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Após a recente morte da mãe, o jovem Howie, de 15 anos, envereda por caminhos perigosos. Negligenciado pelo pai, ele começa a faltar à escola e a assaltar casas das redondezas com os seus amigos delinqüentes. Um dia Howie e o seu melhor amigo Gary assaltam a casa de um veterano ex-fuzileiro chamado Big John. Quando Big John aborda Howie, por causa do roubo, Howie descobre o sedutor segredo que une o seu amigo a este.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
"L.I.E, auto-estrada de long Island. Há faixas que vão para este e faixas que vão para o oeste. Também há faixas que vão direto para o inferno. Já morreu muita gente nela, Harry Chapin, Alan Pakula, o diretor de cinema e Sylvia Blitzer, a minha mãe, mas não deixo que ela me mate."
Filme triste mas com um final agridoce. Ainda bem que aquele pedófilo morreu. Eu suponho que sem a ajuda dele, Howie terá que morar com a tia, como o pai dele sugere na prisão, coisa que ele nega dizendo que sabia se cuidar e que daria um jeito com o dinheiro. Jeito esse que muito provavelmente tinha relação com o pedo... Fiquei muito reflexiva com o final. O garoto perdeu todos que conheciam de alguma forma e fiquei pensando na vida dele depois de tudo aquilo.
26.01.2003
Provocativo e desconcertante ele mergulha nas sombras da adolescência suburbana americana.
Dirigido por Michael Cuesta, o longa aborda temas densos como negligência familiar, abuso sexual e a busca desesperada por conexão emocional, tudo sob a perspectiva de um jovem à deriva. O protagonista, Howie (interpretado com sensibilidade por um jovem Paul Dano), é um garoto de 15 anos que vive em Long Island. Após a morte de sua mãe e com um pai emocionalmente ausente, Howie encontra-se em uma espiral de solidão e desorientação. Ele acaba se envolvendo com Big John (Brian Cox), um homem mais velho conhecido por se relacionar com garotos vulneráveis. É nesse território delicado que o filme pisa com coragem, sem recorrer a soluções fáceis ou moralismos rasos.
Brian Cox entrega uma performance excepcional como Big John, um personagem que, apesar de seu lado predatório, é apresentado de forma complexa e ambígua. Essa ambiguidade é uma das forças do filme: em vez de pintar vilões e heróis com pinceladas grossas, L.I.E. mostra seres humanos cheios de falhas, desejos e carências. A narrativa é conduzida com sobriedade, evitando o sensacionalismo. A direção de Cuesta é contida, mas eficaz, especialmente ao explorar a paisagem desoladora da Long Island Expressway como metáfora para o abandono e a perda de rumo. O uso da estrada como símbolo da transição (ou da falta dela) é sutil, mas poderoso.
Contudo, L.I.E. pode incomodar profundamente. Não apenas pelos temas abordados, mas pela forma como se recusa a entregar resoluções claras. Há momentos em que o espectador se vê obrigado a confrontar sua própria percepção de culpa, empatia e moralidade.
Uma obra impactante sobre a masculinidade e as descobertas boas e ruins da adolescência.
Howie imagina afeto masculino, mas só o que ganha é agressão do pai e dos amigos. Não consegue se assumir no meio de tanta opressão. Já a mãe surge e o consola num dos momentos mais decisivos de sua vida.
Esse filme responde uma das perguntas mais importantes da vida: Pq um filho se tornaria ingrato mesmo com uma vida de luxo?
O maior dilema do garoto é desconfiar dos homens sendo apaixonado por eles.
Pra mim, o maior gatilho do filme está em esperar afeto de um agressor. Numa vida solitária, às vezes parece que esse é o único salvador.
No fim, Howie descobriu o amor próprio, conscientizando o pai de suas mágoas afim de uma vida mais pacífica e sincera. A partir da comunicação, conseguiu recuperar a esperança e o amor na família que sentia com sua mãe viva.
Vai um pouco além da temática natural da descoberta do pré adolescente, chega a arranhar assuntos complexos demais para tão pouco tempo de execução, creio que ficou no caminho certo da narrativa, sem ousar mais. Enfim, Paul Dano já era mesmo destaque ideal para personagens com mais camadas.