Nedjma é uma jovem estudante de espírito livre e independente. Ela se recusa a permitir que os trágicos eventos da Guerra Civil da Argélia a impeçam de experimentar a vida normal de uma jovem.
Papicha mostra como o fanatismo pode transformar o que se diz sagrado em instrumento de opressão. Vidas são ameaçadas e destruídas em nome da moral, enquanto os mesmos que pregam virtude não hesitam em assediar e controlar mulheres por causa de suas roupas. Um retrato duro da intolerância e de um dos lados mais vis do ser humano.
Comecei a ver de forma despretensiosa, mas mexeu comigo. O clímax do filme me pegou. Bah, sem palavras. Até fui pesquisar sobre a história da Argélia depois disso. Pesado.
Essa obra funciona como uma espiral de terror crescente, tudo começa devagar, uma proibição ali pela família, um veto ali pelos costumes, uma proibição acolá pelas crianças, e quando vemos já está tudo mergulhado no mais puro fanatismo religioso com caos total e guerra civil. Gosto como os personagens baladeiros do começo do filme, que parecem tão educados ao oferecerem caronas para as meninas, começam a mostrar o lado ruim e opressivo deles aos poucos e isso acontece com todos os personagens, até com as amigas mais próximas dela, mostrando como o fanatismo religioso vai se apoderando da sociedade bem devagar e quando acordamos já é tarde demais para voltar atrás, já estamos enfraquecidos e enrolados quando acontece o bote final da serpente.
Geralmente eu não gosto muito de filmes com muitas explicações, mas aqui não faria nada mal entender um pouco melhor algumas mortes, principalmente a que acontece no começo do filme. Destaque para a química do elenco principal que está muito boa na tela, as interações são tão boas que por alguns minutos ao vermos aquelas jovens se divertindo com tão pouco que até esquecemos de toda a opressão que elas enfrentam em seu cotidiano e conforme o final vai avançando tudo desaba completamente, mas o autoritarismo não conseguiu apagar totalmente a identidade daquelas pessoas e prova disso é o patriotismo dela, que pode até parecer utópico demais, mas não é cego e nem romântico , principalmente quando ela recusa a ir para a França para ficar na Argélia lutando pelo que acredita, como forma de homenagear sua irmã falecida e em paralelo a isso podemos ver também a intenção do roteiro de lembrar das mulheres reais que não abandonaram a Argélia nos tempos mais sombrios de sua história.
A palavra papicha é uma gíria argelina dos anos 90 usada para descrever garotas jovens, bonitas, independentes e cheias de energia.
Ao colocar a rosa e o tecido tradicional (haïk) sobre os túmulos de sua irmã Linda e de sua melhor amiga Wassila, Nedjma está honrando a essência dessas jovens. A flor representa a beleza e a alegria que o fanatismo religioso tentou, mas não conseguiu, apagar da memória delas.
Esse filme me pegou... Ótimas atuações e, por mais que a temática possa soar um pouco "batida" (opressão de mulheres no Islã), aqui ela ganha novos contornos e até aquele questionamento básico, que nem todo filme traz, de que "será que o problema é a religião? Ou os seus praticantes?" A Lyna Khoudri é um encantamento à parte... Todos os prêmios que essa mulher ganhou ainda é pouco para ele. O filme foi aclamado em Cannes e é vagamente inspirado em histórias que a diretora ouviu enquanto era jornalista... Ou seja, o "baseado em uma história real" é bem vagamente inspirado, provavelmente a maioria seja ficção...
A semelhança de muitas cenas e do próprio roteiro com outros filmes cujas temática são sobre perda de liberdade(s) enfraqueceu a emoção da obra. Inclusive algumas deixas para os acontecimentos seguintes já são batidas também. No entanto, não deixa de ser bela a perspectiva do amor das mulheres pela Argélia ao passo que o regime islâmico radical cresce e impõe a total submissão. Vale a pena assistir!
Papicha mostra como o fanatismo pode transformar o que se diz sagrado em instrumento de opressão. Vidas são ameaçadas e destruídas em nome da moral, enquanto os mesmos que pregam virtude não hesitam em assediar e controlar mulheres por causa de suas roupas.
Um retrato duro da intolerância e de um dos lados mais vis do ser humano.
Comecei a ver de forma despretensiosa, mas mexeu comigo. O clímax do filme me pegou. Bah, sem palavras. Até fui pesquisar sobre a história da Argélia depois disso. Pesado.
Essa obra funciona como uma espiral de terror crescente, tudo começa devagar, uma proibição ali pela família, um veto ali pelos costumes, uma proibição acolá pelas crianças, e quando vemos já está tudo mergulhado no mais puro fanatismo religioso com caos total e guerra civil. Gosto como os personagens baladeiros do começo do filme, que parecem tão educados ao oferecerem caronas para as meninas, começam a mostrar o lado ruim e opressivo deles aos poucos e isso acontece com todos os personagens, até com as amigas mais próximas dela, mostrando como o fanatismo religioso vai se apoderando da sociedade bem devagar e quando acordamos já é tarde demais para voltar atrás, já estamos enfraquecidos e enrolados quando acontece o bote final da serpente.
Geralmente eu não gosto muito de filmes com muitas explicações, mas aqui não faria nada mal entender um pouco melhor algumas mortes, principalmente a que acontece no começo do filme. Destaque para a química do elenco principal que está muito boa na tela, as interações são tão boas que por alguns minutos ao vermos aquelas jovens se divertindo com tão pouco que até esquecemos de toda a opressão que elas enfrentam em seu cotidiano e conforme o final vai avançando tudo desaba completamente, mas o autoritarismo não conseguiu apagar totalmente a identidade daquelas pessoas e prova disso é o patriotismo dela, que pode até parecer utópico demais, mas não é cego e nem romântico , principalmente quando ela recusa a ir para a França para ficar na Argélia lutando pelo que acredita, como forma de homenagear sua irmã falecida e em paralelo a isso podemos ver também a intenção do roteiro de lembrar das mulheres reais que não abandonaram a Argélia nos tempos mais sombrios de sua história.
A palavra papicha é uma gíria argelina dos anos 90 usada para descrever garotas jovens, bonitas, independentes e cheias de energia.
Ao colocar a rosa e o tecido tradicional (haïk) sobre os túmulos de sua irmã Linda e de sua melhor amiga Wassila, Nedjma está honrando a essência dessas jovens. A flor representa a beleza e a alegria que o fanatismo religioso tentou, mas não conseguiu, apagar da memória delas.
Esse filme me pegou...
Ótimas atuações e, por mais que a temática possa soar um pouco "batida" (opressão de mulheres no Islã), aqui ela ganha novos contornos e até aquele questionamento básico, que nem todo filme traz, de que "será que o problema é a religião? Ou os seus praticantes?"
A Lyna Khoudri é um encantamento à parte... Todos os prêmios que essa mulher ganhou ainda é pouco para ele.
O filme foi aclamado em Cannes e é vagamente inspirado em histórias que a diretora ouviu enquanto era jornalista... Ou seja, o "baseado em uma história real" é bem vagamente inspirado, provavelmente a maioria seja ficção...
A semelhança de muitas cenas e do próprio roteiro com outros filmes cujas temática são sobre perda de liberdade(s) enfraqueceu a emoção da obra. Inclusive algumas deixas para os acontecimentos seguintes já são batidas também.
No entanto, não deixa de ser bela a perspectiva do amor das mulheres pela Argélia ao passo que o regime islâmico radical cresce e impõe a total submissão. Vale a pena assistir!