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Bons filmes!
Equipe Filmow
Olha, vou marcar "bom/bonzinho", "3 estrelas/3 estrelas e meia", pra [quase regular] 2 estrelas. Acho que ele até merece a nota que tem, estando na "média". Pois ele não é ruim, não desaba, nem põem tudo a perder, mas também não é o máximo, um espetáculo visceral, porém entretém/pode-se entreter numa boa.
O lance é que, quando ele se foca na investigação, e começa aquela coisa de "meter o nariz onde não é chamado", é onde ele funciona, mesmo que simples, ele funciona. Agora, a parte fraca é quando tenta "discutir moralidade", que aí é raso como um pires. Merecia muito mais investimento nisso, se obviamente iria se discutir isso.
E é um filme que começa com tanto cuidado, tanta produção, dê uma forma plausível com várias coisas. Até o, "entre um policial baleado e um bandido baleado, quem você salvaria?".
Mas fica-se muito por cima, rendia mais, MUITO MAIS!. Inclusive até em algumas partes do filme, os próprios personagens poderiam ter sido mais forçados ao limite em suas escolhas morais. Como disse, o filme funciona no plano, quando finge se aprofundar é que fica raso, e se era pra ser assim, continua raso do mesmo jeito. Teve várias oportunidades para aprofundá-lo naturalmente/corretamente.
Outra coisa que o enfraquece é quando "vira Hollywood" demais. O "óbvio" que muitos filmes ficam reféns (ou se coçando), em não conseguirem fazer um suspense sem alguém puxar uma arma ou dar um tiro. É clichê, e aqui não é diferente, o que dilui um pouco as coisas as deixam previsíveis, os levando a recorrerem a conveniências ridículas, capengas e "salvamentos de roteiro" para o filme não acabar antes. Pense, é um doutor, nunca mexeu com armas e capangas tem ele na mira, já viu trocentos filme assim?. Ele simplesmente corre e o roteiro o ajuda. Isso enfraquece bastante algo que poderia ser melhor trabalhado. Nem pra ter uma cena dele usando "seringas" ou "anestésicos", ou alguma "vantagem de terreno", alguma coisa que fizesse sentido, lhe desse alguma vantagem, uma proteção mais crível, diferenciada ou inteligente, já que é "Hollywood", vamos botar a cabeça pra funcionar. O cara é esperto e está entrando em um terreno obviamente perigoso, enfim. Dá FORMA que ficou, não achei legal não.
Mas o que não mata o filme de vez é o elenco, acredito. Eu nem curto o Hugh Grant, mas ele ficou bem aqui e convincente como o Dr. Guy Luthan. É um profissional preocupado, dedicado, muito bom no que faz, e que se importa com sua profissão e com as pessoas, inclusive passando horas estudando, trabalhando e se sobrecarregando no processo. Quem espera Gene Hackman, não fique tão animado, o filme é muito mais com o Hugh Grant em tela, e ele não faz feio. Ficou convincente e você se importa com sua causa e seu personagem. Ponto pra ele.
Sarah Jessica Parker também está legal, numa participação pequena.
Aparecem alguns rostos conhecidos como David Morse, J. K. Simmons, Bill Nunn, até uma participação rápida do diretor David Cronenberg. O que da a fita um certo carisma, mas não espere muito dos mesmos, tudo é bem simplificado.
Um que ficou legal e se destacou foi o mendigo, feito pelo ator John Toles-Bey. Ficou muita boa sua participação, bem natural e convincente. O filme ainda tem um tempo pra ter umas piadinhas dentro de um humor sarcástico e irônico. Mas muito vindo do personagem de Grant, e não do filme em si.
Gene Hackman está aqui óbvio, mas na minha opinião subaproveitado. Como disse, o texto não faz jus a esse gigante, o gigante que ajuda o filme, e mesmo assim, Hackman tem papeis muito melhores que esse, bem mais interessantes e que exigem mais dele. Ele faz mais pelo filme do que o filme por ele, o que é uma pena.
Deixando seu final meio pamonha e capenga. Poderia ter sido mais, faltou motivações mais fortes, faltou mais estofo, faltou mais emoção, contestação, faltou paixão para "botar o dedo na ferida", te deixar pensativo, faltou lágrimas igual a cadeirante (péssima atriz!), faltou decisões conflitantes. Imagino se o roteiro investe mais no embate moralista, deixa seus personagens mais profundos, com convicções fortes, que embate teríamos em uma performance maravilhosa de palavras/argumentos entre Grant e Hackman, mas o que se tem é um filme básico, aqueles para dar uma distraída sem se sentir ofendido, passar um tempo e levar a uma entretida. O que se lamenta.
Não gostei também de como o personagem de Grant foi jogado pra escanteio com facilidade, um exame de sangue dava conta disso. Como disse, o filme conta sua historia na maior parte bem, mas não aprofunda as coisas como deveria e ainda recorre a recursos bestas e convenientes para continuar andando. Sua sorte é que o que tem funciona, e os atores fazem seus trabalhos.
Mas na mão de um diretor mais ousado, sairia outro filme daqui! pode ter certeza. "Medidas Extremas" ficou só na superfície. Como aquele aluno que pode tirar um "10", tem tudo pra tirar 10, lhe dão todas as ferramentas para tirar 10, e ele tira um 6, porque "tá na média" e ele "vai passar do mesmo jeito". Bem isso.
Visto em: 06-11-2026
Entreteve, mas tive que fazer vista grossa para certas coisas. E como apela para clichês e conveniências, em vez de aprofundar seu plot de forma forte, contestadora, firme, com emoção, sua duração de quase 2 horas acabam pesando e parecendo desnecessárias. É isso.