Rama, uma romancista, assiste ao julgamento de Laurence Coly no Tribunal Criminal de Saint-Omer na intenção de usar sua história como base para uma adaptação moderna do antigo mito de Medeia, mas as coisas não saem como esperado.
- a rama vendo a laurence e pensando “fudeu, e se eu for igual a ela?” - gostei muito dessa relação entre as duas e de como o filme vai construindo isso aos poucos, principalmente através das relações entre mães e filhas. tem muita coisa não dita aqui que funciona muito bem - também fiquei muito interessado na diferença do tribunal francês pro brasileiro, até porque a dinâmica é completamente diferente do que estamos acostumados a ver por aqui - um filme muito silencioso, mas que fala pra caralho
Aqui, apesar de ser um filme em que muitas coisas são faladas, o que não é dito grita forte. Algumas vezes há a suspeita do que poderia estar sendo dito ali ou não. Mas nada é muito certo. Em partes pela maneira como tudo é filmado, na maior parte do tempo com uma câmera parada e fixada só em uma pessoa. Seja porque nunca saberemos de fato o que aconteceu, já que o há aqui é filme de tribunal, e o espectador fica na mesma posição que a escritora que é uma observadora do que está acontecendo, e de alguma maneira tentando investigar o que há por trás daquilo, mesmo sendo tudo nebuloso o tempo inteiro.
qdo nos eh revelado q a senhora acima do peso q esta no julgamento eh a mae da acusada, eu passei a pensar q a protagonista tb estaria relacionada a ela e q em algum momento seria chamada para depor/testemunhar. e pensei q seria revelado depois q houve sim feiticaria e q teria sido por parte dela, q ela fez alguma aracubaca q incorporou na acusada pra matar a filha. MAs isso nao ocorreu e me frustrei e mto.
Lembrou-me do episodio de abertura da 7a temp de the walking dead qdo apos matar o glen e o outro cara ruivo la, corta pro rick no dia seguinte no trailer devastasdo e com flashbacks dos outros, dando a impressao de q o negan desceu o bastao de beisebol em tds eles, os matando.
Eu amo quando uma pessoa autora consegue subverter a lógica sensorial do audiovisual de maneira eficaz, como Derek Jerman fez em 1993 com o filme "Blue" e a temática do HIV, onde o poder da narrativa transforma o produto em obra-prima mesmo com a ausência de imagens. Alice Diop traz em Saint Omer algo semelhante, onde os momentos de ausência de som revelam a opressão silenciosa do assimilacionismo advindo da herança colonialista, enquanto reflete o isolamento feminino que antecede e sucede o período da maternidade. Fazendo um paralelo com a mitologia de Medeia, Diop trouxe pra nossa era uma releitura pungente que destaca a relevância e interseccionalidade abrangente aos assuntos tratados.
"...então vocês abrem os volumes de Direito Penal e a consideram culpada. Mas se fizerem isso, vocês terão proferido um julgamento, mas não terão feito justiça. Vocês terão respondido apenas à pergunta mais fácil, não aquela que vocês deveriam estar se perguntando. Se vocês não conseguem se perguntar essa questão, vocês continuarão na praia, atordoados pelo horror do crime."
Saint Omer é um drama de tribunal surpreendente, que expõem dilemas morais e políticos e geram uma riqueza de consequências emocionais para quem tá assistindo!! MaGavilhoso!!
- a rama vendo a laurence e pensando “fudeu, e se eu for igual a ela?”
- gostei muito dessa relação entre as duas e de como o filme vai construindo isso aos poucos, principalmente através das relações entre mães e filhas. tem muita coisa não dita aqui que funciona muito bem
- também fiquei muito interessado na diferença do tribunal francês pro brasileiro, até porque a dinâmica é completamente diferente do que estamos acostumados a ver por aqui
- um filme muito silencioso, mas que fala pra caralho
Aqui, apesar de ser um filme em que muitas coisas são faladas, o que não é dito grita forte. Algumas vezes há a suspeita do que poderia estar sendo dito ali ou não. Mas nada é muito certo. Em partes pela maneira como tudo é filmado, na maior parte do tempo com uma câmera parada e fixada só em uma pessoa. Seja porque nunca saberemos de fato o que aconteceu, já que o há aqui é filme de tribunal, e o espectador fica na mesma posição que a escritora que é uma observadora do que está acontecendo, e de alguma maneira tentando investigar o que há por trás daquilo, mesmo sendo tudo nebuloso o tempo inteiro.
gostei bastante mas queria ter amado. talvez se eu fosse mulher e mae teria me conectado ainda mais.
Confesso q senti-me ludibriado, ou chamaria de genial a abordagem da diretora a cerca de feiticaria envolvendo o crime.
qdo nos eh revelado q a senhora acima do peso q esta no julgamento eh a mae da acusada, eu passei a pensar q a protagonista tb estaria relacionada a ela e q em algum momento seria chamada para depor/testemunhar. e pensei q seria revelado depois q houve sim feiticaria e q teria sido por parte dela, q ela fez alguma aracubaca q incorporou na acusada pra matar a filha. MAs isso nao ocorreu e me frustrei e mto.
Lembrou-me do episodio de abertura da 7a temp de the walking dead qdo apos matar o glen e o outro cara ruivo la, corta pro rick no dia seguinte no trailer devastasdo e com flashbacks dos outros, dando a impressao de q o negan desceu o bastao de beisebol em tds eles, os matando.
Eu amo quando uma pessoa autora consegue subverter a lógica sensorial do audiovisual de maneira eficaz, como Derek Jerman fez em 1993 com o filme "Blue" e a temática do HIV, onde o poder da narrativa transforma o produto em obra-prima mesmo com a ausência de imagens. Alice Diop traz em Saint Omer algo semelhante, onde os momentos de ausência de som revelam a opressão silenciosa do assimilacionismo advindo da herança colonialista, enquanto reflete o isolamento feminino que antecede e sucede o período da maternidade. Fazendo um paralelo com a mitologia de Medeia, Diop trouxe pra nossa era uma releitura pungente que destaca a relevância e interseccionalidade abrangente aos assuntos tratados.
"...então vocês abrem os volumes de Direito Penal e a consideram culpada. Mas se fizerem isso, vocês terão proferido um julgamento, mas não terão feito justiça. Vocês terão respondido apenas à pergunta mais fácil, não aquela que vocês deveriam estar se perguntando. Se vocês não conseguem se perguntar essa questão, vocês continuarão na praia, atordoados pelo horror do crime."
Que lindo esse filme de terror.
Saint Omer é um drama de tribunal surpreendente, que expõem dilemas morais e políticos e geram uma riqueza de consequências emocionais para quem tá assistindo!! MaGavilhoso!!