- só aquela dr, termino ou sei lá o que foi aquela conversa do começo já mostra a que veio o filme - personagens chatos pra caramba, mas da pra entender e até se espelhar em alguns momentos - todo mundo tava assim perturbado na pandemia
Esquete do Porta do Fundos [2]: a pandemia é um pretexto para promover uma narrativa militante "sutil" disfarçada de imersão cotidiana no gueto gay, bem ao gosto da leva de filmes de Gustavo Vinagre, do coletivo de surto & deslumbramento e o longa corpo elétrico, onde se problematizam (ou tentam dissolver) as preferências sexuais homonormativas e as endogamias tribais (bear-bear, barbie-barbie, twink-twink, garanhão (hunk)-garanhão, a posição dos gordos, dos afeminados e homens trans nos aplicativos etc.).
Ou seja: isto vai além de uma simples constatação de uma crítica que levante questões entre a verossimilhança da obra com a realidade vivida e a licença poética da obra. Existe um apelo para esse tipo de questão 'justiceira social' , que dá a impressão ou sugestão de resolver conflitos pessoais e/ ou os sentidos na própria comunidade, o que sustenta uma regularidade desse tema/interesse. E torna a obra mais um panfleto do óbvio ululante e uma caricatura do que uma imersão sensível em subjetividades/paisagens/personagens reais ou não. Não se trata de representatividade do real, nem de licença poética, mas de repetição do mais do mesmo. Até porque pode haver mistura e desejo entre padrãozinho e bear ou bear e cafuçu ou bear e negro (na ficção e no real). O problema está é nesse apelo mal resolvido onde se reconhece o lugar social do supostamente 'inferior'/rejeitado (o bear) e endossa o 'valorizado' viril padrão, reforçando este último como ideal privilegiado do desejo, dentro do ideal da militância (a mistura dos corpos forçada além das caricaturas de tipos combinados) como se o problema social do rejeitado fosse produto exclusivo de sua baixa auto estima e que num passe de mágica ideal, puf!, com o reconhecimento pelo padrãozinho da beleza do corpo gordo, todo o problema acaba, como se o padrãozinho fosse o responsável pela seleção social dos corpos e o 'gosto padrão' e, principalmente, quem vai dar a licença mental pro rejeitado se sentir empoderado, a cura da sua insegurança. É muito fácil a militância cobrar do padrãozinho que deseje o rejeitado como critério de promoção da diversidade e repúdio ao uniforme endogâmico, mas ela própria continuar desejando e reforçando o padrão como alvo do desejo...
Como uma utopia da ''suruba universal onde ninguém é rejeitado'' ''cota sexual de padrãozinho e homem viril pros excluídos'' ou uma terapia que ignora a diversidade e a contradição do mundo real. Bem ao gosto do identitarismo estadunidense psicológico e puritano (blábláblá, o pessoal privado é político) que sequestrou a pauta das sexualidades dissidentes e acha que vai mudar o mundo com distribuição de culpa individual (rsrs).
O filme faz uma crítica ao identitarismo e ao discurso militante sobre hipersexualização do homem negro, colorismo ou heteroidentificação (o personagem de Marcus Curvelo e a amiga negra), mas faz o mesmo tipo de militância ''sutil'' da ''cultura da responsabilidade/cancelamento'' hiperpreocupada com o emocional dos oprimidos e as formas como as pessoas devem se sentir em relação a eles (o que é maternalismo/paternalismo autoritário, obviamente: eu sei como as pessoas devem se sentir, vou tomar as dores de todos para falar em nome deles, dizerem que sou empático e ainda ganhar mil seguidores por segundo).
Em suma: as pessoas militantes do identitarismo não querem mudanças econômicas e políticas ou da mentalidade cultural na sociedade em geral, mas atenção personalizada para suas pautas específicas como se todo mundo tivesse obrigação de falar nos termos do diretório dos estudantes e não escondem a competição de quem sofre mais sobre a polifonia e discordância de pautas entre si (identidade negra versus identidade gay bear classe média), nada mais típico que a disputa por atenção nas redes sociais e mercado ou cativar os seus em seu quadrado (no fim tudo vira a endogamia que eles criticam rsrs). E usar o filme como espaço de promoção/exposição de uma terapia ou de uma situação delicada/vulnerável não vai fazer ninguém se identificar automaticamente por medo de ser cancelado, por não ter empatia (risos), do mesmo jeito que apontar o dedo na cara por rejeitar tal pessoa no aplicativo não vai intimidar a atração de ninguém, nem fazer sentir culpa por isso...
- só aquela dr, termino ou sei lá o que foi aquela conversa do começo já mostra a que veio o filme
- personagens chatos pra caramba, mas da pra entender e até se espelhar em alguns momentos
- todo mundo tava assim perturbado na pandemia
Era pra o título ser "quebrando todos os protocolos", julgando que nem o próprio Chico.
