Um jovem pobre, ambicioso e pouco educado do sul dos Estados Unidos está determinado a ser alguém e, para tal, decide tornar-se pregador e funda a sua própria igreja.
Assim como Cidade das Ilusões (1972), este filme se passa em uma cidade decadente e cheia de personagens marginalizados. A direção de arte e os figurinos causam estranheza pois parecem ser da década de 50, embora a história se passe na atualidade, isto é, no final da década de 70 (Esse anacronismo intencional também seri usado em outros filmes como Ruas de Fogo (1984) e Marte Ataca! (1996)). Brad Dourif, especialista em papéis excêntricos, está excelente, assim como Harry Dean Stanton e Ned Beatty, como dois malandros que tentam explorar a fé do protagonista em proveito próprio. Mas o roteiro nem sempre se desenvolve de forma interessante, com subtramas mal desenvolvidas, como o passado de Hazel, sua relação com o avô, assim como a subtrama do jovem Enoch (Dan Shor).
Lembrei muito do "Fat CIty", também do diretor. Uma coisa da "nova hollywood', cheia de críticas. No caso esse, principalmente à religiosidade. Porém, acho o Fat City muuuuuuito superior. Esse é bacana, cru, mas tem hora que não me empolgou tanto. Talvez as péssimas legendas que eu tinha, ajudou, kkkkkk
Um filme bem diferenciado sem dúvidas (para não dizer esquisito), além de "cru" é como uma emulação exagerada da realidade, destilando uma crítica ácida (com o uso de personagens e situações) às igrejas, oportunismos baratos, charlatões, falsos profetas, fanatismos, traumas pessoais, solidão e a necessidade de se ter um "porto seguro" ou algo para se apegar com todas as forças sendo bom ou não, real ou não, com bom karma ou não, divino ou não para os personagens. Interessante nesses quesitos. Fica bem claro.
Um tipo de filme que é levado de forma às vezes "real", às vezes como uma comédia, como um drama e tem horas que parece um "desenho animado", (com direito à "música pateta" e tudo) tudo misturado. Gostei bastante de alguns closes (hora sutis, hora escancarados) que o diretor usa para agregar mais a obra. Além da atuação dos atores que tem horas que fazem você se sentir "maluco" como eles no meio daquilo tudo, com tantas situações, frases e comportamentos "anormais" (porém plausíveis) que destilam. (Ri muito do Brad Dourif no início, seu chapéu e suas caretas e atitudes). Realmente o diretor não se segura e tem um "time" certo nisso, te instigando a continuar a ver onde vai dar aquilo tudo e aquele personagem "exótico" e instável.
Agora, assim, mesmo com todas essas qualidades/quantidade de coisas, mesmo que com seus tons de crítica e exageros propositais, senti que nem sempre acerta, deixando tudo muito "por cima". O que eu quero dizer com isso?! Que seus acertos também podem funcionar como "defeitos" (uma "faca de dois gumes") para alguns (como eu), pois com todo esse exagero e loucura o filme pode soar caricato, "forçado" e muito "maluco" com todos aqueles personagens que são aquilo ali mesmo (bom ponto) mas que são difíceis de se gostar e não parece haver ninguém com bom senso na trama ou que veja as coisas de uma forma "mais normal", (digamos assim) o que pode soar "distante", as vezes. São tantos comportamentos doidos envolvendo os personagens que parecem que não vão "dar em nada" (deixa essa sensação), além do final da trama ser inconclusivo para alguns dos mesmos que foram apresentados. Sua duração (mesmo que "padrão") com todas essas "nuances de elefante em montanha russa" (beirando as vezes a "esquizofrenia") pode ficar meio cansativo e você só vê mesmo para saber como termina, mas não mais instigado por aquilo. Você vê, entende, mas "e ai?! onde isso vai dar?" Sabe?. Novamente, questão de opinião. Mas acredito que vale a conferida, assista para tirar suas conclusões.
Drama que apresenta um dos temas favoritos de Huston : a trajetória de irremediáveis fracassados com um olhar afetuoso,contando ainda com situações bizarras e um protagonista beirando a sociopatia.
“Fazer tudo o que quero e não fiz”. “Fundar uma igreja de Cristo sem Cristo". Este é o ponto de partida (e grande objetivo) de Mr. Motes (numa interpretação vibrante e alucinada de Brad Dourif). E aí eu esperei um filme politicamente incorreto. Mas “Wise Blood” não é apenas uma sátira ou um escracho (embora não se furte a isso). É um filme tresloucado, mas não impensado. É inconveniente, mas não inconseqüente. E atira pedras para todos os lados – porém tudo muito bem estudado. E, sobretudo, neste filme inclassificável, não faltam camadas sobrepostas. Por vezes parece um grande delírio, contudo está mais para um sonho que escapa às interpretações. E é uma obra de cunho muito pessoal, gerada pelo romance de Flannery O'Connor e dirigida pelo veteraníssimo John Huston.
Há personagens que surgem repentinamente e nos provocam raiva, riso, nojo e pena. Destaco o personagem de Dan Shor, o ingênuo que se submete ao desprezo em seu desespero para ser aceito por alguém. De um modo ou de outro, cada pessoa que surge vem corroída de humanidade, tanto no aspecto luminoso como destrutivo.
E o nosso protagonista, tão intolerante quanto seu opressivo avô (numa pequena mas notável participação do diretor), tão fascinado por dogmas religiosos quanto aquele, prossegue em sua caminhada que se torce e retorce sobre si mesma, como se estivesse acalentando uma serpente que não tardará a mordê-lo.
