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Data de lançamento
6 Ago. 2026Duração
Em 1967, os cineastas Luiz Sergio Person e Jean-Claude Bernardet escreveram o roteiro daquele que seria um de seus mais importantes filmes, um projeto cinematográfico radical nunca filmado: A hora dos ruminantes. Uma história sobre o cinema brasileiro dos anos 1960 e 1970 e suas questões políticas, revelações de documentos inéditos e confidenciais da ditadura militar em diálogo com Hollywood.
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Nossa, queria muito ver esse filme que não foi. O conceito e o formato parecem interessantes demais. A coisa de uma alegoria meio fantástica no microuniverso de uma cidade pequena para falar de crescimento do fascismo me remeteu ao excelente As harmonias de Werckmeister.
Fazer documentários de não filmes rende excelentes filmes, muito pelos diferentes graus de metalinguagem envolvidos, mas também porque em geral esses filmes não foram concluídos justo pelo quão ousados eram para seu contexto de produção.
IMPRIMATUR - visto no cinema em 2026:
Achei o filme bem limitado pelos entreveros normais, que não justificariam a causa deste documentário. Inclusive, um dos depoentes confirma essa ideia, quase anulando o trabalho "investigativo" sobre algo que não existiu. Talvez a única curiosidade seja o possível boicote que o Person sofreu em sua passagem pelos EUA. Fora isso, parece mais uma saudação ao filme O Caso dos Irmãos Naves que, pela importância recebida aqui, pode ser colocado como o mais importante do diretor, mesmo que São Paulo S/A seja muito melhor. Se o longa todo tivesse a mesma disposição aplicada nos 10 minutos finais, eu pensaria diferente, pois ali os diretores parecem concretizar o que estava sendo idealizado no passado — só que, infelizmente, na maioria do tempo, ficou só na referência sem muito significado.
Avaliação em nota: 6.9
- a Hora dos Ruminantes era pro Person o que Duna foi para o Jodorowsky, na verdade era até mais pessoal até
- não acredito que até hoje nenhum cineasta brasileiro pegou esse filme para fazer, acreditaram mesmo no que o Carlão falou sobre maldição
- claro que teve intervenção dos malditos dos estragos unidos para o filme não acontecer, que ódio
- fazer cinema no Brasil é sempre uma batalha
- fique com bastante vontade de ver o filme, mas infelizmente vou ter que me contentar com Panca de Valente mesmo