Achei os personagens tão irritantes, chatos e cheios de nhenhenhe. Mas é um bom ensaio social. Da para entreter no sentido de passar raiva.
Tem uma premissa interessante, mas só algumas cenas funcionam...no geral é bem ruinzin'!
Esquete do Porta do Fundos [2]: a pandemia é um pretexto para promover uma narrativa militante "sutil" disfarçada de imersão cotidiana no gueto gay, bem ao gosto da leva de filmes de Gustavo Vinagre, do coletivo de surto & deslumbramento e o longa corpo elétrico, onde se problematizam (ou tentam dissolver) as preferências sexuais homonormativas e as endogamias tribais (bear-bear, barbie-barbie, twink-twink, garanhão (hunk)-garanhão, a posição dos gordos, dos afeminados e homens trans nos aplicativos etc.).
Ou seja: isto vai além de uma simples constatação de uma crítica que levante questões entre a verossimilhança da obra com a realidade vivida e a licença poética da obra. Existe um apelo para esse tipo de questão 'justiceira social' , que dá a impressão ou sugestão de resolver conflitos pessoais e/ ou os sentidos na própria comunidade, o que sustenta uma regularidade desse tema/interesse. E torna a obra mais um panfleto do óbvio ululante e uma caricatura do que uma imersão sensível em subjetividades/paisagens/personagens reais ou não. Não se trata de representatividade do real, nem de licença poética, mas de repetição do mais do mesmo. Até porque pode haver mistura e desejo entre padrãozinho e bear ou bear e cafuçu ou bear e negro (na ficção e no real). O problema está é nesse apelo mal resolvido onde se reconhece o lugar social do supostamente 'inferior'/rejeitado (o bear) e endossa o 'valorizado' viril padrão, reforçando este último como ideal privilegiado do desejo, dentro do ideal da militância (a mistura dos corpos forçada além das caricaturas de tipos combinados) como se o problema social do rejeitado fosse produto exclusivo de sua baixa auto estima e que num passe de mágica ideal, puf!, com o reconhecimento pelo padrãozinho da beleza do corpo gordo, todo o problema acaba, como se o padrãozinho fosse o responsável pela seleção social dos corpos e o 'gosto padrão' e, principalmente, quem vai dar a licença mental pro rejeitado se sentir empoderado, a cura da sua insegurança. É muito fácil a militância cobrar do padrãozinho que deseje o rejeitado como critério de promoção da diversidade e repúdio ao uniforme endogâmico, mas ela própria continuar desejando e reforçando o padrão como alvo do desejo...
Como uma utopia da ''suruba universal onde ninguém é rejeitado'' ''cota sexual de padrãozinho e homem viril pros excluídos'' ou uma terapia que ignora a diversidade e a contradição do mundo real. Bem ao gosto do identitarismo estadunidense psicológico e puritano (blábláblá, o pessoal privado é político) que sequestrou a pauta das sexualidades dissidentes e acha que vai mudar o mundo com distribuição de culpa individual (rsrs).
O filme faz uma crítica ao identitarismo e ao discurso militante sobre hipersexualização do homem negro, colorismo ou heteroidentificação (o personagem de Marcus Curvelo e a amiga negra), mas faz o mesmo tipo de militância ''sutil'' da ''cultura da responsabilidade/cancelamento'' hiperpreocupada com o emocional dos oprimidos e as formas como as pessoas devem se sentir em relação a eles (o que é maternalismo/paternalismo autoritário, obviamente: eu sei como as pessoas devem se sentir, vou tomar as dores de todos para falar em nome deles, dizerem que sou empático e ainda ganhar mil seguidores por segundo).
Em suma: as pessoas militantes do identitarismo não querem mudanças econômicas e políticas ou da mentalidade cultural na sociedade em geral, mas atenção personalizada para suas pautas específicas como se todo mundo tivesse obrigação de falar nos termos do diretório dos estudantes e não escondem a competição de quem sofre mais sobre a polifonia e discordância de pautas entre si (identidade negra versus identidade gay bear classe média), nada mais típico que a disputa por atenção nas redes sociais e mercado ou cativar os seus em seu quadrado (no fim tudo vira a endogamia que eles criticam rsrs). E usar o filme como espaço de promoção/exposição de uma terapia ou de uma situação delicada/vulnerável não vai fazer ninguém se identificar automaticamente por medo de ser cancelado, por não ter empatia (risos), do mesmo jeito que apontar o dedo na cara por rejeitar tal pessoa no aplicativo não vai intimidar a atração de ninguém, nem fazer sentir culpa por isso...