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Amargurado pelos anos de contato direto com a escória da sociedade, um detetive de polícia durão é designado para investigar a morte de uma jovem fora da cidade. Logo conhece o pai da vítima e fica tomado pelo desejo de vingança. Mas a irmã do assassino lhe pede uma chance para que ele se regenere. Terá de tomar uma difícil decisão sobre o caso.
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On Dangerous Ground (1951), dirigido por Nicholas Ray, é um filme que começa bem. A atmosfera inicial, mais urbana e dura, me prendeu e me fez acreditar que eu iria assistir a um noir mais intenso e direto. Robert Ryan, apesar de eu achar um bom ator, simplesmente não funciona muito bem pra mim como protagonista aqui — ele até tem presença, mas falta algo para sustentá-lo no centro da narrativa.
O início, porém, é forte. A construção do personagem dele, a violência contida, a raiva prestes a explodir… isso funciona muito bem. Só que tudo muda a partir do momento em que Ida Lupino entra em cena. E não é que ela esteja mal — longe disso, Ida Lupino raramente está — mas o tom do filme vira completamente. A narrativa desacelera, o clima noir dilui, e vários elementos que tinham sido bem construídos até ali perdem força. É quase como se eu estivesse assistindo a outro filme, e esse contraste, pra mim, tirou parte do impacto que a história vinha prometendo.
Cleo Moore, mesmo com pouquíssimo tempo de tela, está absurdamente bonita e deixa uma marca. É aquele tipo de aparição curta, mas que chama atenção. Já Ed Begley e Ward Bond são nomes de peso, e Bond, especialmente, tem uma participação mais expressiva,
diretamente ligada ao desfecho do filme
Eu admito: esperava mais. Não só pela sinopse, mas também pela média alta do site e pelo fato de o filme estar em listas de grandes noires. Ele tem, sim, elementos do gênero — a culpa, a violência, o homem em conflito consigo mesmo — mas, pra mim, falta alguma coisa. Senti também a ausência de uma verdadeira femme fatale, algo que Ida Lupino não entrega aqui, e que fez falta dentro da proposta do filme. Falta aquela faísca final que faria tudo se encaixar. Infelizmente, On Dangerous Ground não atingiu o potencial que eu realmente achava que tinha.
E a frase que o filme traz — “Às vezes, as pessoas que nunca estão sozinhas são as mais solitárias.” — acaba descrevendo muito bem o próprio protagonista… e talvez até o filme: cercado de grandes nomes, grandes expectativas, mas no fim, solitário naquilo que poderia ter sido.
Assistido em 21/11/2025
Já tendo o filme antes, foi muito estranho para mim que, na revisão, o achei ainda mais pitoresco que no primeiro contato: sabia o que aconteceria, mas a guinada tramático-emocional da segunda metade é impressionante. Obcecado por seu tema da (tentativa de) reabilitação dos marginais, Nicholas Ray coloca-se ao lado de todos os seus personagens, mesmo quando estes parecem inicialmente em conflito. Ao compreender a solidão do protagonista, o filme valida a solidão da companheira que descobrirá a posteriori, em chave positiva. Tanto que o desfecho da obra (imposto pelos produtores ou não) é um dos mais otimistas do realizador. A trilha musical de Bernard Herrmann é extraordinária, obviamente, e o contraste entre a escuridão urbana e a luminosidade nevada é genial. Um filme supremo de um grande realizador, de um ideólogo rebelde mui necessário na conjuntura hodierna do "bandido bom é bandido morto". Belíssimo! (WPC>)
Um noir interessante, dirigido pelo grande Nicholas Ray. Começa muito bem, e dinâmico, mas que infelizmente a partir da metade para o final, acaba caindo no melodrama.
Um filme que trata sobre perdas e ainda assim não perde a linha investigativa que propõe.Ida Lupino continuava sendo uma das grandes beldades daquela época.
>Assistido em 19 de Fevereiro de 2023
"Cinzas Que Queimam" propõe um amargo retrato da solidão. Uma condição que filtra o estado de espírito de seu realizador - o diretor Lupino - durante o período de filmagens, e o encontro entre duas pessoas que necessitam de um afeto que somente pode ser transmitido pelo contato humano. É ao mesmo tempo um registro pesado e amargo, mas também capaz de pintar a esperança. Diante da sempre negativista visão do homem estabelecida pelos elementos clássicos dos filmes "noir", pode-se afirmar que este é um filme a parte no movimento.