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Data de lançamento
8 Set. 1982Duração
A polícia de Nova York fica desnorteada com a chuva de corpos e as notícias sobre uma criatura alada que está se alimentando dos habitantes da cidade. A criatura realmente existe, e o único que sabe onde está seu ninho é um criminoso que quer trocar a localização do seu "ninho" pela liberdade.
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Roteiro cheio de buracos.
Não é todo dia que uma serpente alada aparece em Nova York e a cidade reage como quem viu um pombo maior que o normal. Q: The Winged Serpent tem tudo pra ser um desastre delicioso — uma criatura dos tempos astecas sobrevoando arranha-céus, engolindo policiais, sequestrando banhistas desavisados — mas em vez de mergulhar no absurdo, ele patina no pouco. Pouco assustador. Pouco divertido. Pouco memorável.
A criatura em questão é um dragãozinho jurássico que parece ter saído de um stop-motion rejeitado. Ela se esconde no alto do Chrysler Building, num ninho convenientemente cônico, e faz seus ataques com um charme retro que beira o precário: pés de borracha, sobreposição de imagem duvidosa, muito uso estratégico de “não mostrar demais”. É o tipo de efeito que até funcionaria — se o filme tivesse sido lançado uns quarenta anos antes.
Mas o maior acerto (ou acidente) de Q é seu protagonista: um criminoso meia-boca, com aspirações artísticas e um ego maior que o dragão. Ele é do tipo que erra no assalto, foge de tudo, mas tropeça no ninho da criatura e percebe que pode transformar isso num passe livre para fama, dinheiro e reconhecimento. É um anti-herói tragicômico, meio Dudley Moore fora do bar, que resolve chantagear a polícia: “Eu digo onde tá o monstro se me derem imunidade, status.” Infelizmente, o roteiro tenta levar isso a sério — e tudo desmorona quando o filme lembra que precisa de um clímax.
Os personagens secundários são esquecíveis, os diálogos soam como rascunhos, e a investigação dos cultistas astecas — supostamente responsáveis por “invocar” o monstro com sacrifícios humanos — é tão telepática que parece que os policiais estavam com sinal direto da serpente no viva-voz. Uma bagunça ritualística mal resolvida, que dá a entender que o roteirista teve a ideia no almoço e terminou o terceiro ato no café.
No fim, o dragão sobrevoa, o bandido quase vira herói, a criatura recebe uma centena de balas, ninguém é promovido, e o filme termina com aquela piscadinha de “será que vem continuação?” (spoiler: não veio, e o mundo segue em paz). Mas há um certo charme, sim. Não por ser bom. Mas por tentar ser muita coisa ao mesmo tempo — filme de monstro, sátira política, drama existencial sobre fracasso, e quem sabe até um musical, se o pianista tivesse mais tempo de tela. Q é o tipo de produção que faz você desejar que o monstro tivesse roteirizado o próprio filme. Talvez com menos pressa. Talvez com mais mordida. Talvez com um plano de voo.
Pérola B divertida, a coisa mais doida do filme é seu protagonista paspalho, os efeitos stop motion deixam a fita charmosa, a criatura aparece pouco, mas entrega mortes bem sangrentas.
A Serpente Alada tem uma história interessante, mas mal desenvolvida. O bicho em stop motion envelheceu mal pra caramba, mas como resistir a um lagartão alado em plena Nova York dos anos 80 ? Eu adoraria ver um remake endinheirado desse filme.
O filme tem umas partes monótonas, mas algumas cenas são bem sangrentas.
O legal é a inversão de King Kong! O bicho fica voando e os atiradores é que e estão no topo do prédio.