E como sempre foi tão fácil aceitar um novo profeta...
Assim como Cidade das Ilusões (1972), este filme se passa em uma cidade decadente e cheia de personagens marginalizados. A direção de arte e os figurinos causam estranheza pois parecem ser da década de 50, embora a história se passe na atualidade, isto é, no final da década de 70 (Esse anacronismo intencional também seri usado em outros filmes como Ruas de Fogo (1984) e Marte Ataca! (1996)).
Brad Dourif, especialista em papéis excêntricos, está excelente, assim como Harry Dean Stanton e Ned Beatty, como dois malandros que tentam explorar a fé do protagonista em proveito próprio. Mas o roteiro nem sempre se desenvolve de forma interessante, com subtramas mal desenvolvidas, como o passado de Hazel, sua relação com o avô, assim como a subtrama do jovem Enoch (Dan Shor).
1065. (28/02/2021)
Lembrei muito do "Fat CIty", também do diretor. Uma coisa da "nova hollywood', cheia de críticas. No caso esse, principalmente à religiosidade.
Porém, acho o Fat City muuuuuuito superior.
Esse é bacana, cru, mas tem hora que não me empolgou tanto.
Talvez as péssimas legendas que eu tinha, ajudou, kkkkkk
Um filme bem diferenciado sem dúvidas (para não dizer esquisito), além de "cru" é como uma emulação exagerada da realidade, destilando uma crítica ácida (com o uso de personagens e situações) às igrejas, oportunismos baratos, charlatões, falsos profetas, fanatismos, traumas pessoais, solidão e a necessidade de se ter um "porto seguro" ou algo para se apegar com todas as forças sendo bom ou não, real ou não, com bom karma ou não, divino ou não para os personagens. Interessante nesses quesitos. Fica bem claro.
Um tipo de filme que é levado de forma às vezes "real", às vezes como uma comédia, como um drama e tem horas que parece um "desenho animado", (com direito à "música pateta" e tudo) tudo misturado. Gostei bastante de alguns closes (hora sutis, hora escancarados) que o diretor usa para agregar mais a obra. Além da atuação dos atores que tem horas que fazem você se sentir "maluco" como eles no meio daquilo tudo, com tantas situações, frases e comportamentos "anormais" (porém plausíveis) que destilam. (Ri muito do Brad Dourif no início, seu chapéu e suas caretas e atitudes). Realmente o diretor não se segura e tem um "time" certo nisso, te instigando a continuar a ver onde vai dar aquilo tudo e aquele personagem "exótico" e instável.
Agora, assim, mesmo com todas essas qualidades/quantidade de coisas, mesmo que com seus tons de crítica e exageros propositais, senti que nem sempre acerta, deixando tudo muito "por cima". O que eu quero dizer com isso?! Que seus acertos também podem funcionar como "defeitos" (uma "faca de dois gumes") para alguns (como eu), pois com todo esse exagero e loucura o filme pode soar caricato, "forçado" e muito "maluco" com todos aqueles personagens que são aquilo ali mesmo (bom ponto) mas que são difíceis de se gostar e não parece haver ninguém com bom senso na trama ou que veja as coisas de uma forma "mais normal", (digamos assim) o que pode soar "distante", as vezes. São tantos comportamentos doidos envolvendo os personagens que parecem que não vão "dar em nada" (deixa essa sensação), além do final da trama ser inconclusivo para alguns dos mesmos que foram apresentados. Sua duração (mesmo que "padrão") com todas essas "nuances de elefante em montanha russa" (beirando as vezes a "esquizofrenia") pode ficar meio cansativo e você só vê mesmo para saber como termina, mas não mais instigado por aquilo. Você vê, entende, mas "e ai?! onde isso vai dar?" Sabe?. Novamente, questão de opinião. Mas acredito que vale a conferida, assista para tirar suas conclusões.
Drama que apresenta um dos temas favoritos de Huston : a trajetória de irremediáveis fracassados com um olhar afetuoso,contando ainda com situações bizarras e um protagonista beirando a sociopatia.
“Fazer tudo o que quero e não fiz”. “Fundar uma igreja de Cristo sem Cristo". Este é o ponto de partida (e grande objetivo) de Mr. Motes (numa interpretação vibrante e alucinada de Brad Dourif). E aí eu esperei um filme politicamente incorreto. Mas “Wise Blood” não é apenas uma sátira ou um escracho (embora não se furte a isso). É um filme tresloucado, mas não impensado. É inconveniente, mas não inconseqüente. E atira pedras para todos os lados – porém tudo muito bem estudado. E, sobretudo, neste filme inclassificável, não faltam camadas sobrepostas. Por vezes parece um grande delírio, contudo está mais para um sonho que escapa às interpretações. E é uma obra de cunho muito pessoal, gerada pelo romance de Flannery O'Connor e dirigida pelo veteraníssimo John Huston.
Há personagens que surgem repentinamente e nos provocam raiva, riso, nojo e pena. Destaco o personagem de Dan Shor, o ingênuo que se submete ao desprezo em seu desespero para ser aceito por alguém. De um modo ou de outro, cada pessoa que surge vem corroída de humanidade, tanto no aspecto luminoso como destrutivo.
E o nosso protagonista, tão intolerante quanto seu opressivo avô (numa pequena mas notável participação do diretor), tão fascinado por dogmas religiosos quanto aquele, prossegue em sua caminhada que se torce e retorce sobre si mesma, como se estivesse acalentando uma serpente que não tardará a mordê-lo.
E como sempre foi tão fácil aceitar um novo profeta...