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Data de lançamento
25 Set. 2014Duração
Nelly Lenz é uma sobrevivente do campo de concentração durante a segunda guerra mundial, onde foi deixada terrivelmente desfigurada. Após uma cirurgia de reconstrução facial, Nelly volta à Berlin em busca do seu marido Johnny. Quando ela finalmente o encontra, Johnny não a reconhece. No entanto, ele se aproxima dela com uma proposta.
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Aquele final me arrepiou... Petzold tal como Isabel Coixet, os melhores diretores europeus da atualidade.
Phoenix 8.5/10
Phoenix tem aquele aspecto de filme europeu que não caminha pelo óbvio do cinema que mais nos acostumamos a ver.
O nome não é apenas a óbvia referência ao mítico pássaro que morre e renasce nas próprias cinzas como também é como o bar onde todo o start do filme irá acontecer, isso numa Alemanha totalmente destruída e derrotada após o fim da segunda guerra mundial.
A história da mulher que sobrevive aos campos de concentração nazistas mas tem seu rosto desfigurado por si só já é forte, mas o bom diretor Christian Petzold coloca ainda mais sal na ferida brincando inicialmente com a revolta e a curiosidade do espectador quando a nossa personagem principal se reaproxima do ex-marido, que sabemos desde o início ser o principal culpado pela sua captura e prisão.
Isso é estendido quando ele se aproxima da mulher "que lembra muito sua ex-esposa falecida" e propõe que ela a imite para juntos receberem uma herança que existe no nome da mulher.
Numa mistura de noir com drama histórico, com uma nova faceta de filmes de guerra sendo explorada, há uma abordagem bem executada que mistura esperança, inocência, incredulidade, culpa, responsabilidade. Num jogo psicológico ardiloso, por vezes confuso e conveniente, mas que guarda para seus 10,15 minutos finais um desfecho arrebatador.
A impressão que eu tive foi a de começar a assistir uma série pela segunda temporada.
O diretor espera que eu entenda todo o contexto de vida dos personagens e me importe com eles sem desenvolver nada propriamente.
Mas fica difícil me importar com uma trama que, ainda que seja muito interessante no papel, na prática é executada de maneira apática, estranha e muito atropelada.
Sinto que vi o esboço de um filme que poderia ser excelente.
Felizmente comecei a filmografia do Petzold por "Afire" (que é maravilhoso), porque se eu tivesse começado por este aqui, jamais teria dado continuidade.
Esse filme sintetizou tudo que escutei de Petzold mas que nunca consegui sentir ou apreciar, quantas camadas, quanta força, simplesmente impressionante como com tão pouco se é possivel dizer muito e melhor, te fazer sentir muito.
Nelly só queria ter sua vida de volta: seu marido, sua rotina, seu rosto. Contudo, as pessoas afetadas diretamente pela segunda guerra não são mais as mesmas, elas estão mudadas, por vezes irreconhecíveis.
Ao ler a review do professor Philippe Leão, brisei aqui que Petzold lembra muito a micro-história (e aqui me falta mais embasamento teórico pra argumentar, faz tempo que estudei isso, e é apenas o segundo longa que vejo do diretor): a partir dos acontecimentos específicos da vida de Nelly no pós-guerra, conseguimos entender mais do macro, do todo, daquela situação e contexto que vivia a Alemanha
E aquele final, coisa linda