Últimas opiniões enviadas
Para Mylene, a escrita é comunicação. Para Edgar, é tentativa de controle. Uma narrativa, quando está sendo escrita, constrói-se através de forças de criação e de destruição, com seu estabelecimento de intrigas e também seus momentos de harmonia, um mundo controlável como em uma partida de xadrez - mas sempre sob a ameaça (às vezes até bem-vinda) do caos.
Um pouco como ler os poemas de Prévert (que escreveu o roteiro), mas assim como os poemas, esse filme não consigo explicar ou parafrasear, só fechar os olhos e lembrar de como me senti. Os olhos tristes e expressivos de Baptiste é o que chega primeiro, e seus gestos em silêncio. De outro lado, a grandiloquência carismática e espirituosa de Frederick. O ladrão e assassino que também era um autor de peças de teatro. Avril, seu comparsa cheio de emoções. Jericó, o velho mendigo enigmático, com suas frases repetidas, sua presença intrusiva, que me lembra o destino. Garance, com o charme da risada e a tristeza da perda. Nathalie e seu destino de Pierrete ignorada, seus olhos cheios de força. A simplicidade difícil do amor. Um elogio dos sonhos – mas sem ignorar o potencial da realidade em apagá-los. Não à toa, o mímico dorme para que possa sonhar.
Acho que é um dos filmes mais bonitos que já vi, e não consigo falar dele, talvez por isso mesmo. Me dá vontade de ver, de criar, de sonhar, de me encher de poesia, de ser interessante, de achar os outros interessantes. Dá vontade de amar, vontade de entrega a um sentimento, a um sonho. Dá vontade de ser menos pragmática do que sou. Dá vontade de voltar para algum lugar de onde nunca saí, embelezada pela memória. Dá vontade de lembrar um grande amor perdido que não existiu, de inventá-lo para curar com sonho minha exatidão. Quero meu Arlequim, quero meu Pierrot, quero quem dê flores à minha estátua.
Últimos recados
O novo app do Filmow é oficial!
Olá, cinéfilo!
Depois de 2 meses em beta, o novo app do Filmow agora é oficial e 100% funcional.
Baixe aqui:
Android: https://filmow.s.gy/vIEnVo
iPhone: https://filmow.s.gy/esyxMU
Queremos ouvir você: gostou? O que falta? Como melhoramos?
Chama no WhatsApp +55 11 97103-8686 ou avalia direto na loja.
Bons filmes!
Equipe Filmow
Uma internet que falha, uma imagem paralisada, um som entrecortado, compreensões misturadas a incompreensões. Um filme que é um diálogo, uma constante tentativa de conexão, com todas as imperfeições e falhas que isso envolve, tanto falhas no canal por onde passa essa comunicação, ou na língua estrangeira com que se comunicam, quanto falhas em um sentido mais existencial, de certas barreiras que não conseguem ser ultrapassadas, certas emoções que talvez nunca possam ser plenamente compreendidos., certas perguntas que podem sempre ultrapassar a medida ou ficar aquém dela.
E, ainda assim, como é importante esse movimento de aproximação. É um filme sobre a Fatma, sobre Gaza, mas também sobre essa tentativa de conexão, uma mulher tentando alcançar essa outra mulher, outra artista, presa no meio do horror, daquilo que beira o indizível. E, no meio disso, Fatma fala, conhecemos sua vida pelas suas palavras e suas imagens. É tudo precário, mas é o que é possível naquelas circunstâncias. Ela tem uma vivacidade, um sorriso enorme e um interesse pelo mundo, que não chegam a sumir, mas que vemos diminuir um pouco conforme o tempo passa, com a mesma impotência de Sepideh.
Algumas pessoas reclamam de algumas das perguntas de Sepideh, ou de algumas coisas que ela diz, por não serem tão sensíveis como acham que deveriam, e concordo que algumas coisas podiam ser diferentes, mas como saber como agir, o que dizer, o que não dizer, diante do absurdo que circunda a vida de alguém que não podemos alcançar, que não podemos ajudar, talvez somente ouvir, deixar que fale o que tem para falar, estar junto como der para estar?
O diálogo é vulnerável diante da absoluta vulnerabilidade. Acho que o equívoco e a imperfeição fazem parte dessa tentativa. Todo mundo tem sido pouco diante do horror.