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Pecados de Guerra é baseado na história real de um esquadrão de soldados retidos no pântano moral dos tempos da guerra do Vietnã. Testemunha de um crime em uma vila, o soldado Eriksson é forçado a permanecer sozinho contra seus companheiros e seu oficial de comando, o sargento Meserve, um homem poderoso e carismático pressionado ao limite da barbárie pelo terror e brutalidade do combate.
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IMPRIMATUR - visto prla primeira vez em 1993:
Ponto positivo na filmografia do Michael, tem uma ideia central perversa e interessante.
Avaliação em nota: 7.4
Filme excelente! Mostra um pouco do terrorismo promovido pela merda dos Estados Unidos no fracasso norte-americano que foi a sua participação na Guerra do Vietnã, tudo em nome do capitalismo. A edição do filme é maravilhosa, e foi ver legal Sean Pean, Michael J. Fox, John C. Reilly e o Ving Rhames atuando nos seus auges da juventudade.
O filme transmite de forma bastante autêntica sua mensagem sobre os traumas da guerra, reforçada pelas boas atuações dos atores, que estão muito bem em seus papéis. O enredo percorre uma linha tênue entre o amargo e o sensível.
Tem Alguns Spoilers...
Grande filme! "Pecados de Guerra", faz um mergulho nos intestinos das moralidade e da psicologia da Guerra do Vietnã, abordando um evento real de barbárie desses que se você tiver um berro na mão, lava a alma na vendetta.
Dirigido por Brian De Palma, o filme conta a história do recruta Max Eriksson (Michael J. Fox), que testemunha um crime hediondo cometido por seus companheiros de esquadrão, com sequestro, estupro e assassinato de uma jovem vietnamita. Liderados pelo Sargento Meserve (Sean Penn), os soldados abraçaram o crime, pela miséria de seres que eles se tornaram.
E sem remorso, numa maldade tenebrosa e como psicopatas, eles cometeram o crime, aos olhos aterrorizados de Eriksson, que se viu isolado e debaixo de uma hierarquia de comando, teve que enfrentar a inércia e a hostilidade de seus próprios companheiros ao tentar denunciar o ocorrido.
É um soco no estomago. Palma deixa a gente sem chão, mostrando a brutalidade o crime, de forma crua, visceral e sem filtros, onde o conflito foi o pano de fundo para mostrar a barbárie dos homens no ambiente mais cruel que a humanidade pode enfrentar. Acredito que um conflito armado deve ser algo tão cruel, que faz saltar de qualquer individuo suas piores intensões, seja ocultas ou aparentes.
De Palma é conhecido por ter aquela direção toda cheia de estilo, que me fez até torcer o nariz, pela ausência dela. Mas ele faz um trabalho grandioso, expondo um fato horrendo que não pode ficar esquecido. Crimes de guerra, são crimes, os soldados (a), que agem como bandidos, assassinos, estupradores, devem ser punidos como todo rigor das leis estabelecidas pelos tratados. O filme não apresenta essas cenas, mas o desespero, o horror que a vitima mostra, não tem como ser pior. As cenas são desesperadoras.
E ver o personagem do J. Fox, preso as ações dos companheiros, sem poder fazer quase nada, sob pena de ser assassinado na selva, o fez agir com extrema cuidado, quebrando regras e expondo pros seus amigos, que ele não admitia e não concordava com aquilo. E depois ver o perigo que ele passou, com seus companheiros tentando mata-lo, ver a vergonha que foi assistir seus superiores acolherem a denuncia, mostra o corporativismo monstruoso que existe (também) no militarismo.
O julgamento foi tenso, mas sorte que ele teve em mostrar o corpo. Essa foi sua salvação, pois era certo que ele acabaria preso e depois morto sem querer, depois de tudo que fez.
Guerra é guerra. Sim, alguém falar que existem regras o cara está mentindo. A barbárie é solta, é matar ou morrer. Vale tudo. As vidas dos civis sempre serão protegidas, mas e quando eles agem junto com o inimigo (como foi uma cena antes dos crimes), fica difícil de se agir como está escrito no livro de regras. Acho que a questão disso é você lembrar que está na guerra, é matar ou morrer, matar para sobreviver, mas não matar por matar.
