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Data de lançamento
26 Set. 2014Duração
Os Boxtrolls retrata a história de uma cidade habitada por pessoas fanáticas por elegância e queijos. Amaldiçoada por monstros que moram no subterrâneo, a região sofre com roubo de suas crianças e de seus adorados queijos durante as noites.
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Boxtrolls (2014) é um dos filmes mais infantis e genéricos do estúdio Laika, mas não é esse o ponto a que eu quero chegar, até porque isso não me incomodou nada.
A história de Boxtrolls vem de uma saga de livros, traduzida no Brasil como “A Gente é Monstro!”, que fala sobre diversas espécies e sobre como esses Boxtrolls trabalham no subterrâneo cuidando do encanamento.
O problema é que, aparentemente, o livro não trabalha essa mensagem de que uma sociedade é completamente adversa a um povo que nunca a prejudicou. Não trabalha a ideia de um vilão que repercute, nessa sociedade, que os Boxtrolls são monstros “não civilizados”.
O interessante da questão é que a alteração realizada decide abordar uma sátira política sobre repúdio social, sobre um repúdio ao “não civilizado”. Isto poderia ser uma mensagem interessante se fosse trabalhada corretamente, mas Boxtrolls não o fez. O filme aborda os Boxtrolls como dóceis, pacíficos e inventores, mas a elite da superfície os vê como “selvagens, comedores de bebês e cruéis”, principalmente devido ao vilão do filme espalhar boatos e repercutir medo perante esse povo. Porém, o que começou a me incomodar, conforme assistia ao longa, é que essa história se assemelha muito a diversas realidades, como a da expansão ibérica nas Américas e a da colonização indígena. O filme trata perfeitamente o preconceito perpetuado pelos europeus de que os indígenas são cruéis, comedores de bebês e tudo mais. Contudo, ao decidir tratar os Boxtrolls como “dóceis” e como seres que “não conseguem se defender porque não são civilizados”, ele repercute o estereótipo do “Bom Selvagem” e a ideia de que é necessário um “Salvador Branco”.
O filme sugere que essa bondade dos Boxtrolls é devida ao fato de se recusarem a lutar, exatamente a imagem que os colonizadores narravam para justificar a dominação dos povos indígenas, de que eram “infantis, pacíficos e dependentes de tutela”. Ovo é criado entre os Boxtrolls e, somente através dele, auxiliado pela filha rica de um Lorde, os Boxtrolls conseguem se unir e lutar contra o opressor. O filme abrange uma imagem de que é necessário o homem branco auxiliando tais povos para que eles sejam independentes e lutem por si mesmos. Ovo, tentando ajudar sua família adotiva, se disfarça como “um homem civilizado”, aprendendo a língua do opressor para ser ouvido, reforçando a ideia de que a salvação está nas mãos da civilização que os marginaliza.
O filme, certas vezes, parece passar a imagem de que quem começa esse preconceito contra os Boxtrolls são os vilões, que Surrupião é o grande responsável por essa sociedade temer esse povo. De fato, há certa verdade nisso, mas, ao mesmo tempo, o próprio filme reproduz elementos do que pretende criticar, mesmo tentando passar a mensagem de que “não devemos acreditar nesses preconceitos”. Ou seja, temos claramente um sujo falando de um mal lavado.
Pena que os estúdios Laika não perceberam o que estavam fazendo. Ou será que notaram e é ingenuidade minha pensar diferente? Nunca vou saber.
Bacaninha. Gosto menos das outras animações que vi só estúdio, mas ainda é mto bem feita
ótima animação
Ovo, Peixe 🥰
Filme bonito de ser, uma animação com uma técnica diferente, a história é boa e entretêm, apesar de não ser das melhores e mais criativas.