Em Pernambuco, um roubo de joias reúne um antigo grupo de amigos desajustados, fazendo com que os resultados sejam catastróficos. Vigiados por fantasmas do passado, cada um deles terá que encontrar a sua própria forma de liberdade.
Muito bom, gosto dessas histórias atravessadas tipo Bacurau, Continente, Fogaréu, Propriedade etc, onde a trama vai se inflamando até explodir, sempre envolto em algum contexto social, cultural e político, e nossos filmes são afiados nisso, quem não gosta paciência, eu acho o máximo, mesmo em produções mais simples como é o caso aqui, que apesar da fotografia, e boas atuações tem uma sutil precariedade, não me incomodou...até combina com a história. Filmão!
Assistido com 15 min. de atraso, domingo dia 27/04 no Cinema da Fundação Porto, mas deu para concatenar direitinho a narrativa fragmentada e sem apego ao tempo cronológico (o que obviamente não desfavorece o filme, nem minha leitura). É mais um exemplar típico do cinema da retomada tardio que não supera a década de 90, com muitas referências ao manguebeat (aquele uso da linguagem telejornalística interativa presente nos filmes da Telephone Colorido, por exemplo) e todo o universo da brodagem audiovisual da geração de Kleber Mendonça, Camilo Cavalcante, Paulo Caldas e Claudio Assis. Traz o mesmo contraponto rural/urbano de Árido Movie, com marginalidade e política oligárquica envolvidas até o talo, muitas piadas manjadas para arrancar risadas locais sob encomenda (''preá'', ''o verdadeiro rei'', ''São Paulo-Curitiba") e mais cenas de ação e perseguição policial do que o padrão. Outra coisa que diferencia este filme: soa como retratação de esquerdomacho para o público feminista de classe média, tendo em vista a fama que os cineastas egressos do coletivo Van-Retrô têm no Recife (risos). É o tal negócio, legalzinho, mas nada original, um teor 80% tradição e 20% modernidade de uma estética estagnada do manguebeat quando abandona todos potenciais da linguagem para ficar na ruminação e autocelebração das referências locais.
Diretor de filmes brasileiros notórios da pós-Retomada, como ‘Baile perfumado’ (1997 – junto de Paulo Caldas) e ‘Árido movie’ (2005), o pernambucano Lírio Ferreira volta com todo seu lirismo e realismo em seu novo trabalho, ‘Serra das Almas’ (2024), thriller violento que se passa no interior de Pernambuco. Começa com um roubo de joias organizado por um grupo de desajustados, cujos líderes são dois amigos de infância, hoje traficantes. Perseguidos pela polícia, procurando esconderijo no meio do agreste, eles são vigiados por fantasmas do passado, e caem numa espiral de tormento. O confronto inicial é com a polícia e depois entre eles mesmos, deixando um rastro de crime. O filme mistura a estética poética do diretor, com fé e misticismo num agreste vivo, lugar de perpétua disputa, que absorve os personagens – ‘Serra das Almas’ foi gravado durante dois meses na região de Bezerros, no Pernambuco, e parte na capital, Recife, com um elenco afinado, que entrega tudo, com destaque para o quarteto central, Ravel Andrade, Davi Santos, Julia Stockler e Mari Oliveira. Nos cinemas pela Imagem Filmes. PS - Exibido em outubro de 2024 no Festival do Rio e na Mostra de São Paulo, onde ganhou o Prêmio Netflix – depois de passar nos cinemas, a produção será exibida na Netflix de mais de 190 países, em breve. POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb
Existe um filme aqui e um roteiro de vingança, com personagens dos políticos sendo tipicamente caricaturados, mas os personagens do núcleo do sequestro funcionam na construção, ainda mais com o plot de um sequestrado. O problema mesmo é a tentativa de uma edição esperta que joga contra o ritmo do filme, e no final das contas nem era tão intrincado nem tão revelador. Uns trinta minutos a menos também faria bem a isso aqui.
Serra das Almas Vence a Segunda Edição do Prêmio Netflix na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. São Paulo, 30 de outubro de 2024 – Na noite de encerramento da 48ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, a Netflix anunciou o filme Serra das Almas, do diretor pernambucano Lírio Ferreira, como vencedor da segunda edição do Prêmio Netflix. A produção foi selecionada entre os filmes brasileiros do festival e será exibida na Netflix em mais de 190 países, em data ainda a ser anunciada.
O Prêmio Netflix seleciona e adquire os direitos de distribuição de um filme brasileiro de ficção participante da Mostra de São Paulo que ainda não tenha sido negociado com nenhum serviço de streaming. O júri composto por Gabriel Gurman, diretor de Filmes da Netflix, e Flávia Guerra, jornalista e documentarista especializada em cinema, buscou uma produção plural e inovadora.
