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Duração
David Locke (Jack Nicholson) é um jornalista em viagem ao Deserto do Saara para reportar sobre as guerrilhas que acontecem no local. No hotel, ele conhece um homem muito parecido com ele que morre repentinamente. Querendo livrar-se dos seus problemas e mudar sua vida, David resolve assumir a identidade do falecido na espera de levar uma vida mais interessante. Aceitando as consequências, logo ele descobre que o homem era um traficante de armas.
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Meus parabéns pra esse filme que conseguiu me fazer falar mal de traduções de título para o português, coisa que nunca faço, mas pelo amor de Deus, isso aqui é claramente um jornas querendo exaltar a curiosidade da própria profissão.
Deixando este ponto de lado, o personagem perdido, querendo viver outra vida, logo nos conquista. Do que ele quer fugir? Do tédio, da esposa, da vida em si? Talvez nem ele saiba. As paisagens são lindamente mostradas junto com sua ausência de arrependimento. A movimentação de câmera tem seu ápice já ao final, quando não sabemos o que acontece dentro do quarto, apenas temos indícios de certas reações de fora do quarto e pequenos ruídos dentro dele. O tédio faz a gente se enfiar em cada coisa estranha.
Me lembrou Close Up, do Kiarostami, com alguém fingindo viver outra vida.
É interessante quando um filme nos faz questionar e refletir sobre alguns aspectos da vida. Isso é bem raro acontecer comigo, mas depois de terminar o filme, me vi nessa situação.
Tenho uma vida razoavelmente boa, ainda assim o filme abriu uma fresta: e se… e se eu simplesmente deixasse tudo e fosse viver uma nova vida? No interior da Espanha, ou na costa do Marrocos por exemplo. Uma nova língua, uma nova cultura, uma nova perspectiva. Apenas uma pausa para imaginar, sem a necessidade de chegar a alguma resposta.
As paisagens e os cenários são espetaculares. Sinto um apreço especial por cenários espanhóis dos anos 70, e o filme capturou isso de forma perfeita, tornando tudo ainda mais envolvente e memorável.
Um filme que não tem pressa alguma de se desenvolver.
Aos poucos acompanhamos David Locke (Jack Nicholson) tentando fugir o máximo que pode de sua vida, sem medir consequências. Seu olhar distante, mesmo que de um observador inveterado, reflete muito bem sua tristeza e falta de perspectiva. E assim vamos seguindo, em cenários que expressam tanto a beleza quanto a pobreza e a solidão.
Poético, melancólico e cru.
Um homem tentando fugir de si mesmo a todo custo. Jack Nicholson está muito bem, conseguindo entregar melancolia e uma leve esperança na medida certa. Os cenários escolhido pelo Antonioni são lindos e contam tudo sobre a trama. Feliz por ver a Maria Schneider, ela merece. 15/06/2024
Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Pensa em um cara que amava a vida que tinha (hahahahaha) e não foi deixado em paz pela mulher nem depois de morto. Assisti este filme quando era um adolescente em uma coleção de VHS lançado por um jornal. Já havia amado (é, eu era um garoto estranho) e agora acho que amei mais ainda. Um filme com personagens completamente perdidos, rumo a lugar nenhum em uma Espanha em seus últimos momentos da ditadura franquista. Talvez o movimento sem sentido de todos os personagens represente a falta de sentido na guerra. Adoro o ritmo que a película toma depois que Maria Schneider aparece, ao contrário de muitos críticos. Antonioni é mestre, sei que não é o tipo de filme para todo mundo, mas eu acho incrível. A cena final então, nem preciso falar, né? Talvez meu filme preferido com Nicholson.
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