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Data de lançamento
2 Set. 2005Duração
Vinda de uma família de classe média espanhola, a prostituta Caye passa os dias em um salão de cabeleireiro se arrumando para as longas noites e falando mal das imigrantes que cobram barato. Ela acaba conhecendo uma dessas "profissionais estrangeiras", a dominicana Zulema, com quem acaba desenvolvendo uma rara amizade.
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Alguém sabe onde encontro dublado pra assistir?
Muito legal de ver a amizade das gurias que dentro de uma caminhada tão pesada conseguiam manter uma certa leveza e descontração e com muita sororidade, as atrizes lindas, adorei! Cinema Espanhol <3
A tal profissão mais antiga do mundo, que ganhou retrato exemplar de suas angustias, sonhos e idiossincrasias, nesse tocante “Princesas”, de Fernando Leon de Aranoa traz a tona um milhão de nuances de algo que o mundo condena mas continua a viver indiferente, tal como a belíssima canção Filosofia de Chico Buarque. Cayetana (Candela Pena) e Zulema (Micaela Nevárez) são amigas e estrangeiras dentro do espaço territorial que ocupam dentro de suas famílias e dentro de si mesmas. Os reflexos que se obtém na banalização do sexo, quando ele se transforma em moeda de troca, estão explicitado no filme. Seja quando Zulema não consegue fazer sexo com um paquera, ou na forma que Caye se apressa em se vestir, ao termino de uma relação sexual com um futuro namorado, pondo as roupas, de costas para o companheiro, assim como faz com todos.
As “Princesas” de Aranoa, são jovens, entristecidas e, na medida do possível esperançosas; isso porque, de certa forma, é esse o único sentimento que cobra pouco e vale muito; ter esperança, mesmo quando a realidade está a te rasgar como punhal afiado! Uma complementa a outra como se refletissem a si próprias. (Ou a nós!?)
Zulema é a estrangeira, vinda da Republica Dominicana e faz parte das prostitutas de beira de rua, exiladas, doentes e ilegais, numa terra sem lei. Faz parte do bando de mulheres que se unem num “ponto” a espera de cliente. Por acaso estamos na Epanha. mas o lugar, essencialmente, não é o problema; poderia se estar em qualquer cidade ao redor do mundo; apanha de homem, sofre com a ausência de entes queridos e recebe uma espécie de “chacoalhão” da vida quando se vê portadora de uma doença sexualmente transmissível. Mantém, na mesma proporção, a força para lutar e o desejo de vingança, próprios em pessoas de sua idade, julgo eu. Bonita, como nenhuma outra prostituta do filme, a estreante porto-riquenha Micaela Nevárez, cativa e emociona, dando uma veracidade ímpar a personagem que migra sem a menor dificuldade do cômico para a denso desespero da sobrevivência, quando o que se deseja, espalhafatosamente, é a sua morte. Caye é uma jovem sem perspectiva, sem rumo, sem “ninguém”. Acha que seios turbinados com silicone lhe trarão mais clientes, embora não tenha a menor noção do que fazer com está possível ascensão na profissão. Seu sonho reside em ter alguém para buscá-la no final do expediente. É daquelas pessoas que não tem do que sentir saudades – argumentando que nada de bom aconteceu em sua vida – mas mesmo assim sofre com a(s) ausência(s). É estranho sentir saudades do que não existiu? possivelmente não é, respondo eu...É justamente o cotidiano banal e as simplórias - mas não menos importantes – expectativas de Caye, aliados a força e a vontade de vencer de Zulema, que fazem com que “Princesas” seja um filme inesquecível e indispensável na cinematografia espanhola. As protagonistas do filme possuem a mesma ternura que Hermila no brasileiro “O Céu de Suely”. A câmera do diretor faz com que sejamos vouyer do drama delas, dando a sensação de presenciar, ora de “fora”, ora de longe, suas rotinas, regadas ao contagiante som de Manu Chao. Impossível esquecer o vazio que há nos olhos mareados de água, de Caye e o seu relacionamento com “o programador de computadores”. Triste e inevitável fim para uma vida que parece não gozar de benefícios, apenas de débitos. Micaela não é Julia Roberts e daqui a uns seis meses, ninguém mais se lembrará de Caye. O que não deve acontecer com quem assistir ao filme de Aranoa. Princesas que permanecerão no nosso subconsciente e terão mais relevância; pelo menos é o que espero e indico...
Interessante esse drama espanhol que tenta humanizar uma das profissões mais questionadas da humanidade. Nesse filme duas prostitutas, antes rivais, se tornam amigas e o desenrolar da história é sobre o cotidiano delas num mundo cruel e injusto. Num roteiro que mostra todo o preconceito da sociedade, além dos dramas particulares de cada uma, é normal nos sensibilizarmos com as angústias das personagens. No mais é um bom filme, na linha dos trabalhos de Almodóvar.
"—¿Sabías que el mar aquí es muy importante?
—No hay mar aquí.
—Por eso, es dónde más se piensa en él. Las cosas no son importantes porque existen, son importantes porque se piensa en ellas. Mi madre lo dice siempre, que existimos porque alguien piensa en nosotros y no al revés. Dice que lo dijo no se quien, pero yo creo que se lo inventa ella. Se lo inventa todo según le convenga. Yo en realidad, no creo mucho en Dios, ni soy muy religiosa ni nada; mi madre si lo es, yo no. Lo único, si he pensado... y creo que... bueno que lo peor no sería que no hubiera nada después de la muerte, lo pero seria que hubiera otra vida. Y que fuera como esta."