Kyoto, final do século XVII. Ishun, um senhor abastado e com direito ao uso de espada, é casado com a jovem Osan, frustrada e insatisfeita. Mohei, empregado de Ishun, utiliza indevidamente a assinatura do patrão a pedido de Osan, mas acaba descoberto e é preso. Tem início um amor impossível, onde Osan escolhe o amor com risco de vida e assume as implicações.
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Excelente filme, incrível como é fácil cair numa espiral de acontecimentos ruins, mesmo que você não tenha culpa nenhuma.
A "Story from Chikamatsu" (ou "The Crucified Lovers"), de Kenji Mizoguchi, tem um enredo difícil de imaginar nos dias atuais. Há uma história única, ligando basicamente três personagens centrais, mas com inúmeras camadas que levam a abordagens sobre o conflito entre amor e dever social, mostrando como a rigidez e a hierarquia da sociedade feudal japonesa podiam sufocar os desejos individuais, especialmente das mulheres. Há uma crítica ao patriarcado e ao sistema de castas sociais, mostrando a exploração dos mais fracos, a repressão emocional e a prevalência do poder e do status social sobre questões de humanidade e justiça.
O filme inspirou-se em uma peça teatral de Monzaemon Chikamatsu e hoje é considerado um clássico cult. A trama fala sobre o amor proibido entre uma mulher casada e um empregado de seu marido. Mas, além da perseguição implacável e bárbara punição reservada ao casal adúltero, é revoltante perceber a opressão que recaia sobre aquelas mulheres, entregues a casamentos abusivos, sem amor e com grandes diferenças de idade, submissas financeiramente aos seus senhores. Ao mesmo tempo, aos homens era consentida uma vida hedonista, irresponsável ou até mesmo corrupta, sem que isso lhes afetasse o poder e o domínio sobre os demais.
Em síntese, "The Crucified Lovers" permanece relevante por expor, com rigor estético e intensidade dramática, a desigualdade estrutural e a repressão social que moldavam as relações humanas. Mais do que uma história de amor proibido, é um retrato da violência simbólica e material que sustentava a ordem feudal japonesa.
Entendo toda critica do Mizoguchi com a sociedade em tratar punições diferentes a homens e mulheres pela consequências de atos iguais e também uma critica ao papel de submissão delas, mas fiquei com muita pena do Mohei, o cara estava trabalhando lá de boa e começou a entrar em uma bola de neve sem saída só tentando ajudar.
Uma obra prima de Kenji Mizoguchi!
Tudo neste filme é perfeito. Desde sua fotografia que captura a beleza e a tristeza da história, como a trilha sonora melancólica e envolvente. Um roteiro muito triste, a respeito de um amor proibido, com fortes criticas sobre a diferenciação entre as regras a serem seguidas, dentre homens e mulheres. Osan que é basicamente condenada a um papel de submissão por toda sua vida, acaba optando por outro caminho.
Mas o que mais se destaca, é uma época com uma cultura totalmente diferente, aonde as pessoas tentavam ser o mais decente possível para não sujar o nome de suas famílias. Totalmente o contrário de hoje em dia, onde o individualismo governa, e muitas vezes a própria família quer defender os atos errados. Ishun acaba se mostrando mais preocupado com o que irá ocorrer com ele, do que com a traição da esposa.
A coisa que mas me chamou atenção no filme foi a abordagem em ser homem e mulher, aonde o homem pode fazer tudo e não sofrer nenhuma consequência enquanto as mulheres sempre são "crucificadas" pelas suas atitudes .