Esta é a história de Fernanda, um travesti brasileiro de 19 anos, que sonha em se tornar mulher normal, de uma dona de casa comum. Ela vai para Milão onde trabalha como prostituta para juntar dinheiro para fazer uma operação de mudança de sexo. Nas ruas, ela se transforma em Princesa, uma figura com estilo que faz muito dinheiro e muitos amigos entre as prostitutas e os clientes. Uma noite, Fernanda conhce Gianni, um italiano bonito e casado. Os dois se apaixonam e ele se oferece para pagar a operação de mudança de sexo de Fernanda.
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"Na Itália, o 'feminino' não é apreciado", um amigo travesti a informa, resignado e irritado, pois dá as boas vindas a Fernanda, que acaba de a Milão vindo do Brasil para trabalhar como prostituta, pagar uma operação para mudar de sexo, tornar-se mulher, encontrar um marido e passar uma vida tranquila como dona de casa. Na profissão Fernanda se transforma em Princesa, ela é muito bem sucedida com os clientes, ela se deixa proteger por Karin, uma transexual rica e solitária de meia-idade que ganhou a vida e agora organiza o comércio sexual, ela se apaixona (e é retribuída) por Gianni, um cliente bonito, formal e casado, com quem ela decide viver junto. Mas a "normalidade heterossexual" é uma condição muito triste, de uma realidade quase próxima a sua, com uma variante ínfima e uma profunda tristeza, uma aparência muito cristalizada para aqueles que vivem a diversidade por dentro e por fora. Apaixonada, Princesa, por modéstia e ilusão, recusa-se a fazer o que os clientes normalmente pedem às mulheres trans (ou seja, um papel "ativo") e, quando Gianni se mostra disposo a ser penetrado, ela o recusa. Mas não é apenas no jogo supérfluo e efêmero dos papéis sexuais que Fernanda se perde: o desejo de ser uma mulher "real" não é suficiente para circunscrever tabus, hipocrisias, destino: a esposa de Gianni aparece novamente, ela está grávida, ela implora o retorno de seu marido, ela afirma, humilde e inconscientemente desavergonhada, sua normalidade triunfante. Baseado no romance/testemunho de Maurizio Jannelli (Marco Tropea Editore) inspirado na história verdadeira de Fernanda Farias de Albuquerque, que por sua vez sugeriu a canção homônima de Fabrizio De Andrè, Princesa aspira a uma leitura realista, crua e didática, abordada mais de um ponto de vista ficcional do que sociológico. Há, no entanto, muitas contradições. Por um lado, o filme quase evoca as parábolas sobre eros e poder de algumas das obras de Fassbinder, Um Ano com Treze Luas, por exemplo, e escolhe uma estética que contamina o neo-realismo (muitos atores tirados da rua), o semi-documentário e o fotorrealismo. Por outro lado, ele tem pouca preocupação (talvez com razão) por uma abordagem "politicamente correta": Fernanda, uma menina pobre da província amazônica, é a primeira a ser vítima da norma bem-aventurada e do poder de fortes sexualidades (e papéis) (hetero e homossexualidade), ela é a primeira a nutrir (dentro de si mesma) os preconceitos que eventualmente a dominarão de fora. É por isso que o diretor brasileiro Henrique Goldman (a produção é anglo-italiano-alemã) se deixa levar, embora com discrição e respeito, por uma narração essencial, mas um pouco esquemática e arrastada por um pessimismo um pouco sucumbente e lânguido, às vezes excessivamente patético (que pode não ser apreciado pela comunidade transexual e muito menos por aqueles que se orgulham de reivindicar sua própria condição trans.
A impressão final - também por causa dessas cores granulosas - é que Princesa trabalha ao contrário, como se fosse um filme datado, com uma abordagem que lembra as ideologias e paixões dos anos 70. Mas o elenco, especialmente os não profissionais, funciona muito bem: começando pela protagonista Ingrid de Sousa (uma recém-chegada), mas a esplêndida, algida, blasé ambígua de Lulu Pecorari (como Karin), uma transwoman chamada Desejo com olhos brilhantes e uma voz enfeitiçante, também fascina e seduz. O filme é interessante; acho que podemos fazer várias leituras e a riqueza pode estar aí mesmo...
Na minha opinião, o filme é subestimado. Gosto da história, da narrativa, do ritmo, da fotografia e da trilha sonora. Talvez o "pecado" da obra seja a interpretação de algumas travestis. Mas, no geral, agradou.
Esse filme contribuiu para que eu pudesse concluir minha monografia de final de curso sobre tráfico de pessoas, uma vez que vários travestis e afins são traficados para a Europa quase todos os dias. Não obstante, já em relação a produção, o único ator no filme é o desconhecido Cesare Bocci. Além disso, o roteiro não é que seja fraco, mas é que além de ser uma versão erótica gay masculina semelhante a franquia Emmanuelle, não se pode exigir muito de uma equipe que estava mais preocupada somente em explanar uma relação homossexual. Todavia, poderiam ter evidenciado também de forma mais expansiva os conflitos sociais como a AIDS e o tráfego de pessoas. Assim, houve a perda de uma oportunidade de fazer uma ótima obra. Não se opondo, talvez a falta de recurso e um roteiro ruim tenham contribuído para que esse razoável trabalho, que mereça uma atenção especial pela iniciativa corajosa em trabalhar com um elenco pior do que aqueles atores da novela Malhação que não deram certo.
Roteiro fraco e mal escrito As atuações são péssimas e nem sei de certeza se atriz era de fato travesti ou não (não parecia).
roteiro sofrível e interpretações lamentáveis ...