O filme se passa na Austrália e mostra um grupo de uma multinacional que pretende explorar o solo a procura de urânio. Mas o impasse maior é de convencer os aborígenes que lá vivem. A partir o que vemos é o choque de cultura, o raciocínio, o abismo enorme criado e a natural prepotência do homem branco. É um filme sobre as coisas pequenas e simples que vão além de qualquer ganância ou providência que o dinheiro pode tomar.
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Ao que damos valor? Talvez ao dinheiro, ao nosso emprego, à ciência; ou quem sabe a um hobby, um esporte,um animal de estimação?... E o que não faríamos por essas coisas! Alguém ousaria dizer que elas não são importantes?
E se estivéssemos falando do lugar mais sagrado para um povo?
Questão de perspectivas... para mim, o filme fala justamente dessa questão, ou de sua falta; da vastidão que se encontra com o supérfluo. Uma reflexão filosófica, um pouco existencialista, em síntese.
Onde sonham as formigas verdes é um filme que apresenta, por meio da cultura aborígenes, a prepotência dessa cultura de desenvolvimento predatório, que busca a qualquer custo a acumulação de capital.
Herzog criou uma narrativa que evidencia a incompreensão entre as culturas. Sendo elas a aborígenes e a do homem (desenvolvimentista) ocidental. Se tratando de duas culturas distintas esse choque é normal, tendo em vista, que ambos não se conhecem e tampouco sabem os seus costumes. Os diálogos entre o chefe dos aborígenes e o geólogo deixa claro isso. Porém, parece que o homem ocidental tem uma insensibilidade que vai além do desconhecido:
a personagem que solicita a ajuda do geólogo para encontrar o seu cachorro que se perdeu entre o local de exploração ilustra isso. Ela, também, não foi incompreendida por seus iguais que não viram a importância que seu pet tinha em sua vida. Em contrapartida ao final do filme, o cãozinho "reaparece" entre os aborígenes, ou seja, eles o acolheu, para eles não era apenas um cãozinho, como aquele lugar não era apenas um local com solo abandonado
O filme tem vários elementos fantásticos que merece análise profunda: como a religião, a relação do homem com a terra, sobre o que é o desenvolvimento, o que nos define, e o que é o diferente.
Concordo com alguns comentários abaixo sobre as falas dos aborígenes, de fato, acredito que ficou imposto esse aspecto. Eu fiquei esperando ver as formigas também rs
Um tema pouquíssimo explorado no cinema: a destruição da cultura aborígene australiana através das mãos do homem branco. Nessa co-produção Austrália/Alemanha, Werner Herzog faz um filme bastante humanista na sua essência, e, ao mesmo tempo, extremamente melancólico à medida em que lamenta a morte quase dada como certa de toda uma cultura (ou de várias delas!), em prol do desenvolvimento ocidental (ao qual o próprio homem branco parece não estar preparado, vide as cenas do relógio e do elevador). Boas reflexões em uma obra profundamente intimista.
Por vezes a interpretação dos aborígenes não convenceu, nem tanto por não serem atores profissionais, mas principalmente porque colocaram nas suas bocas frases e argumentos de construção ocidental, ainda que alinhados à sua visão de mundo. Entretanto, essa escolha do diretor justifica-se e torna-se digna de louvor quando nos deparamos com suas únicas expressões faciais. Nunca vou esquecer aqueles rostos, talvez os mais expressivos já vistos no cinema, que comunicavam muito mais em seu silêncio do que em suas palavras.
Onde Sonham as Formigas Verdes traz à tona o modelo de 'desenvolvimento' moldado sobre a conflitualidade, contraditório e paradoxal. A territorialização do capital e a desterritorialização e reterritorialização dos povos tradicionais. O capital segue destruindo e recriando relações de acordo com sua lógica ao passo que os povos tradicionais também seguem subvertendo, recriando e rompendo essa lógica. Isso aconteceu, acontece e enquanto existir desigualdade continuará acontecendo. Muda-se apenas os aparentes sujeitos, no fundo pode não passar de um mesmo povo - e acho que trata-se disso.
Gosto das fotografias dos contrastes que o filme traz e também das fortes expressões faciais. Questionador e de gerar indignação com a inconsequência desenvolvimentista capitalista.