Tira (Mae West) é uma artista de circo que trabalha também como domadora de leões. Esta profissão é apenas para ocultar suas atividades criminais. Depois do espetáculo no Madison Square Garden, Tira chama a atenção de um ricaço casado. Seu sócio, Jack Clayton (Cary Grant), não perde tempo e inicia um romance com ela. Drama romântico repleto de música, glamour e muito humor. Sem se desculpar por sua sexualidade sensual, Mae declara:"Quando sou boa, sou muito boa. Mas quando sou má, sou melhor".
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Primeiro filme que vejo da Mae, e é muito bom e essa personagem que ela faz é sensacional.
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I’M NO ANGEL
Direção: Wesley Ruggles
Ano: 1933
Assistido em: 02/07/2023
Preciso parar com essa maldita mania de querer assistir a filmes unicamente por conta de um misero detalhe, no caso de “I’m No Angel” cheguei aqui devido as frases marcantes proferidas pela Mae West no papel de Tira, a domadora de leões. Não que tenha achado o resultado final ruim, mas o maior problema foi a enorme decepção que tive com o roteiro, que me deixou com uma impressão que poderia ter rendido muito mais do que de fato rendeu.
Tira é uma cantora de circo que também trabalha como domadora de leões. Ela não é uma mulher convencional, ou que segue os padrões de sua época. Sedutora, se envolve com diversos homens, sem se importar muito com as consequências, entretanto sua vida muda totalmente quando ela se envolve com um homem comprometido, porém é quando o futuro cunhado desse rapaz, Jack Clayton, entra na história que a vida de Tira vai virar de cabeça para baixo, com ela inesperadamente se apaixonando por Jack.
Quando li sobre a produção desse filme, e sobre o impacto que ele teve na época, automaticamente passei a esperar por algo mais “atrevido”, entendo que estamos falando de um filme lançado há quase um século, e o que as pessoas entendiam por “transgressor” é bem diferente do que nós consideramos de vanguarda hoje, de fato a personagem Tira é bem pra frente se olharmos com atenção o período histórico no qual ela está posicionada, mas se ignorarmos o comportamento da protagonista e analisarmos apenas a história apresentada, não encontramos absolutamente nada de muito diferente dos padrões da época, ainda estamos diante de uma comédia romântica bem leve, com um musical embutido no meio da mistura.
Apesar de Mae West ser uma das mais importantes atrizes de seu tempo, confesso que nunca havia visto nenhuma produção estrelada por ela, mas gostei bastante de seu desempenho. Entretanto o que mais me chamou atenção foi ter a oportunidade de assistir o igualmente lendário Cary Grant em um de seus primeiro papeis, diferente de West, Grant sempre foi um dos atores clássicos que mais gosto, principalmente devido a seus trabalho com Hitchcock, mas só conhecia seus trabalhos dos anos 1940 em diante, quando ele já era um ícone de Hollywood, portanto foi algo bem incomum ao que já estava acostumado.
“I’m No Angel” ficou muito marcado por suas frases icônicas proferidas por Tira, e sendo honesto, não achei nada mais marcante do isso. Diante dos talentos envolvidos, creio que o roteiro e direção poderiam ter oferecido uma história mais interessante e menos trivial, menos lugar comum, condições para isso existiam de sobra.
Uma comédia ousada e franca dos anos 30 - pré-Código - abordando uma mulher sexualmente liberal (as primeiras tentativas de legalizá-la na opinião do público). Mae West é, com certeza, a dama que sabe quem exerce poder sobre os homens, numa atuação clássica. Também podemos ver Cary Grant, jovem, em um dos seus primeiros trabalhos no cinema.
Curioso como o roteiro é praticamente a mesma coisa das comédias românticas que povoaram os anos 1990 e 2000, incluindo a separação que dá vazão ao terceiro ato. Curioso também que é um filme que talvez passasse tranquilo de tarde na TV, mas na época, foi impedido de ser reexibido nos cinemas com o endurecimento da censura. Um terceiro ponto curioso é como Mae West só chegou em Hollywood aos 40 anos de idade, enquanto a indústria cinematográfica da época valorizava as estrelas jovens, e muitas atrizes, ao passar dos 30 anos, já estavam condenadas ao ostracismo, e mesmo assim Mae West, já "velha" para os padrões da época, conseguiu destaque em seus filmes.
Nota: 7.2.
Do período Pre-Code, Mae West é sem dúvidas a minha atriz favorita, como também um dos maiores nomes desse período. Ela mesma escrevia os diálogos dos seus filmes e fazia questão de colocar frases de duplo sentido, fazendo os moralistas da época ficarem corados. Arrumou muita briga com os sindicatos de moralidade e religiosidade, chegando até mesmo a ser presa. Ela era uma mulher muito inteligente e eu a amo por isso. Ela não era uma atriz padronizada, muito pelo contrário, ela criou o seu padrão. Já vimos muitas atrizes sendo imitadas no decorrer dos anos e até mesmo durante a era de ouro de Hollywood, mas nunca vimos nenhuma atriz ousar a imitar Mae West, pois ela definitivamente era única em todos os aspectos. Ela não possuía uma beleza padrão ou atraente à primeira vista, mas em seus filmes, ela era irresistível, ela era atraente e ela que comandava tudo. Os homens eram apenas artigo de figuração. E acredito que ela tenha ajudado diversas mulheres a se enxergarem como atraentes e plenas, graças a seus filmes. Impossível quem ama filmes Pre-Code, dar menos de cinco estrelas a um filme com Mae West realizado nesse período.