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Data de lançamento
11 Março 2019Duração
Bridget (Kelly O'Sullivan) é uma jovem que acaba de abortar um filho quando consegue um emprego de babá de Frances (Ramona Edith-Williams), uma menina de seis anos. Sem tempo para se recuperar, ela de repente se vê formando uma profunda amizade com Frances e participando de uma família com um casal em crise.
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Achei fofinho, adorei.
No início a Frances é bem insuportável mas depois fui vendo que era uma criança fofa e engraçada.
Se a pessoa tem uma visão conservadora e moralista provavelmente vai odiar.
O filme foca mais na Bridget suas ideias um pouco questionáveis do que na pequena Frances do titulo, que aliás em alguns momentos é um verdadeiro porre.
Um pequeno grande filme, aborda questões complexas com naturalidade , sensibilidade e descontração. Como progressista achei tudo redondinho e até educativo, não conhecia, vou panfletar!
"(...)
Franny: So you lied? You lie a lot.
Bridget: I do?
F: Yeah. Why do you do that?
B: ...I think... sometimes it feels better to pretend to be somebody else.
F: Why?
B: Because i'm not an impressive person. I don't have a husband, or kids, or a fancy job.
F: Do you have to have those things?
B: I don't know. I know that i wanna be better than i am. I wanna feel proud of myself.
F: I am proud of you.
B: You are?
F: Yeah!
B: Why?
F: You try even when you're scared.
B: Like when?
F: Like gymnastics, and ice skating and holding Wally, and when that bully was mean to mommy.
B: I was scared then.
F: And then you were brave. I am proud of you.
B: I'm so proud of you too, Franny.
F: I'm not Franny right now!
B: Oh, sorry.
F: Are there any other sins you need forgiven?
B: I mean, probably a lot.
F: Like any big ones...
B: No."
Caramba, Saint Frances é um filme que toca em tantos assuntos com um maestria impressionante, que eu fiquei muito surpreso ao chegar ao fim e perceber o nível da catarse que eu havia sentido assistindo ele. Eu realmente me emocionei com Bridget e sua curta trajetória que somos compelidos a acompanhar, e não só porque a personagem é apaixonante, mas justamente pelo que ela não é: Bridget é uma pessoa moralmente meio questionável, extremamente errônea em diversas coisas, comete um monte de decisões contestáveis, e mesmo assim, o roteiro tem a ousadia de nos fazer não só gostar dela, mas nos identificarmos com muita coisa que ela passa... e muitas dessas coisas são universais. Errar, tentar acertar, ser extremamente falha e às vezes até contraditória, não somos todos assim?
Ao mesmo tempo que tem temas universais facilmente identificados, esse é um filme que trata muito de algo que o cinema ainda trata muito pouco, que é a relação entre mulheres, mas uma relação de amizade, a "womanhood" que vai passando de geração em geração, os ensinamentos mesmo, o companheirismo, as tentativas, e certezas, de entender a outra por coisas que só são compreensíveis por mulheres. E muita coisa nesse filme é pra deixar claro essa ideia feminina de full circle: os homens sempre tão absurdos em suas hipocrisias, o aborto, o sangue (ou o ato de sangrar) que está presente em diversos momentos, as conversas, confrontos e mesmo as risadas que são dadas aqui e ali sobre assuntos que só serão inteiramente compreendidos por... mulheres. E foi algo que nesse filme me fez muito bem acompanhar, porque, por mais que eu jamais vá passar ou compreender totalmente nada disso, eu admiro muito essas individualidades e o aquilo que não é dito, mas compreendido por muitas, mesmo que não por todas.
A Bridget tem um papel diferente do comum, porque ela é a protagonista, e ao mesmo tempo é uma ponte para todas as outras mulheres que passam pelo seu caminho. Seja por Franny, seja pelas mães de Franny, tão diferentes mas tão parecidas no fim das contas, ou até pela mulher conservadora e homofóbica que cruza seu caminho em certo ponto do filme. Ela está ali para representar um papel, curar, e melhorar cada uma dessas mulheres e, mesmo tendo essa ousadia de ser imperfeita, entende, ao longo de sua jornada, que esse crescimento é mútuo e que ao mesmo tempo que ela está ali para ajudar todas elas em questões diferentes, todas elas também estavam ali para ajuda-la em suas questões tão específicas - que são muitas. Da cena da confissão, passando pelo telefonema no carro, o jantar, até o final do filme, é só paulada da realidade que o fim carrega consigo, mas é uma paulada com ternura. E essas, sinceramente, são as melhores.
Fiquei pensando que esse filme poderia ser uma obra-prima inesquecível se Kelly O'Sullivan tivesse se arriscado também na direção - Kelly é a atriz que faz a Bridget, e a roteirista do filme, e, curiosamente, também uma mulher da qual me tornei completamente fã. Nâo sei se ela não quis dirigir, ou se não conseguiu (a indústria não é fácil), mas a direção de Alex Thompson não ajuda muito nessa história, e nesse filme, em que o roteiro e o elenco, em consonância, brilham tanto. E é um tanto quanto esquemática também, embora não chegue a prejudicar o filme totalmente, afinal, estou aqui tecendo elogios a quase tudo nele. Enfim, esse é um pequeno filme apaixonante. E qualquer pessoa deveria ver.
Gostei muito de como o filme expõe e discute tudo aquilo que aqui ele considera retrógrado, com origem clara de boa parte da nossa hipócrita e conservadora sociedade. Toma partido de forma simples, sem muitas camadas. Além disso, com muitos méritos, o filme consegue ser agradável e com razoável sensibilidade. Kelly O'Sullivan segura bem o protagonismo e a menininha é incrível. Saint Frances é bom.