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Data de lançamento
2 Nov. 1984Duração
A visão de Sidney Schanberg (Sam Waterston), um jornalista americano, sobre a guerra do Camboja e a amizade feita com Dith Pran (Haing S. Ngor), intérprete cambojano e jornalista local. São mostradas as trágicas conseqüências, principalmente as ações do Khmer Vermelho. Com a cobertura da tomada de Phnom Penh, Schanberg ganha o prêmio Pulitzer e retorna para o oriente procurando o amigo, que separou-se dele em razão da guerra.
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Esse filme não é sobre a guerra do Vietnam, portanto não faz muito sentido incluí-lo numa lista sobre essa guerra, mas tudo bem, pode-se alegar tratar-se de um filme que mostra que a teoria do efeito dominó, defendida pelo governo norte-americano como um dos motivos para a intervenção a favor dos sul-vietnamitas, acabou se confirmando após a retirada das tropas do tio Sam daquela região da Ásia. Porém, embora seja um filme com vários méritos, tanto em relação a atuação dos atores, principalmente do ator cambojano que interpreta um conterrâneo seu, cuja a história é narrada no filme, quanto a direção do Roland Joffé, das locações e do clima de tensão constante, fiquei um pouco frustrado com as cenas sobre os crimes do Khmer Vermelho, que justificam o título em inglês do filme: The Killing Fields. Já li alguma coisa sobre o genocídio cambojano, e o filme mostra apenas uma ponta do que os comunistas foram capazes de fazer com os cambojanos, ainda que fossem mulheres, crianças e idosos. Mesmo assim classifiquei essa obra como excelente, pois é um dos poucos relatos cinematográficos que nos lembram de que outros holocaustos aconteceram, além do judaico.
Tem Alguns Spoilers...
Trágico, brutal e desesperador. "Os Gritos do Silêncio" é um poderoso e impactante filme que retrata os horrores do regime comunista do Khmer Vermelho no Camboja durante a década de 1970. Baseado em fatos reais, o filme mostra a luta de um jornalista americano e seu fotógrafo e guia cambojano, tentando sobreviver numa terra arrasada, num dos períodos mais sombrios da história da humanidade.
Dirigido por Roland Joffé, o longa parece um documentário em forma de filme, onde de forma absurdamente realista, os horrores da tomada de poder do Khmer Vermelho, em cenas de fazem a gente querer correr desse mundo. A produção do filme não deixa você respirar e nem olhar pro lados, apresentando sequências que fazem você mergulhar no inferno, com imagens de violência, sofrimento, tortura e selvageria do conflito, numa loucura ideológica que parece filmes de ficção apocalíptica.
Não precisa ser historiador, nem entendido de politica, porque ver os horrores que vários filme mostram sobre as atrocidades do regime comunista socialista em diversos países, e não ter a capacidade de raciocinar direito sobre o que ele defende e faz, mostram que a engenharia social foi um sucesso. E que você é um puta de um covarde, que preferiu Paris do que o Camboja e Coreia do Norte na época.
O que Sidney Schanberg (Sam Waterston) e Dith Pran (Haing S. Ngor), passaram no pais, tentando trabalhar, não tem classificação de profissionalismo que descreva, ou talvez seja esse o jornalismo de verdade. Fúsil na cara, surras e humilhação, os dois não morreram por sorte, por coca cola, por um sorriso e pela etnia de Pran. O Khmer Vermelho foi um braço satânico no mundo, ele não defendia, não representava e não presava a vida. As circunstancias que ele eram porque você era contra o regime.
Roland Joffé consegue capturar tanto a beleza do Camboja como a selvageria do conflito. As cenas são viscerais e emocionais, que gera impacto, pânico e desespero. As atuações de Sam Waterstone e Haing S. Ngor, são profundamente sinceras e convincentes, com Ngor, apresentando um fase do seu personagem, onde você tenta não enlouquecer com que assiste, mostrando o genocídio cambojano num nível de maldade, onde cenas de horror acaba fazendo parte do dia a dia.
Sidney Schanberg (Sam Waterston) e Dith Pran (Haing S. Ngor), tem atuações discretas, ante as imagens terríveis que o longa mostra. Não tem como eles aparecerem mais do que as imagens que eles mostram. As atrocidades do Khmer Vermelho, são algo longe de qualquer defesa humana. Sidney , junto com outros jornalistas ocidentais, são obrigados a deixar o país. Mas Pran, por não ser estrangeiro é impedido de fugi. A luta que os amigos dele fazem para ajuda-lo, mostra o verdadeiro significado da amizade. É triste demais.
Depois disso, o filme se divide em duas histórias paralelas, mostrando a busca incessante de Schanberg por notícias de Pran, usando todos os recursos disponíveis nos Estados Unidos pra ter noticias do amigo e resgatar ele. A terrível odisseia de Pran em meio aos "Campos da Morte", foi um dos momentos do filme onde o coração da gente, congela e ferve de tanta dor.
Pran é forçado a trabalhar em campos de trabalho, onde milhões de cambojanos foram mortos por fome, exaustão, doenças e execuções sumárias. A direção de Joffé não poupa a gente da realidade nua e crua do regime, mostrando uma lavagem cerebral maldita, que levam a uma paranoia generalizada, usando a fome como tortura, numa violência total e indiscriminada, onde crianças de 7, 8, 9, 10... apontam armas dos adultos, como forma de domínio e vingança, por eles serem responsáveis pelo modelo de família que eles criaram. São cenas abomináveis e emocionalmente devastadoras, transmitindo a sensação de um inferno real sobre a Terra.
A fuga de Pran, foi um calvário tão angustiante, que lhe rendeu um Oscar de Melhor Ator Coadjuvante na época. Sua performance até foi um pouco discreta pela personalidade do seu personagem, mas por ele ter sido um sobrevivente desses campos de extermínio e por ter perdido sua sua família nesse genocídio, não tem o que falar. Ele não atuou, ele viveu o personagem. Cê é loco. Discreto é meu ovo, Vagner!
"Os Gritos do Silêncio" é mais do que um filme, é um documento histórico crucial e urgente que trouxe aos olhos do mundo o verdadeiro hecatombe que foi genocídio cambojano. É uma obra essencial para entender a importância do jornalismo verdadeiro em tempos de crise, onde ele cumpre o valor inestimável de mostrar a verdade, não importa onde esteja.
É um filme que nos choca e entristece muito, mas também nos inspira com a incrível capacidade que o ser humano tem em superar qualquer coisa. É um também um lembrete sombrio da capacidade que nós temos de sermos cruéis, é vital para lembrar que os horrores do passado nunca devem ser esquecidos. É uma história de uma resiliência inacreditável e uma prova que as verdadeiras amizades são inabaláveis.
Obra prima.
24.02.1991
Tocar imagine no final representa bem o quão intankavel é esse filme.
A nota é pela produção impecável o filme em si é um porre, mas é muito bem dirigido e conta com uma fotografia belíssima. Nota 7,0