Os Gigantes foi uma telenovela brasileira que foi produzida pela Rede Globo e exibida entre 20 de agosto de 1979 e 2 de fevereiro de 1980, às 20 horas, substituindo Pai Herói e sendo substituída por Água Viva, tendo 147 capítulos. Foi escrita por Lauro César Muniz, com direção de Régis Cardoso e Jardel Mello.
A telenovela criticou o excessivo poder das multinacionais e propôs uma discussão sobre a prática da eutanásia. Paloma Gurgel (Dina Sfat), uma jornalista famosa e respeitada, retornar ao Brasil, depois de um período trabalhando no exterior como correspondente internacional, para resolver problemas familiares causados pela situação de seu irmão gêmeo, Frederico Gurgel (Roberto de Cleto), que está internado em coma no hospital, após uma cirurgia no cérebro e está vivo graças à ajuda de aparelhos. Angustiada com sofrimento do irmão, Paloma decide desligar os aparelhos que o mantêm vivo. A partir de então, inicia-se uma batalha judicial entre a jornalista e a cunhada Veridiana (Suzana Vieira), que a acusa de ter praticado eutanásia. Paloma ainda reencontra com dois amigos de infância: o fazendeiro Fernando Lucas (Tarcísio Meira) e o médico Francisco Rubião (Francisco Cuoco), ambos apaixonados por ela, e disputaram para conquista-la. Fernando tem um casamento conturbado com Vânia (Joana Fomm); e Francisco rompe o noivado com Helena (Vera Fischer) por causa de Paloma.
A trama também abordou a questão do homossexualismo, através das personagens Paloma e Renata Garcia (Lídia Brondi), algo que foi rejeitado pelo público, que considerou as temáticas, em particular a eutanásia, impróprias para uma novela em tempos de ditadura militar e desafiando a censura.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Os dois capítulos sobreviventes mostram a complexidade da obra e, em minha opinião, não permitem um julgamento justo, como ocorre em outras obras do projeto Fragmentos, nas quais, mesmo com poucos capítulos preservados, ainda conseguimos ter uma dimensão mínima do conjunto. O que dá para concluir é que essa obra surgiu no tempo errado: se tivesse sido realizada no fim dos anos 80 ou até mesmo nos anos 90, talvez tivesse tido outro tipo de recepção — ou até mesmo pior, considerando o quanto nos tornamos mais conservadores.
Assisti os dois capítulos (primeiro e último) disponíveis na Globoplay. O enredo é tão a frente ao seu tempo na época, com temas de eutanásia e
suicídio
Não foi um sucesso na época por causa dos temas polêmicos e os bastidores da produção foram muito conturbados, mas deixa um toque cult atualmente.
Novela que sempre me fascinou não apenas pelo elenco irretocável, mas também pela sua história ousada e polêmica, que continua pertinente e, infelizmente, ainda é cheia de tabus para nossa sociedade, mostrando que não evoluímos lá grandes coisas. Não foi um sucesso, passou por muitos problemas e Dina Sfat não escondeu o seu descontentamento com a produção. Mas o charme está justamente em sua imperfeição, no seu excesso de drama, diálogos e sentimentos contra pouca ação, nesse ar "cult" de um tempo em que uma emissora poderia apostar em uma novela sobre eutanásia em pleno horário nobre, algo impensável nos dias de hoje, onde agora se coloca o telefone da linha de prevenção de suicídio no fim do capítulo no qual a protagonista tira a própria vida - que tempos hein? Fala-se tanto em buscar ajuda e valorizar a vida, mas ninguém quer realmente falar ou mostrar o suicídio ou a eutanásia porque é... "gatilho". Suicídio não é fraqueza, exige muita coragem e força interior, não podemos julgar Paloma por suas escolhas. Neurótica, inconstante? Sim. Mas tudo o que ela fez foi por amor, saindo despedaçada do seu grande ato de amor: libertar o seu irmão do sofrimento, a pedido dele. Quem pode condená-la? Ela era maior do que a vida.