Muito bom, gosto dessas histórias atravessadas tipo Bacurau, Continente, Fogaréu, Propriedade etc, onde a trama vai se inflamando até explodir, sempre envolto em algum contexto social, cultural e político, e nossos filmes são afiados nisso, quem não gosta paciência, eu acho o máximo, mesmo em produções mais simples como é o caso aqui, que apesar da fotografia, e boas atuações tem uma sutil precariedade, não me incomodou...até combina com a história. Filmão!
Assistido com 15 min. de atraso, domingo dia 27/04 no Cinema da Fundação Porto, mas deu para concatenar direitinho a narrativa fragmentada e sem apego ao tempo cronológico (o que obviamente não desfavorece o filme, nem minha leitura). É mais um exemplar típico do cinema da retomada tardio que não supera a década de 90, com muitas referências ao manguebeat (aquele uso da linguagem telejornalística interativa presente nos filmes da Telephone Colorido, por exemplo) e todo o universo da brodagem audiovisual da geração de Kleber Mendonça, Camilo Cavalcante, Paulo Caldas e Claudio Assis. Traz o mesmo contraponto rural/urbano de Árido Movie, com marginalidade e política oligárquica envolvidas até o talo, muitas piadas manjadas para arrancar risadas locais sob encomenda (''preá'', ''o verdadeiro rei'', ''São Paulo-Curitiba") e mais cenas de ação e perseguição policial do que o padrão. Outra coisa que diferencia este filme: soa como retratação de esquerdomacho para o público feminista de classe média, tendo em vista a fama que os cineastas egressos do coletivo Van-Retrô têm no Recife (risos). É o tal negócio, legalzinho, mas nada original, um teor 80% tradição e 20% modernidade de uma estética estagnada do manguebeat quando abandona todos potenciais da linguagem para ficar na ruminação e autocelebração das referências locais.
Diretor de filmes brasileiros notórios da pós-Retomada, como ‘Baile perfumado’ (1997 – junto de Paulo Caldas) e ‘Árido movie’ (2005), o pernambucano Lírio Ferreira volta com todo seu lirismo e realismo em seu novo trabalho, ‘Serra das Almas’ (2024), thriller violento que se passa no interior de Pernambuco. Começa com um roubo de joias organizado por um grupo de desajustados, cujos líderes são dois amigos de infância, hoje traficantes. Perseguidos pela polícia, procurando esconderijo no meio do agreste, eles são vigiados por fantasmas do passado, e caem numa espiral de tormento. O confronto inicial é com a polícia e depois entre eles mesmos, deixando um rastro de crime. O filme mistura a estética poética do diretor, com fé e misticismo num agreste vivo, lugar de perpétua disputa, que absorve os personagens – ‘Serra das Almas’ foi gravado durante dois meses na região de Bezerros, no Pernambuco, e parte na capital, Recife, com um elenco afinado, que entrega tudo, com destaque para o quarteto central, Ravel Andrade, Davi Santos, Julia Stockler e Mari Oliveira. Nos cinemas pela Imagem Filmes. PS - Exibido em outubro de 2024 no Festival do Rio e na Mostra de São Paulo, onde ganhou o Prêmio Netflix – depois de passar nos cinemas, a produção será exibida na Netflix de mais de 190 países, em breve. POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb
Existe um filme aqui e um roteiro de vingança, com personagens dos políticos sendo tipicamente caricaturados, mas os personagens do núcleo do sequestro funcionam na construção, ainda mais com o plot de um sequestrado. O problema mesmo é a tentativa de uma edição esperta que joga contra o ritmo do filme, e no final das contas nem era tão intrincado nem tão revelador. Uns trinta minutos a menos também faria bem a isso aqui.
Serra das Almas Vence a Segunda Edição do Prêmio Netflix na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
São Paulo, 30 de outubro de 2024 – Na noite de encerramento da 48ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, a Netflix anunciou o filme Serra das Almas, do diretor pernambucano Lírio Ferreira, como vencedor da segunda edição do Prêmio Netflix. A produção foi selecionada entre os filmes brasileiros do festival e será exibida na Netflix em mais de 190 países, em data ainda a ser anunciada.
O Prêmio Netflix seleciona e adquire os direitos de distribuição de um filme brasileiro de ficção participante da Mostra de São Paulo que ainda não tenha sido negociado com nenhum serviço de streaming. O júri composto por Gabriel Gurman, diretor de Filmes da Netflix, e Flávia Guerra, jornalista e documentarista especializada em cinema, buscou uma produção plural e inovadora.