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Data de lançamento
26 Ago. 1955Duração
No início do século 20, Abul é um menino pertencente a uma pobre família brâmane de um vilarejo na Índia. Seu pai, poeta e sacerdote, é forçado a deixar seus entes queridos em busca de trabalho. Uma das obras-prima do cinema mundial, inédita no Brasil e nas Américas. Este filme foi a estréia espetacular de Satyati Ray. Recuperada a finais dos anos 90, pois um incêndio destruiu os negativos originais, esta é a primeira fita, que deu origem a Trilogia de Apu. Nela se narra a comovente história de uma família de Bengali perseguida pela má sorte. O pai, Harihara, é um sacerdote mundano, curandeiro, sonhador e poeta. Sabajaya, a mãe trabalha para alimentar a uma família, que recebe com alegria e esperança a chegada de um novo filho, Apu.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Se alguém tivesse dúvidas sobre o que é uma obra-prima do cinema, bastaria assistir à 'Trilogia de Apu' (1955–1959), em que cada filme representa a mais pura definição de arte. Os negativos originais dessa joia do cinema indiano foram destruídos em um incêndio, mas, graças à localização de fragmentos e cópias de segurança, a obra pôde ser restaurada. Ao longo dos três filmes, acompanhamos a infância, adolescência e maturidade do protagonista, Apu.
O primeiro deles, "Pather Panchali (A Canção da Estrada)", retrata sua infância pobre e cheia de dificuldades em um pequeno vilarejo rural de Bengala. Ali viviam, em condições precárias, seus pais, sua irmã e uma velha tia. Apesar da pobreza e dos muitos sonhos não realizados, Apu desfruta de uma infância tranquila, sem plena consciência das tragédias que acontecem ao seu redor.
O diretor Satyajit Ray se inspirou no romance de Bibhutibhushan Bandyopadhyay e conduziu esse drama com enorme sensibilidade. Cada elemento é perfeito e contribui para torná-lo uma obra espetacular: as atuações emocionantes, a fotografia magnífica e o enredo carregado de lirismo. Junto de Apu, respiramos a beleza daqueles primeiros anos de vida e suas descobertas.
O mais triste e perturbador desse filme é que se ele fosse filmado hoje e pegassem uma família pobre aleatória na Índia, mostraria os mesmos problemas e sofrimento da família do Apu, casa caindo aos pedaços, sem dinheiro, sem comida, se pega uma doença tá ferrado, me deu pena da Tia, vou seguir para o restante da trilogia sempre esperando o pior.
Grande estréia do lendário Ray , mostrando a rotina de uma empobrecida família com bastante sensibilidade , abordando temas como mesquinhez , amadurecimento e luto . Conhecido como o episódio inicial da "trilogia de Apu" , que aqui ainda é um menino. São memoráveis as cenas da tia ladra (a cena em que ela percebe que não é mais bem-vinda é tocante) e as da filha que é influenciada por ela. Clássico.
Coisas que quero guardar:
Os olhos graúdos de Apu, tão curiosos em algum momento e tão melancólicos noutro.
A vivacidade da Durga, mas também a incompreensão e excessiva severidade do mundo dos adultos com ela.
A severidade triste da mãe.
Aquela cena em que ela fala dos sonhos que possuía e tenta convencer o marido a se mudar.
Os vizinhos invadindo a vida uns dos outros, opinam e criticam decisões.
As pessoas sempre julgando, e a importância que isso tem no andamento da narrativa.
A comida mostrada excessivamente justo porque tão escassa.
O marido com olhos sonhadores, mas com uma ironia no final, uma desilusão por trás dos olhos.
A cena da tempestade na casa junto à febre de Durga.
A cena em que o pai chega de viagem com os presentes.
Família de rostos cansados rumo a uma outra coisa, qualquer coisa.
A necessidade de deixar a casa ancestral e buscar algo novo, mesmo que os outros desaprovem.
A Canção da Estrada é o meu primeiro contato com o cinema do Satyajit Ray e a impressão não poderia ter sido melhor. É um drama familiar humanista poderoso em que o cenário repleto de precariedade serve como pano de fundo para o desenvolvimento das relações humanas. Temas como paternidade/maternidade, infância e velhice são desenvolvidos de forma sublime. E apesar de todas as dificuldades, o cenário decadente passa uma certa melancolia e é ilustrado de maneira muito bela, sensível e poética. Não sei explicar, mas em certos aspectos eu o achei parecido com Como Era Verde o Meu Vale, obra-prima de John Ford. Tecnicamente é um filme perfeito. Uma obra-prima. Pretendo ver outros filmes do diretor e do cinema indiano em geral.