Um dia em abril de 2017. A Espanha atingiu o ponto mais baixo da recessão com mais de 7 milhões de desempregados e mais de 3 milhões de casas abandonadas porque seus proprietários estão afogados em dívidas. Um casal que se separou anos atrás se reencontra num armazém de aspecto futurista. Assim como o depósito nunca foi concluído, seu relacionamento também foi interrompido quando, depois de um acontecimento trágico, eles seguiram caminhos diferentes. Agora, ele decidiu transformar o passado num romance.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
No início, o clima teatral perturba. À medida que descobrimos a tragicidade que interconecta aquela ex-casal,a perturbação supracitada sai do âmbito formal e estraçalha-nos emocionalmente, numa identificação mui dorida com a entrega actancial potente de Candela Peña, excelente e extra-melodramática. A direção é muito boa (um dos projetos mais pessoais da diretora) e a sutileza da construção distópica européia diz muito sobre a nossa situação política atual, visto que o público é reflexo de crises privadas e vice-versa. Javier Cámara está bem diferente como macho amargurado e também é merecedor de nossos focos identificadores. Aflitivo em sua extensão e condução expositiva de eventos traumáticos, e muito bom por conta disso! (WPC>)
"La gente huye del dolor del otro como de la mierda. No saben que hacer, como comportarse... es como si tus supociones sobre la naturaleza humana se confirmaran"
Tenho o filme....but...não as legendas! Alguém tem?!
Que filme maravilhoso!!!! De modo peculiar, o filme coloca a crise econômica como pano de fundo e toca como "estado de arte" na fragilidade humana, na fragilidade da vida, no cerne da existência, no centro, no sofrimento, nos liames dos laços afetivos. De modo peculiar, vai da crítica ao humano. Em um intenso diálogo e em um único espaço-temporal, o filme se (des)dobra. Flui. Anda. Recua. Corta. Fala pelas sondas do inconsciente (os cortes em preto-e-branco).
(Quando a protagonista diz que o mundo não gosta de pessoas que sofrem.. Ah, perfeito. Lembro-me sempre do sábio filósofo Blaise Pascal. O mundo gosta do divertimento. Pensar é sofrer. E como a protagonista desse filme sabe o que é sofrimento!!!!)
Favorito porque é preciso. E que possamos aprender com o cinema espanhol contemporâneo.