Antão é ferido, preso e morto quando bando de jagunços de Jesuíno invade cidade de Sertânia. O filme projeta a mente febril e delirante de Antão, que rememora os acontecimentos.
🌵 A escolha da fotografia preto e branco para esse negócio é algo que beira ao absurdo de belo. Sertânia é uma experiência cósmica. Mandacaru, sol escapelando, bem-ti-vi. Uma Desgraça da Muléstia retratando uma realidade febril. A estética do cangaço é incrível, e só por isso Sertânia já vale a pena ser assistido.
🌵 Cangaia, Jagunços, pré-cangaço. Sertânia tem inúmeras qualidades, não só no roteiro mas principalmente na escolha narrativa. Essa estrutura fragmentada, que vai do futuro para o passado, do passado para o presente, consegue nos colocar dentro do delírio do personagem. Eu ainda não li o O Grande Sertão Veredas, para muitos a magnus opus da literatura brasileira. Porém, não sei porque a estrutura de se mostrar o sertão me fez lembrar desse negócio.
“Tem hora que só kão pra acudir a gente”
🌵 Antônio Conselheiro, Canudos foi logo ali. Rastros de loucura, pois antes de mais nada devemos também refletir sobre a romantização do sertanejo. Muitas vezes interpretada de caba forte, alma inquebrável, mas também, envolto de selvageria e violência. A tal da dignidade passa por outros terrenos, pois o Brasil dava um jeito de esconder tais almas, restando apenas memórias, poesia e histórias.
🌵 Miséria, chumbo, a mente do nosso protagonista continua febril, uma descida rápida no além mundo. Uma junção de poesia e filosofia, pois ainda continuamos perdidos. Sertânia é uma jornada cósmica, por uma Terra seca, penetrando almas primitivas e esquecidas. A natureza se faz de covarde, penumbra de uma vida bandida de um Brasil sem escolhas.
Primeiramente devo enaltecer aqui a minha emoção de assistir e consequentemente resenhar no mesmo dia duas obras de artistas tão distintos e igualmente notórios (o outro foi Cronenberg). Ambos no alto de seus 80 e poucos anos nos mostram como suas obras são tão absurdamente fantásticas, cada qual de sua maneira. Sarno há muito já não apresentava algo novo, e quando fiquei sabendo de Sertânia fiquei imensamente ansioso a assistir. Infelizmente, tardou a surgir a oportunidade para mim, até que o Sesc (sempre Sesc salvando!) o pôs a disposição de nós espectadores. A narrativa é visceral a todo momento, orbitando em torno do envolvimento de um ex-militar que retornou ao Sertão se juntando ao grupo cangaceiro de Jesuíno, o Gavião, logo se tornando seu braço direito por sua destreza e destemor. Cortes abruptos nos levam a lembranças permeadas por recortes documentais já obtidos anteriormente pelo diretor, um especialista nesta área por sinal, tornando a obra ainda mais fidedigna. Um filmaço, com todas as letras!
Certamente falta algo em seu roteiro que consiga prender o espectador mas a construção de mundo daquele sertão que caminha entre violência e fome é realmente digna de nota. Há algo de onírico entre a vida e morte que também merece respeito além de uma fotografia exuberante. Glauber Rocha iria curtir.
- que filme maravilhoso! fotografia impecável! acho que é o melhor uso de preto e branco que já vi - mitologias do sertão brasileiro contada de forma linda e única aos olhos de um moribundo - história da luta de classes vista de forma magistral, com muitas alegorias, quebra de quarta parede e viajando através dos tempos - glauber rocha ficaria muito orgulhoso
“O pai morreu, Mãe?”
🌵 A escolha da fotografia preto e branco para esse negócio é algo que beira ao absurdo de belo. Sertânia é uma experiência cósmica. Mandacaru, sol escapelando, bem-ti-vi. Uma Desgraça da Muléstia retratando uma realidade febril. A estética do cangaço é incrível, e só por isso Sertânia já vale a pena ser assistido.
🌵 Cangaia, Jagunços, pré-cangaço. Sertânia tem inúmeras qualidades, não só no roteiro mas principalmente na escolha narrativa. Essa estrutura fragmentada, que vai do futuro para o passado, do passado para o presente, consegue nos colocar dentro do delírio do personagem. Eu ainda não li o O Grande Sertão Veredas, para muitos a magnus opus da literatura brasileira. Porém, não sei porque a estrutura de se mostrar o sertão me fez lembrar desse negócio.
“Tem hora que só kão pra acudir a gente”
🌵 Antônio Conselheiro, Canudos foi logo ali. Rastros de loucura, pois antes de mais nada devemos também refletir sobre a romantização do sertanejo. Muitas vezes interpretada de caba forte, alma inquebrável, mas também, envolto de selvageria e violência. A tal da dignidade passa por outros terrenos, pois o Brasil dava um jeito de esconder tais almas, restando apenas memórias, poesia e histórias.
🌵 Miséria, chumbo, a mente do nosso protagonista continua febril, uma descida rápida no além mundo. Uma junção de poesia e filosofia, pois ainda continuamos perdidos. Sertânia é uma jornada cósmica, por uma Terra seca, penetrando almas primitivas e esquecidas. A natureza se faz de covarde, penumbra de uma vida bandida de um Brasil sem escolhas.
“Viver ou morrer: Qual diferença faz?”
Primeiramente devo enaltecer aqui a minha emoção de assistir e consequentemente resenhar no mesmo dia duas obras de artistas tão distintos e igualmente notórios (o outro foi Cronenberg).
Ambos no alto de seus 80 e poucos anos nos mostram como suas obras são tão absurdamente fantásticas, cada qual de sua maneira.
Sarno há muito já não apresentava algo novo, e quando fiquei sabendo de Sertânia fiquei imensamente ansioso a assistir. Infelizmente, tardou a surgir a oportunidade para mim, até que o Sesc (sempre Sesc salvando!) o pôs a disposição de nós espectadores.
A narrativa é visceral a todo momento, orbitando em torno do envolvimento de um ex-militar que retornou ao Sertão se juntando ao grupo cangaceiro de Jesuíno, o Gavião, logo se tornando seu braço direito por sua destreza e destemor.
Cortes abruptos nos levam a lembranças permeadas por recortes documentais já obtidos anteriormente pelo diretor, um especialista nesta área por sinal, tornando a obra ainda mais fidedigna.
Um filmaço, com todas as letras!
Certamente falta algo em seu roteiro que consiga prender o espectador mas a construção de mundo daquele sertão que caminha entre violência e fome é realmente digna de nota. Há algo de onírico entre a vida e morte que também merece respeito além de uma fotografia exuberante. Glauber Rocha iria curtir.
Muito bom!
- que filme maravilhoso! fotografia impecável! acho que é o melhor uso de preto e branco que já vi
- mitologias do sertão brasileiro contada de forma linda e única aos olhos de um moribundo
- história da luta de classes vista de forma magistral, com muitas alegorias, quebra de quarta parede e viajando através dos tempos
- glauber rocha ficaria muito orgulhoso