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Data de lançamento
24 Jan. 2015Duração
Ann Burden (Margot Robbie), uma menina de dezesseis anos de idade, sobrevive a uma guerra nuclear em uma pequena cidade norte-americana. Ela creditava ser a única humana na Terra, até encontrar um cientista procurando por sobreviventes. A relação entre eles fica frágil quando eles encontram outro sobrevivente e os dois homens passam a lutar pelo afeto de Ann, onde os instintos naturais e primitivos começam a surgir.
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Se tem uma coisa que o cinema apocalíptico me ensinou, é que o ser humano não precisa de zumbis, alienígenas ou bombas para se destruir. Basta colocar dois homens, uma mulher e uma cama no meio deles para o próprio paraíso virar um inferno. "Os Últimos na Terra", dirigido por Craig Zobel, é a prova cabal de que o verdadeiro apocalipse não vem de fora, mas das paixões que o homem carrega dentro do peito.
A história nos apresenta a Ann Burden (Margot Robbie), uma jovem que vive isolada em um vale abençoado que, por um milagre da geografia, ficou imune à radiação que devastou o planeta. Ela tem uma rotina simples, apego à fé e uma fazenda inteira para cuidar. O equilíbrio desse Éden particular muda com a chegada de John Loomis (Chiwetel Ejiofor), um cientista pragmático e atolado em traumas que quase morre contaminado, mas é salvo por Ann. A relação entre os dois se constrói na tensão silenciosa entre a razão e a fé, a ciência e a religião. Mas, quando o desejo humano parece inevitável, o excesso de cálculo, as travas e o orgulho do engenheiro travam o momento.
É aí que o Universo resolve colocar mais uma peça no tabuleiro: Caleb (Chris Pine). Bonitão, religioso e com a mesma linguagem do campo que Ann, ele entra na rotina da casa para quebrar a harmonia frágil que Loomis custou a erguer. O triângulo amoroso quase se instala entre eles com uma voltagem sexual altíssima disfarçada de cortesia. Ann, reprimida e carente no fim do mundo, encontra em Caleb a sintonia imediata que o racionalismo frio de Loomis nunca conseguiu entregar. E quando o desejo fala mais alto, a tragédia se desenha.
Craig Zobel constrói um suspense psicológico claustrofóbico e impecável. O filme não precisa de 200 milhões de dólares de orçamento pra contar uma história inteligente; a fotografia belíssima carrega o clima melancólico e a cabana vira o palco do estudo sobre as fraquezas humanas. Loomis representa a inteligência brilhante que, quando movida pelo ciúme e pela inveja, se transforma em uma ferramenta fria e perversa. Ele não aceita perder o controle do seu pequeno mundo ou ser a segunda opção, agindo com uma atitude soturna que destrói a honra em nome do desejo de posse.
"Os Últimos na Terra" envelhece como um bom vinho. O filme pega o mito do Gênesis e coloca a serpente não na árvore, mas na alma dos próprios personagens. A inveja contamina o ar mais rápido do que a radiação nuclear. Com atuações gigantescas do trio principal, o longa entrega um final amargo, seco e memorável. Uma pequena obra-prima do gênero que já nasceu com status de cult.
P.S. O misterioso sumiço do cachorro, pode significar a pureza que desapareceu dos personagens.
Em vez de explosões ou grandes reviravoltas, o que se impõe é o silêncio, o peso de estar só e a complexidade dos vínculos humanos. Tudo é contido, mas profundamente sentido.
Ficou bem previsível o que ocorreria quando o Caleb chegou... eram 2 ''gaviões'' disputando a atenção da moça.
Até no fim do mundo os homens se matam quando pensam com a cabeça de baixo
Apesar de ter somente 3 personagens (atores conhecidos e de peso) e ser previsível, não é um filme ruim. Bom passa tempo apenas.
Z FOR ZACHARIAH
Direção: Craig Zobel
Ano: 2015
Assistido em: 15/09/2024
Dizem que o cinema independente é muito mais inteligente que o cinema comercial, mas eu discordo totalmente, filmes bons saem de todos os lados, seja do underground ao mainstream, dos Estados Unidos ou de qualquer outro país do mundo, assim como também os filmes ruins, que pipocam de tudo quanto é buraco. Quando li a sinopse de Z for Zachariah, me interessei em saber como seria desenvolvida a dinâmica dos três únicos sobreviventes de um apocalipse nuclear, entretanto o que mais me impressionou foi o total desperdício de oportunidade.
Em um futuro pós-apocalíptico, Ann, uma jovem, acredita ser a última sobrevivente da humanidade em um vale isolado. Até que ela encontra John, um cientista, também buscando refúgio. A frágil confiança entre eles é testada quando um terceiro sobrevivente, Caleb, surge.
Vi que muita gente interpretou o filme como uma alusão a passagem bíblica do Jardim do Éden, com Adão, Eva, a Serpente e por aí vai, de fato é uma análise muito boa, uma analogia bastante interessante, mas confesso que minha interpretação é bem mais simples, a mensagem para mim foi mais clara: quando existe três, um está sobrando, e aí que nasce um dos sentimentos mais inerentes ao ser humano, e também um dos mais horrorosos que é a inveja. Na minha concepção, tudo que vemos em tela é um personagem cheio de ressentimento, se sentindo ameaçado, sendo deixado para trás, por conta do outro, e muito espertamente ele esperou o momento correto para agir, para dar o bote, provando que mesmo após o fim da humanidade, o ser humano continua o mesmo, sem mudar, sem aprender.
Mas quando eu disse que o filme é um desperdício é porque ele tem três excelentes atores a disposição, Margot Robbie, Chris Pine e Chiwetel Ejiofor, todos tem uma excelente presença, mas ela não é bem utilizada pelos personagens. Estava ansioso para ver como os três protagonistas iriam explorar o mundo vazio, ver a tentativa dos mesmos de um retorno a normalidade, porém tudo é tão insosso, tão sem graça, esses personagens são tão chatíssimo e sem nenhum carisma que não consegui gostar nem me importar com nenhum deles, tanto faz tanto fez se morriam ou não, isso sem falar do desfecho broxante.
Z for Zachariah se mostra um filme como outro qualquer, com um bom ponto de partida entretanto desperdiçado, talvez um roteirista mais audacioso tivesse desenvolvidos cenas mais interessantes de conflito entre essas personagens, e pensando em alguma espécie de catarse, ou um clímax mais eficiente, pois convenhamos, nada que acontece aqui é surpreendente, é inesperado, ou revolucionário, o roteiro segue à risca tudo que você imagina e espera que vai acontecer e não se atreve nem arrisca a fazer algo minimamente diferente do esperado.
Comédia romântica no mundo pós-apocaliptico.
(To de brinks.)