Nossas leis são bagunçadas, mas tem uma que nunca falha.
Eu me lembro que eu saí correndo da escola pra ver o filme, mas só vi a cena final do julgamento com o nosso herói da época Michael J. Fox, passando entre os condenados.
Grande filme!
CASUALTIES OF WAR
Direção: Brian De Palma
Ano: 1989
Assistido em: 19/07/2025
Como um ex-militar, filmes de guerra sempre mexem comigo. É claro que eu nunca estive em um conflito armado, mas toda a mecânica do exército, seja ele de qual país for, é muito parecida. Eu sempre fico muito impressionado, e é impossível não traçar paralelos com a minha realidade. Esse filme, por exemplo, trata de uma das coisas mais difíceis de você lidar quando está inserido no meio militar, que é a questão do respeito à hierarquia acima de qualquer coisa — e, quando eu digo “acima de qualquer coisa”, é porque é algo absolutamente insano que acontece dentro de um quartel.
Durante a Guerra do Vietnã, o soldado Eriksson presencia um crime brutal cometido por seus companheiros de pelotão: o sequestro, estupro e assassinato de uma jovem vietnamita. Dividido entre a lealdade ao grupo e seus princípios morais, ele decide denunciar os responsáveis, enfrentando a hostilidade dos colegas e o silêncio do sistema militar.
Uma guerra é o ato de desespero, de insanidade mais contundente que o ser humano é capaz de fazer. O tanto de histórias que nós já tivemos conhecimento desde a Antiguidade até os dias de hoje só provam que, na guerra, só morrem inocentes, enquanto os verdadeiros responsáveis seguem seguros, puxando as cordinhas por trás. Crimes como este que o filme retrata não são incomuns — muito pelo contrário, creio eu que eram mais frequentes do que se imaginava. Só não existia uma pessoa sensata como o personagem do Michael J. Fox, que quebrava essa maldita cadeia de obediência cega praticada pelas forças militares para colocar a boca no trombone. E é exatamente aí que está o problema: você, quando está do lado de dentro do sistema, acaba colaborando com ele. Ao se omitir, você se torna cúmplice — e aqui vemos como sofre aquele que vai contra a lavagem cerebral.
Brian De Palma é um dos grandes, isso é nítido. A direção dele é muito crua, é muito séria, ele mostra tudo de uma forma muito clara. Mas aqui eu acho que o roteiro é muito arrastado e falha em prender a nossa atenção totalmente. Durante muitos momentos da trama, fiquei disperso e minha cabeça foi parar em outro lugar. Além disso, a parte da investigação e julgamento do caso foi muito breve — deveria ter sido mais elaborada e explorada.
O elenco é excelente: temos o Michael J. Fox, que é um dos meus atores favoritos da vida, como o Eriksson; temos o Sean Penn fazendo papel de doido — mas aí, normal pra ele; temos Thuy Thu Le, uma atriz até então desconhecida, mas que deu show de interpretação; e, em papéis secundários, temos inúmeros atores que hoje são bastante famosos em Hollywood. Outro ponto de destaque são as belas paisagens tailandesas, aqui representando o Vietnã; a trilha sonora do sempre lendário Ennio Morricone.
Casualties of War é um filme bem incomum. Geralmente, quando os Estados Unidos se propõem a fazer algum longa sobre guerra — seja ela do Vietnã ou da Segunda Guerra, não importa qual for — eles têm o costume de se retratar como os heróis, como aqueles que estão ajudando o mundo. Mas aqui, eles retratam apenas uma pontinha do iceberg do quão horrorosas, horríveis, são algumas (muitas) das ações de seu exército. E sejamos honestos: são de todos os exércitos, porque crimes como os que são retratados aqui são comuns em todos os países, e não estão muito longe da realidade, não. A diferença é que, desta vez, pelo menos teve alguém com coragem suficiente para contar a história — e, alguns anos depois, outras pessoas também com coragem de levá-la e escancarar para o mundo. Agora a pergunta: por acaso o filme do De Palma tem um décimo do reconhecimento de outras obras que colocam os soldados americanos como grandes heróis? Essa é uma pergunta que não precisa de resposta.