Durante um procedimento cirúrgico, a consciência de uma mulher cai no "fuso horário eterno". Presa em muitos sonhos, ela encontra o cadáver de um androide e tenta acordá-lo contando histórias sem fim. O androide então vagueia pelas histórias e vê seus sentidos despertarem gradativamente.
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As duas primeiras historias foram os pontos altos pra mim, muito mais inpiradas em suas respectivas sensações e imageticas, que são abadonadas nas historias finais por algo mais "tatil". Muito engraçado outra vez a vida me colocando pra assistir um filme que diretamente ou indiretamente conversa com o filme anterior, se em Jane B. by Agnès V. a arte é usada como a exploração de Varda com Birkin sobre seus sonhos e psique, aqui Bi Gan usa a arte também como essa extrapolação do que conseguimos sonhar, e o que é o cinema se não isso?
No mínimo ousado quando seu diretor opta em narrar seu filme através de simbologias e analogias em detrimento da narração. Sim, o olhar de Gan Bi remonta ao passado do cinema, um olhar simbológico que já (quase)não existe mais. A O filme eternizado, mas que queima facilmente, que percorre seu caminho até o juízo final e sua devida extinção ( ou não?). Um retrato um tanto pessimista do futuro ou mesmo presente do cinema. Ainda vou remoer os dois contos budista e pai e filho que em uma primeira análise não fizeram muito sentido, agora o trecho mudo, o noir neon e final apocalíptico são de cair o queixo.
Gostei muito mas exige uma abertura sensorial pra alem.....
Uma imperdível aula de historia do cinema num raro caso de união das melhores e inovadoras técnicas e estilo ao longo do seu tempo, do expressionismo alemão, ao surrealismo, do noir à estética neon oitentista, de Murnau à Hitchcock, Antonioni, de Scott, Woo a Kar Wai, enquadramentos, plano sequência, fotografia, edição, enfim, uma viagem sensorial e um delírio visual cinematográfico de deixar qualquer cinéfilo hipnotizado. A trama? Bom, a trama vai ficar agora para a segunda sessão, depois que o efeito da hipnose passar! Belíssimo, raríssimo, uma obra prima indispensável pra quem AMA O CINEMA!
É difícil escrever resenha para um filme tão difícil de descrever. Nenhuma sinopse dá conta de resumi-lo, nenhuma logline dá uma dica do que se vai assistir. É inspirador ver um filme que, sendo homenagem ao cinema e sua história, foi feito com tamanho primor técnico. São feitos extraordinários do audiovisual, são detalhes intencionais que compõe um mosaico muito diverso e vibrante. É uma obra que nos encoraja a sonhar - uma vela nunca acesa pode durar pra sempre, mas vale mais a pena queimar e derreter, se for para iluminar o caminho. A arte pode nos custar muito, mas ela é fundamental, é o que nos aproxima da magia. Vi duas vezes na mostra. Isso é filme pra ver no cinema!