmerada, há grandes atores franceses no elenco e o italiano (dublado, claro) Marcello Mazzarella lembra muito o escritor francês. Mas há uma série de trechos e personagens que só podem ser bem reconhecidos por quem leu a obra de Proust.